Sondagem Legislativas: PS desmarca-se do Bloco Central

de Carlos Santos 8 de Maio de 2009 | Legislativas

Foram conhecidos esta Quinta os números da mais recente sondagem para as legislativas.  1021 pessoas foram inquiridas, entr 30 de Abril e 5 de Maio. Os resultados do trabalho de campo da EuroSondagem para o Expresso, SIC e RR, mostram uma intenção de voto após distribuição de indecisos de 38,8% para o PS, 30,5% para o PSD, 9,8% para o BE, 9,2% para a CDU e 6,9% para o CDS/PP.
Os números do PS e do PSD continuam a ser pautados por uma diferença relevante que torna difícil a esta distância antecipar uma recuperação do PSD ao ponto de vencer as legislativas. Contudo, O facto de haver eleições europeias de permeio pode condicionar alguma desta dinâmica. Na esquerda do PS continua a verificar-se uma concentração de quase 20% do eleitoradono BE + CDU. Sendo que o BE se afirma de novo como a terceira maior força partidária. Aparentemente, até se notarmos que em relação aos últimos números conhecidos da Eurosondagem, o PS não está a conseguir empurrar a sua esquerda para uma fasquia mais próxima dos 15%, as hipóteses de maioria absoluta, passando a correr pelo clássico “as sondagens valem o que valem” parece mais distante. E aqui os eventuais 6,9% do CDS poderão fazer a diferença. Como já escrevi, apesar de o eleitorado estar a conferir uma clara maioria à esquerda parlamentar, as possibilidades de um acordo com Paulo Portas serão maiores do que com Francisco Louçã. Pela ânsia que o primeiro tem de poder, e que o segundo terá apenas de compromissos políticos mais exigentes.
Em síntese, se alguma leitura há a fazer desta sondagem, é que ela permite afastar, assim haja habilidade para isso, o cenário de bloco central. Não pretendendo coligações à esquerda e com um PP reduzido a uma expressão residual, o PSD podia continuar a agitar essa bandeira. Mas se o CDS tiver a votação que lhe é aqui atribuída, o PSD volta a ser descartável, mesmo para a estabilidade do regime. Todos sabemos como Paulo Portas veste o fato de Ministo das Profundezas Ocêanicas quando tal é preciso.
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Carlos Santos

sobre o autor

Carlos Santos é doutorado em Economia pela U. Oxford e Professor na UCP. Trabalhou no Banco Central Europeu. Autor do livro "E agora, Obama?", editado em Fevereiro de 2009, é responsável pelo blogue O Valor das Ideias que, depois da cobertura das Eleições Presidenciais nos EUA, é um espaço de debate de Política Internacional e Economia. É coordenador dos agregadores de notícias e blogues PNETpolitica e PNETeconomia . Colabora na imprensa e em diversos fóruns de discussão.
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{ 21 comments… leia-os abaixo ou comente também }

1 Nuno Pereira 8 de Maio de 2009 , 9:41

Carlos,
O ressurgimento do Bloco Central, evocado por algumas personalidades carismáticas do País, como a única hipótese para não deixar cair o País num abismo. Não é mais na minha lógica, uma mensagem para levar os portugueses, aqueles descontentes que votarão PS, inclinar o seu voto para o PSD. Evitando assim o voto nos partidos de esquerda, travando o seu crescimento como é já um dado quase adquirido.
E se assim suceder, teríamos o PS vencedor e o PSD com uma votação onde iria recolher os votos dos descontentes com o PS e a solução Bloco Central ganharia força para ser uma realidade.

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2 Francisco Rocha Gonçalves 8 de Maio de 2009 , 10:06

Aproveito o post do Carlos para me referir a este tema (ou deverei dizer “construção”):

O que é que Portugal ganha com o Bloco Central?

Tenho dito. F.

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3 Carlos Santos 8 de Maio de 2009 , 14:58

Meu caro amigo, para mim a resposta é clara: nada. É o caminho mais fácil para o pântano total.
Um abraço,
Carlos

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4 Luis Melo 8 de Maio de 2009 , 11:05

Os aterros de Sócrates (Cova da Beira, Maiorca…)

Mais uma vez o nome de José Sócrates está envolvido num processo judicial relacionado com corrupção, tráfico de influências, compadrios, etc. E mais uma vez não parece ser por acaso. Todos os arguidos e testemunhas são pessoas próximas do Primeiro-Ministro. Como fugir? não pode.

Já começa a ser, no mínimo, vergonhoso termos um líder do governo que está permanentemente sob suspeitas. Já não há ética na política? Será que as pessoas não se enxergam? Se José Sócrates fosse um “homenzinho” já tinha feito alguma coisa. Demitir-se? não sei, talvez.

Esta questão do aterro não me surpreende, talvez seja parecida com outra que conheço de perto: o processo do aterro que Sócrates aprovou em Maiorca (Figueira da Foz). Aterro que depois de muita luta, trabalho e diligências do Presidente da Junta local, foi suspenso.

Esse aterro ficava a menos de 1000 metros da povoação mais próxima (ilegal); distava menos de 1000 metros do Rio Mondego (ilegal); ficava abaixo do nível do mar (correndo sérios riscos de ser inundado em caso de cheias); situava-se numa antiga pedreira na qual nascia água (várias moto-bombas gigantes não conseguiam retirar toda a água).

Como pôde Sócrates aprovar e defender este tipo de aterros quando era secretário de estado ou Ministro do ambiente?

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5 Fernanda Valente 8 de Maio de 2009 , 13:09

Um verdadeiro Al Capone travestido este ex-secretário de estado e ministro do ambiente, à época, com “cara de menino”. Esperemos, no entanto pelo jornal nacional de sexta-feira da TVI que, certamente, nos esclarecerá mais detalhadamente sobre este novo caso…

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6 Carlos Santos 8 de Maio de 2009 , 15:12

Caro Luís Melo,

Dizia alguém na defesa de um prova de doutoramento: “Em Direito, com vergonha ou sem ela tudo é defensável”. O que dizer da política? Alguém mente em tudo isto. Pessoalmente não vejo Sócrates sentir nas sondagens o efeito do Freeport. Irá sentir os do aterro?
Carlos

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7 Fernanda Valente 8 de Maio de 2009 , 13:14

Solução ideal: PS com maioria absoluta
Solução menos má: PS em coligação com o CDS/PP
Solução má/péssima: PS em coligação com o BE

Com o devido pedido de desculpas ao autor deste post…

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8 Fernanda Valente 8 de Maio de 2009 , 13:17

Solução bloco central com MFL não passa de um filme de ficção assinado por um realizador de 5ª categoria.

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9 Carlos Santos 8 de Maio de 2009 , 15:04

Eu acho ficção científica, mas até pelas razões que o LNT referiu em comentário a post anterior meu, julgo que MFL não é tão inocente como quer parecer nisso.

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10 Fernanda Valente 8 de Maio de 2009 , 17:05

O LNT tem razão. A filosofia do marketing do “sabonete” da autoria de Emídio Rangel, ainda continua a dar os seus frutos. Não há nada como, para saber se um produto/ideia é vendável/aceite pelo eleitorado, “lançá-lo” para a comunicação social, mesmo que posteriormente se venha em nome da defesa da honra dizer que não disse”.

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11 António da Costa 8 de Maio de 2009 , 13:51

Se o PS vai fazer uma coligação com o CDS que o diga já porque não conta com o meu voto, Fernanda Valente porque considera uma “solução menos má” esta opção ? e já agora porque considera uma “solução má” a opção PS/BE.

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12 Fernanda Valente 8 de Maio de 2009 , 14:01

A resposta a partir do próprio autor do post:

«…as possibilidades de um acordo com Paulo Portas serão maiores do que com Francisco Louçã. Pela ânsia que o primeiro tem de poder, e que o segundo terá apenas de compromissos políticos mais exigentes»

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13 António da Costa 8 de Maio de 2009 , 14:16

E então como é mais fácil fazer acordos com o CDS o PS deverá enveredar por esse caminho, é esta a sua opinião, ir pelo caminho mais fácil mesmo que isso vá contra os compromissos com o seu eleitorado, Fernanda, não se esqueça o PS é um partido de esquerda, ou deveria ser, pelo menos a sua Declaração de Princípios assim o refere.

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14 Carlos Santos 8 de Maio de 2009 , 15:10

Caro António, eu acredito que o PS seja um partido de esquerda. Sei disso. O problema que estou a equacionar é este:
- sem maioria fazer coligação com Loução: primeiro Louçã pôs-se de fora em entrevista recente, dizendo com um PS em deriva neoliberal não ia lá? Como leio isto? Olhando para o percurso de Louçã eu acho que ele não quer o poder pelo poder, mas uma inflexão política nos domínios dos compromissos económicos e sociais. Não aceita ser ministro porque quer ser.
- Paulo Portas parece-me um menos vertical e venderia a troco de dois chavões (não subir o IRC, baixar uma coisa qualquer que as empresas paguem, etc) a alma ao diabo, e seria Ministro quase a qualquer custo. Temo, que o PS vá pela via mais simples. Temo que parte do PS ao não se rever nisso quebre a maioria.
Abraço,
Carlos

15 Carlos Santos 8 de Maio de 2009 , 15:02

Não tem que me pedir desculpas nenhumas, Fernanda. A minha dúvida seria como a ala esquerda do PS aguentaria Paulo Portas e o PP. Eu temo que um cenário s/ maioria absoluta, que devia ser um cenário calmo em democracia, acabe em Portugal por ser caótico: se Louçã levar à letra a ideia de não fazer coligações (e nele eu acredito, agora pedindo eu desculp:), e se Alegre e outros se demarcarem de uma coligação com o PP, eu temo pela viabilidade do que saír das legislativas.

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16 Fernanda Valente 8 de Maio de 2009 , 16:38

Carlos,

A ala esquerda do PS tem expressão na pessoa de Manuel Alegre que gosta muito de fazer tempestades no copo de água. Os seus seguidores não têm peso no partido de modo a provocar um clima de instabilidade interna que inviabilize eventuais coligações à direita. Até porque, e ainda bem, tem predominado a sensatez dentro daquele partido, apesar de alguns “opinion makers” com interesses na política partidária, nomeadamente Pacheco Pereira, tudo fazer para instrumentalizar as posições menos favoráveis à actual liderança socialista (exemplo disso foi uma emissão do programa “Quadratura do Circulo” em directo a partir da Figueira da Foz, com os habituais actores e em que foi convidado Manuel Alegre).

O actual governo está a fazer a política possível, num quadro de grande crise conjuntural que o país atravessa, acrescida da estrutural que já é endémica no nosso país. Se as medidas que implicam a política da subsidiação são de esquerda, o PSD não faria diferente, antes pelo contrário, conforme têm vindo a observar, as PMEs são a sua grande preocupação, o que quer dizer que os fundos previstos direccionar para o investimento nas grandes obras públicas de infra-estruturas seriam canalizados para apoiar o tecido empresarial português, sem critério, de uma forma discricionária sem atender à viabilidade económica da maior parte dessas empresas que têm vindo a funcionar a balões de soro desde sempre. Neste momento, a dar o exemplo está a banca, pela forma como está a fazer a triagem das empresas capazes de sobreviver num futuro quadro de grande exigência de meios do ponto de vista tecnológico e humano e de rigor em termos de gestão.

Para o próximo mandato legislativo mais do que governar à esquerda ou à direita, vai importar sobretudo exercer a “governance” num clima de grande estabilidade e paz social porque vão ser determinantes, para a viabilidade futura do país, as políticas que vierem a ser produzidas no xadrez da gestão da transformação estrutural da engenharia institucional do nosso sistema político.

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17 António da Costa 8 de Maio de 2009 , 15:35

Carlos Santos

Porque é que o PS tem sempre de governar à direita ? ou com a direita? com maioria governou à direita com minoria faz acordos à direita.

Isto não é fácil, mas parece-me que não é de descurar um acordo à esquerda, eu aceito os seus argumentos sobre Louçã, mas parece-me que Louçã não é irresponsável ao ponto de exigir aquilo que sabe vai contra os princípios do PS.

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18 José Santos 20 de Setembro de 2009 , 12:27

Caros amigos!!
Temos conhecimento que nos dias de hoje nada é fácil!!, mas acreditamos que as politicas actuais não nos vão levar à frente.
As empresas cada vez têm mais encargos e não são ajudadas pelo estado, para que estas possam criar mais emprego e possam contractar.
Logo o emprego em Portugal são escassos e é isto que deve mudar…
Acreditamos que Portugal ainda tem solução, os professores, funcionarios publicos, magistrados, educação e Saúde.
Apostamos e acreditamos na mudança com Manuela Ferreira Leite.
Viva Portugal!! Viva Manuela

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19 José Santos 20 de Setembro de 2009 , 12:36

Caros amigos!! tantas vezes se ouviu falar nas divegencias de Manuel Alegre e Socrates!!
Todos somos testemunhas disso mesmo!!
Não devemos por panos quentes em cima disto e porque agora como estamos proximo das eleições juntaram-se apenas com o intuito de ganhar o PS.
Tudo isto é falço e não devemos acreditar no que ouvimos na comunicação social.
Mais uma razão que devemos mudar de atitude e abandonar as politicas PS.
Neste momento e como sei que uma Mulher a governar uma casa é fundamental, vamos dar a oportunidade de mudança com Mauela Ferreira Leite.
Vivamos todos Nós, Viva Portugal….
Abraço para todos os Portugueses e Portuguesas!!!!!!!

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20 Sergio Pereira 25 de Setembro de 2009 , 22:03

O socrates é e será o carrasco de milhares de trabalhadores deste país de merda.

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21 Barba Rija 26 de Setembro de 2009 , 23:36

O mal de todos nós Tugas, é que todos nós perdemos os TOMATES logo após o 25 de Abril!!!
Acomodamo-nos ao sistema actual de alternância entre PS e PSD com o CDS-PP à boleia!
Se nós alguma vez votassemos num partido tipo BE ou PCP esses cabrões Socialistas, social Democratas e afins, iriam apanhar um valente susto e saberiam que o povo Português afinal Não OS perdeu e que não somos assim tão Otários como eles pensam que somos!

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