Sócrates entre o pragmatismo e a incerteza

de Carlos Santos 9 de Maio de 2009 | Legislativas

Nos minutos finais do Expresso da Meia Noite na SIC N, esta Sexta, Ricardo Costa sumariou em duas frases o cerne das próximas legislativas. A primeira corresponde a uma ideia que, tanto no aqui como no Valor das Ideias,  já advoguei: um PS sem maioria fará com muito maior probabilidade uma coligação com o CDS PP do que uma coligação com o BE. Ricardo Costa chegou a vaticinar que se anda a discutir tanto o bloco central, quando o próximo governo, assumindo a forma de uma coligação pós eleitoral ou de um apoio parlamentar, deverá ter esse design.
A segunda questão corresponde ao âmago de algo que esta Sexta de tarde tinha perguntado ao Pedro Magalhães, embora admitisse na pergunta que a resposta seria complexa senão impossível, dado as sondagens em Portugal não costumarem revelar as intenções de voto por distrito, e dado que o número de mandatos não é proporcional ao nº de votos de acordo com o método de Hondt. A questão em causa era quantos deputados elegeria o CDS PP no cenário da sondagem que lhe dava 6,9%. Porque, e aqui chegamos à questão de Ricardo Costa, o CDS pode é não ter deputados suficientes para formar maioria parlamentar com o PS.
Alfredo Barroso disse claramente que preferiria uma coligação PS+BE. Eu também. Mas a questão não é o que eu prefiro ou não. A questão é o que plausivelmente Louçã quererá em troca (uma inflexão séria em algumas políticas), não se vedendo por lugares, versus o que Paulo Portas quererá em troca. E praticamente ele aceitará qualquer migalha simbólica desde que volte a ser Ministro. Alguém me dirá: mas Louçã tem de ser responsável. Ele é responsável. O país precisa de uma política de esquerda clara. De que adianta aos portugueses uma viragem, ainda que mínima, à direita do PS? Mas a questão que estou a pôr é de pragmatismo político de Sócrates.
Uma política de esquerda só seria conseguida em maioria absoluta do PS, ou numa coligação com o BE.
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Carlos Santos

sobre o autor

Carlos Santos é doutorado em Economia pela U. Oxford e Professor na UCP. Trabalhou no Banco Central Europeu. Autor do livro "E agora, Obama?", editado em Fevereiro de 2009, é responsável pelo blogue O Valor das Ideias que, depois da cobertura das Eleições Presidenciais nos EUA, é um espaço de debate de Política Internacional e Economia. É coordenador dos agregadores de notícias e blogues PNETpolitica e PNETeconomia . Colabora na imprensa e em diversos fóruns de discussão.
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O Moderno Lobo Mau: BE
9 de Maio de 2009 ás 11:57

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1 Dacosta 9 de Maio de 2009 , 8:21

Sem querer ser copista, direi que por este andar o nosso futuro vai ser tão “brilhante” que teremos todos de usar óculos escuros.

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2 Miguel Costa 9 de Maio de 2009 , 10:28

Tem razão em tudo o que diz menos na última frase, é muito mais possível a coligação com o CDS do que com o BE e mesmo até do que com o PSD, Louçã é um político inteligente, não se coligará apenas por lugares, ao contrário do CDS, que já mostrou que uns pelouros bastam para validar a maioria. A sua última frase, depende muito do que cada um entende por “políticas de esquerda”.

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3 Carlos Santos 9 de Maio de 2009 , 20:16

Se me permite eu remetia para resposta que dei à Fernanda Valente a esse respeito.

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4 António da Costa 9 de Maio de 2009 , 13:45

Carlos Santos

Com maioria absoluta já vimos que José Sócrates não faz politicas de esquerda, por isso, para quem quer resolver os problemas do pais com politicas de esquerda esta não é a solução, coligação com o BE parece-me ser a solução mais abrangente e sou de opinião que Louçã não será irresponsável ao ponto de trocar politicas por lugares, mas sim precisamente o contrário avalizando com o seu apoio no parlamento as politicas de esquerda.

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5 Carlos Santos 9 de Maio de 2009 , 20:22

Para Louçã o problema pode ser não de responsabilidade mas antes de hierarquia de valores. Ele poderá achar que sem os compromissos que quer de políticas concretas do PS o futuro do país não é viável. E recusar-se a dar cobro a essa situação.

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6 Fernanda Valente 9 de Maio de 2009 , 13:45

«O país precisa de uma política de esquerda clara»

Ó Carlos Santos, é capaz de concretizar pf?

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7 Carlos Santos 9 de Maio de 2009 , 19:37

Com certeza. Parte dos nossos problemas têm a ver com um mau desenho económico das estuturas europeias, e com a mania do bom comportamento. Eu acho que o BE podia acabar com esse excesso de europeísmo cego. A Europa é o caminho a seguir. Mas, há coisas na Europa que só os mais disciplinados da turma é que seguem. Como ter medo do défice deste ano…

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8 Miguel Costa 9 de Maio de 2009 , 20:44

Então, uma política de esquerda clara é não seguir com o mesmo rigor as directivas europeias? Opiniões nesse sentido tanto encontra no BE, como no PNR.

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9 Carlos Santos 9 de Maio de 2009 , 21:54

Se por políticas europeias entender um limite de 3% do défice no PIB para o qual existe uma derivação baseada num crescimento real do PIB de 3%, não acho que se devam seguir. Porque o PIB não cresce 3% há muito tempo. O meu problema com as políticas europeias é económico, o do PNR tem a ver com valores como pátria e soberania. Eu estou a falar de pessoas no desemprego. Parece-me não ser bem a mesma coisa…

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10 Miguel Costa 9 de Maio de 2009 , 22:27

O que quero dizer é que essa opinião sobre o controlo do défice tanto encontra à esquerda como à direita. Mas, tem razão o BE teria menos “medo” de não cumprir o limite. Já agora uma pergunta: Acha que as penas aplicadas pela UE por incumprimento serão menos negativas para nós do que as consequências que teremos de enfrentar para cumprir os 3%? Se assim for, faz todo o sentido o défice não ser prioritário neste momento.

11 Fernanda Valente 9 de Maio de 2009 , 20:54

Existe uma discrepância no grau de desenvolvimento entre os vários estados-membros. Isso é por demais evidente. Nós, que fazemos parte dos menos desenvolvidos derivado, quer à posta em prática de políticas erradas ao longo das últimas três décadas, quer (sobretudo) à omissão da aplicação de políticas erradas ou certas, temos que fazer um esforço para acompanhar os países mais desenvolvidos que têm contribuído q.b., para o nosso “upgrading” disponibilizando fundos para tudo e mais alguma coisa. Se os gerimos mal ou o nosso país é um poço sem fundo, é outra coisa.

O CS fala em «excesso de europeísmo cego». A nossa adesão à UE constituiu um bálsamo para os cidadãos portugueses não acomodados, cidadãos motivados e mobilizadores. No nosso país não se conseguem implementar medidas que conduzam a um aumento da produtividade. O proteccionismo (legislação laboral)não serve os cidadãos, muito pelo contrário, incentiva a preguiça e desestimula a procura de outras formas de conhecimento. Os portugueses, na sua generalidade, são contrários à mudança e a aplicação de novos quadros legislativos só se consegue perante a presença da alavanca europeia, sob a ameaça da imposição de medidas sancionatórias.
Nós todos sabemos o que representou neste mandato legislativo reduzir o défice para valores aceitáveis, de acordo com as directrizes europeias. Imagine agora como é que o futuro governo, e após passada a crise, conseguirá reduzir o défice previsto para o corrente ano de perto de 7%, de novo para valores aceitáveis, se não fizer uma reforma profunda ao nível estrutural versando, nomeadamente, a redução da despesa corrente. É que nós não aguentamos mais suportar novos aumentos ao nível da carga fiscal, é impossível! E, se o governo que sair das próximas eleições não se propuser fazer as reformas necessárias, ao contrário privilegiando o aumento da carga fiscal, pode crer que estaremos perante a eminência de uma crise de regime.

Perante este cenário, onde fica o BE que, inicialmente, até era contrário à nossa entrada na EU? Ele está a ser coerente com a sua linha de pensamento, não há dúvida, mas o país é que não se compadece com faltas de pragmatismo, uma evidência no caso deste partido que mais não faz do que ser fiel à orientação programática ditada pela sua base ideológica.

Têm-se vindo a evocar cenários pós-legislativos de coligações politico-partidárias quer à esquerda, quer à direita. Eu penso que seria mais avisado começar-se a pensar na formação de um governo de salvação nacional para o período pós-eleitoral…

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12 Carlos Santos 9 de Maio de 2009 , 22:25

Fernanda,

Eu não contesto a nossa presença na UE. Contesto, mas isso é outra história, e aí há muita imprensa internacional, a viabilidade da UE sobreviver a esta crise.
Mas cingido-me ao que discutimos aqui, a questão é esta: no tipo de crise em que estamos ou as pessoas acordam um dia e decidem que já têm confiança e vão gastar, e as empresas investir, e os bancos conceder créditos (que é a tese dos que defendem que é um problema de confiança); ou esperamos pelo motor tradicional das exportações, o que implica que a China e os EUA recuperem para comprar à Alemanha e esperar que esta comece a dinamizar o mercado europeu, rezando para que entretanto a Espanha não vá à falência; ou tem que haver uma intervenção de política económica. No nosso caso tem que ser orçamental, e passa por expandir os gastos correntes e de investimento. Se vir a análise em http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/05/as-previsoes-da-comissao-e-porque-nao.html verá que em matéria de défice as coisas se complicam para todos em 2009 e em 2010. Quando falo em ser pior aluno, quero dizer não viver com medo do défice. Não quer dizer: política à Barroso-Lopes do fartai vilanagem. Quero dizer investimentos que têm associados aumentos de produtividade e que criam emprego. E neste momento, com a taxa de desemprego prevista para 2009, não há como fugir ao pagamento de transferências sociais.
A questão é que se isto for bem feito:
- o desemprego diminui o que significa que as receitas fiscais aumentam e as transferências sociais diminuem; isto é, há uma componente do défice que depende da retoma;
- o a maior lucratividade e vendas das empresas contribuem também para aumento de receitas fiscais via IVA e IRC;
O âmago do problema é arrancar de novo a economia. E com as políticas europeias actuais eu tinha de fazer um abaixo assinado pelo pessimismo. O BCE continua com medo da inflação ser superior a 2%, e já fala em subir os juros em 2010. Isso liquida o consumo e o investimento novamente.
Eu subscrevo inteiramente que me diga que há reformas estruturais a fazer. Mas repare, isso discute-se em Portugal desde o séc XVIII pelo menos. O Eça de Queirós relata o mesmo problema. E antes o Costa Cabral foi corrido pelo rei porque tentou reformas a que o povo reagiu mal. É um mal endémico? Será, e eu concordo que precisava de ser corrigido. Mas não é em tempo de crise que se vai lá. Eu já disse e redigo que acho que o governo está a fazer os limites do possível. O que não invalida, como defendia o Times há dias, que os países europeus se deviam unir para pressionar a Alemanha a esquecer o PEC por um ano ou dois. É deste desvio de bom aluno que falo. Não de uma heróica saída solitária do Euro. E no BE há gente que sabe disto: o Francisco Louçã é dos melhores economistas portugueses nos rankings internacionais (imodestamente eu como sou uma criança nova consulto-os para ver o meu nome no top 18% e ficar feliz:)) Desculpe o comentário, mas não resisti, não me leve a mal. O PS também tem excelentes pessoas que sabem isto: eu fui aluno na Univ. do Porto do Francisco Teixeira dos Santos e sei que ele compreende isto perfeitamente.

Há um assunto diferente que aborda, a dos países terem partido de pontos diversos. Isso é uma grande verdade, mas o modelo em que fui inspirada a zona Euro assumiu (e isto é que me surpreende) que economicamente a Europa era um espaço homogéneo. Isto faz sentido? Eu asseguro que o Euro foi inspirado na teoria das zonas monetárias óptimas. E um dos requesitos básicos dessas zonas é não haver choques assimétricos: o que atinge um atinge todos por igual. Isto não é loucura?

Desculpe a extensão do testamento. E obrigado por me fazer pensar nas respostas.
Carlos

Responder

13 Fernanda Valente 10 de Maio de 2009 , 11:13

«E antes o Costa Cabral foi corrido pelo rei porque tentou reformas a que o povo reagiu mal»

Às vezes também é preciso fazer análises com algum sentido de humor para não levarmos as coisas tão a sério…

Não podemos contar que o problema do sobreendividamento do Estado se resolva com o retorno da confiança por parte dos agentes económicos ou com o aumento das exportações, sobretudo num país com um tecido empresarial tão dependente do orçamento de Estado, em que o sector da produção não é competitivo por ser altamente deficiente em termos de meios.
Também a solução não está numa «intervenção de política económica» de incidência orçamental passando por «expandir os gastos correntes e de investimento». O investimento público é da competência do governo, tem retorno a prazo e é agora a altura ideal para o pôr em marcha. Mas, associado
a parcerias público-privadas em que o Estado se disponibiliza a ceder, como contrapartida, a gestão do parque relativo às grandes obras de infra-estruturas a realizar.

As nossas opiniões divergem quando focalizadas na temática da «expansão dos gastos correntes». Por um lado, corremos o risco da insolvabilidade – a não ser que o CS apresente como antídoto a nacionalização do sector económico como solução para o risco de perda de identidade, enquanto país hegemónico, ou então, que partilhe da ideia de o nosso país vir a ser assimilado, num processo de integração num estado ibérico, ficando os espanhóis a governar-nos -, por outro lado, ninguém dá nada sem querer algo em troca, sobretudo o Estado que já começa a interferir no espaço individual do cidadão, no seu livre arbítrio, sempre a bem da nação/comunidade.
Se reparar entre as práticas políticas essenciais dos nossos tempos e as do tempo do Estado Novo, não existem diferenças assinaláveis, salvo no campo da liberdade de expressão. Na época da ditadura os representantes do sistema tinham pelo menos a hombridade de dizer “não” ao investimento estrangeiro
no país; hoje, o Estado utiliza os seus próprios veiculos, principescamente remunerados, para, de uma forma diplomática, dizer o “não” através de um sistema altamente burocratizado servindo unicamente os interesses do compadrio investidor ao nível interno, exactamente como no Estado Novo.

Resumindo e concluindo, para mim e para a grande maioria dos portugueses, graças a Deus, o BE não se apresenta como solução para nada. A evolução natural do sistema económico nos países civilizados, aponta para a crescente perda de peso do Estado nas economias, substituindo-se a sistemas de regulação eficazes que promovam a transparência no quadro dos vários processos que envolvam a economia e as finanças, incrementando-se, por sua vez, a produção do emprego que concorre a par da optimização dos meios técnicos e humanos.

14 Núncio 9 de Maio de 2009 , 15:11

O país precisa de uma política de esquerda clara? Isso precisaria de ser demonstrado, não?
O que é uma política de esquerda, clara ou escura, que partidos ou políticos a concretizam em Portugal, porque é que a direita pode prejudicar ou beneficiar a actual conjuntura, etc.

Responder

15 Carlos Santos 9 de Maio de 2009 , 20:20

Caro Núncio,

Quanto à direita, associando-o a valores como o conservadorismo fiscal, neste tipo de crise, isso é última coisa de que Portugal necessita neste momento. Ou qualquer país, acrescente-se. Neste tipo de crise, o investimento público e as transferências sociais são importantes. O PS está a prosseguir essas políticas. Faltaria saber se o com o CDS o faria.

Carlos Santos

Responder

16 viciado 9 de Maio de 2009 , 17:52

o santos quer um tachinho do PS.niunguem leva a mal

Responder

17 Carlos Santos 9 de Maio de 2009 , 19:34

Sem reposta

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18 António da Costa 9 de Maio de 2009 , 21:14

Carlos Santos

Mas era mesmo sem resposta.

Responder

19 Aranha 11 de Maio de 2009 , 12:26

Acho pura demagogia afirmar que o CDS anda à procura do “tacho” e que os bloquistas é que são pessoas de bem, que não têm interesse nenhum em pertencer a um governo, que apenas querem defender a suas ideias… Viu-se isso perfeitamente na revisão da lei de financiamento dos partidos: foram logo votar contra, não?

Fico ainda mais triste, quando vejo um doutorado em economia (ainda para mais da Uni. de Oxford) dizer que “O país precisa de uma política de esquerda clara. De que adianta aos portugueses uma viragem, ainda que mínima, à direita do PS?”. Imagino que se fosse dizer isso em qualquer tese de doutoramento chumbava pela certa!!! É que é exactamente por esta política de esquerda do PS, que este país se encontra no estado em que está! Mas isto sou eu que digo, que nem sou doutorado nem nada…

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20 Rodrigo Lobo d'Ávila 11 de Maio de 2009 , 12:59

“A questão é o que plausivelmente Louçã quererá em troca (uma inflexão séria em algumas políticas), não se vedendo por lugares, versus o que Paulo Portas quererá em troca. E praticamente ele aceitará qualquer migalha simbólica desde que volte a ser Ministro.” Espectáculo!! O Dr. Carlos Santos agora dedica-se ás ciências ocultas: depois de dizer que que um partido que nem tem assento parlamentar, é o maior partido da oposição em França, agora diz que Paulo “O Demónio” Portas não exigirá nada a Sócrates, ao contrario de Francisco “O Puro” Louçã que exigirá tudo e mais alguma coisa. Essa afirmação baseia-se em quê? Na sua capacidade de ler mentes alheias? Noutro qualquer sexto sentido ou pressentimento? Ou simplesmente em ar? Ou talvez o Dr. Carlos Santos tenha ido á bruxa?

P.S.: Pequeno pormenor que Portas tenha dito varias vezes, varias vezes no congresso, que nunca faria coligações principalmente com o PS.

Responder

21 Carlos Santos 11 de Maio de 2009 , 14:44

Não costumo valer-me de artes ocultas. Apenas bom senso. Que é diferente de senso comum. E a observação do comportamento dos agentes políticos permite-nos elaborar considerações pessoais de conduta em múltiplos cenários. A isso se chama análise política. Há outros analistas aqui no blogue. Somos um espaço plural e se prefere ler os textos de quem consigo disse Ámen, eu recomendo que procure. Temos todas as sensibilidades representadas.
Em todo o caso, fico muito satisfeito que me pergunte directamente sempre que não concordar com o que eu diga.
Sobre o comportamento previsível em alianças, bem eu recordo-me que o líder do CDS PP teve um dos confrontos televisivos mais violentos em campanha com o Dr. Durão Barroso, e um mês depois fazia uma coligação. E recordo-me de uma entrevista recente ao Público do Dr. Louçã em que diria que não faria alianças com este PS.
Claro está que duvidar da entrevista do último, me dá também o direito a duvidar da sinceridade em congresso das declarações do primeiro.

Responder

22 José Souza-Brandão 11 de Maio de 2009 , 13:03

Caro Carlos Santos,
Desculpe interromper as suas brilhantes previsões, qual arauto do auge da sapiência política mas, sem querer falar na estupidez, para mim, de uma maioria absoluta e dessa certeza que o CDS irá coligar-se com o PS, o que não me parece assim tão óbvio, pergunto porque raio me continuam a dizer que a solução para a crise nacional é o investimento público! Com que legitimidade se pode dizer: “ora bem: o Estado está endividado, esprememos os contribuintes até ao tutano com carga fiscal. Por isso, a solução é aumentar a dívida pública!”
Não esqueçamos que investimento implica despesa…
Eu só posso depreender que os defensores desse milagre anti-crise são aqueles que nunca conheceram trabalho no sector privado e nunca estiveram preocupados com a saúde financeira de uma empresa, por exemplo.
E, Carlos Santos, peço-lhe que não responda com citações de “E agora, Obama?” ou de links d’”o valor das ideias”…

Responder

23 Carlos Santos 11 de Maio de 2009 , 14:35

Meu caro,

Arauto da sapiência política, nunca me considerei. Agora, “política económica” está entre as coisas que, compreende, sei alguma coisa. Como me vou dando ao trabalho de divulgar no Valor das Ideias. E a pergunta que me faz não teria qualquer cabimento no cenário de consulta do blogue ou se tivesse lido o livro que menciona. Mais, se tivesse lido ESTE blogue. Por isso não me solicite que me repita pela enésima vez. Por cordialidade vou dar-lhe um link deste blogue. Mas aviso desde já que o mesmo post, mais extenso também está no Valor das ideias. Se ainda assim achar que se está a espremer alguém com carga fiscal, diga. E quanto a essa de eu não esquecer que o investimento implica despesa, farei os possíveis. Uma informação final, desnecessária, mas que presto: eu não tenho qualquer ligação ao Estado, ou seja, não sou funcionário público.
O link deste blogue:
http://eleicoes2009.info/legislativas/os-erros-na-proposta-de-politica-economica-no-psd/
Melhores cumprimentos,
Carlos Santos

Responder

24 José Souza-Brandão 11 de Maio de 2009 , 18:46

Caro Carlos Santos:
Mais uma vez, provou que a solução para a crise nacional e, quem sabe, mundial, passa por dois sítios: O seu blog e o seu livro. Apenas digo isto porque, em vez de responder de forma concreta e sucinta, recomenda, como faz a todos os que criticam qualquer post seu, a leitura de ambos. Peço desculpa mas, depois de ler o link que me recomendou, já de si extenso, não tive tempo de ler o restante no seu blog, visto que diz ser ainda mais extenso.
Volto a dizer que se uma empresa, quando começa a ter dificuldade em pagar as suas despesas, tem necessidade (por vezes travada pelo Estado) em reduzir custos de forma a impedir a falência, onde é que se torna lógico que o Estado, devendo ser visto em certos pontos como uma empresa, aumente a despesa quando já está a gastar demais e alguns dos seus deveres considerados essenciais, como a Segurança Social, se encontram em risco de falência.
Pode acusar os anteriores governos, mas não estamos aqui a falar de passado, mas sim de medidas que considera importantes para o futuro.
Quanto ao facto de ser funcionário público, ninguém disse que o era e, francamente, não me interessa rigorosamente nada que o seja.
Cumprimentos,
José Souza-Brandão

Responder

25 Carlos Santos 9 de Maio de 2009 , 23:52

Caro Miguel,

O que quero dizer é que não é plausível, por muito que a Comissão vocifere em sentido oposto, que as sanções por défice excessivo sejam aplicadas a Portugal. Por uma razão: de acordo com as previsões da Comissão em 2009 tinha que os aplicar a 14 países pelo menos, incluíndo Alemanha, França, Holanda, etc. Está a ver isso a acontecer? Em 2010, todos esses países, como pode ver aqui vão ver o défice agravado nas previsões de Bruxelas. Eles vão voltar a multar toda a gente?
Eu não tenho uma bola de cristal, mas acho que se o fizeram estão a dar um grande passo para arruinar a UE. Porque se já há instabilidade social em muitos sítios, imagine nesse caso?…
Carlos Santos

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