
Sério e grave dilema o que este título transporta. De facto, o que mais me apetece dizer é, pura e simplesmente, que este é um mundo político e mediático a que não pertenço e com o qual não quero ter nada a ver, que é estranho a todos os valores essenciais em que formei e que sei muito bem qual é o saldo final e substancial de episódios como este em que, ao que se diz, entram Fernando Lima, o Público e um tal de assessor de Sócrates. Mas ao mesmo tempo, dão-me vontade de rir ou de chorar os textos daqueles que só agora parecem descobrir que os bastidores dos média e do seu casamento com a política não são flor que se cheire, os textos daqueles que, colocados à esquerda, por causa dos métodos de uns ignoram todas as perguntas que se deviam fazer a outros e, de passagem, essa pequena coisa de um jornal publicar correio interno de um jornal concorrente. Ainda por cima, tratando-se do DN que nesta matéria, já ninguém se lembra mas lembro-me eu, tem no seu histórico currículo o ter publicado há uns anos em primeira página uma nota da sua Direcção assumindo que negociava o teor das suas manchetes com Fernando Negrão, então director da Judiciária. Definitivamente, é a choldra de que falava o Eça. Mas atenção: a resposta à choldra por parte dos cidadãos não pode estar na demissão, no exílio interno, no desinteresse cívico ou na mera repugnância moral. A resposta tem de estar, só deve estar, em escolhas informadas em torno dos sérios e reais problemas dos portugueses e do país e dando força a quem continuadamente demonstra ter da política uma visão e uma prática elevadas, nobres e generosas.





