Ontem pela primeira vez tive uma conversa rápida, diferente do “problema”, mais que interessante, profunda sem ser chata, foi no oftalmologista.

- O que é o estigmatismo?
- E a miopia?
- E uma gripe?

Assim de rajada, eu respondi, segundo o médico como todos os seus doentes ( 60 por dia): com sintomas e efeitos da doença e não com a definição, disse-me para não me preocupar, pois enfermeiros, médicos ou professores respondem do mesmo modo. Ou são assuntos esquecidos ou entendidos pela “rama”.
- Tenho uma familiar que acompanhei nos trabalhos escolares desde o 5º até ao 8º, e era ver os manuais completamente cheios de erros científicos, assim como os testes dos professores, claro que não falei com os docentes, o ensino é mau demais, disse!
- O Doutor está imparável, registei.
- Tenho um mestrado em oftalmologia, licenciatura em matemáticas aplicadas e estudei anatomia patológica com Sobrinho Simões, o meu herói.

Depois de mais conversa – até nem parecia que estava num consultório e eu sem problema nos olhos – sobre ciência médica e ou ensino. Atirou esta.

- E andam quase todos: políticos, economistas e população em geral a falarem da pobreza, da guerra ou da paz, sem saberem do que falam.
- O mundo, os problemas no mundo são compostos e idênticos ao funcionamento do corpo: concentração populacional, guerras e ódios existem e nunca terminarão; pois as moléculas, o sangue, os vírus estão em contínua e permanente luta interna provocando momentos, poucos de acalmia e a maior parte do tempo de guerra, tal e qual o mundo dos humanos, e não há nada a fazer.

Nem me atrevi a perguntar-lhe sobre as utopias, a transformação do mundo, o voto, a democracia ou as Eleições nacionais para o Parlamento Europeu.

Pois, e a consulta? Nada! Disse o médico, foi talvez um momento de algum nervosismo, e sabe, podemos ter um problema de uma dor no pescoço, numa orelha ou numa perna e esperamos, quando se trata dos olhos, é uma aflição, tal e qual como no mundo dos homens, disse!

Saí do consultório a pensar: E eu com tanta conversa sobre eleições para quê! Não, se os médicos existem, é porque pelo menos atrasam a inevitabilidade da doença, assim como a nossa participação activa pode contribuir para um sangue sem tanta gordura no Poder político.

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José Manuel Faria

sobre o autor

José Manuel Faria Professor, dirigente do BE/Vizela, articulista no Notícias de Vizela e RVJornal www.rupturavizela.blogs.sapo.pt

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