
Aqui, neste mesmo blogue, José Reis Santos escreveu o seguinte : «Assim, questiono directamente - no corpo central deste blog, e quando aqui escrevem diversos militantes comunistas – se considera ou não o PCP viabilizar um governo PS; se não porquê, e se sim em que circunstâncias.»
Muito embora, Reis Santos, quando respondeu ao meu desafio sobre três pontos básicos por mim enunciados de esclarecimento contra a teoria do suposto «voto útil no PS», tenha optado pelo sinuoso caminho de não dar explicitamente como falsos nenhum daqueles pontos, limitando-se no fundo a refugiar-se, tal como outros apoiantes do PS estão fazendo, numa espécie de dogma político sobre o alegado carácter decisivo de o PS ser o partido mais votado (com manifesto menosprezo pelo tipo de maiorias, ainda que numéricas, que sairem das urnas), nem por isso deixo de responder à sua interpelação, ainda que de forma longa e complexa porque o assunto, a meu ver assim o exige. Nestes termos, saliento:
A questão não pode obviamente ser dirigida a nenhum blogger que seja comunista e, a poder ter alguma resposta clara, ela só poderia ser dada por órgãos ou dirigentes responsáveis do PCP.
Entendo que continua a não fazer nenhum sentido a persistente (e provavelmente duradoura) pressão mediática ou blogosférica sobre o PCP (ou o BE) sobre coligações ou entendimentos pós-eleitorais com o PS. Por duas razões fundamentais: a primeira, de menor importância, é que não existe nenhuma pressão mediática sobre o PS sobre se está disponível, na sequência de tais eleições, para eventuais ou hipotéticos entendimentos com os partidos à sua esquerda; a segunda, de carácter decisivo, é que a grande finalidade das campanhas eleitorais não é os partidos mandarem recados uns aos outros através da comunicação social ou negociarem na praça pública e através dos media (e muito menos essa perversão invenção da «eleição para primeiro-ministro») mas sim a de exporem os seus próprios projectos, programas e compromissos aos eleitores e procurando para eles ganhar o seu apoio. Dito de modo mais prosaico, o sangue e a carne das campanhas eleitorais têm de ser, primeiro que tudo e antes de tudo, A POLÍTICA E AS POLÍTICAS e não os arranjos inter-partidários pós-eleitorais e eventuais soluções governativas.
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Como alguns leitores saberão, tenho desmentido com persistência e veemência a atribuição pelos media e por bloggers a Jerónimo de Sousa e ao PCP de afirmações de rejeição ou exclusão liminar de coligações ou entendimentos pós-eleitorais com o PS. Tenho-o feito apenas e sobretudo no quadro de um quadro de combate pela verdade e pelo rigor, na medida em que ninguém é capaz de citar qualquer afirmação autêntica (ou seja, citada com comas) de Jerónimo de Sousa ou do PCP que convalide o que não tem passado de deduções, interpretações ou conjecturas de jornalistas e de bloggers, com o lado feio de não serem apresentadas como tal mas sim como declarações de Jerónimo de Sousa ou do PCP.
Combatendo essas deturpações, nunca dei entretanto o passo de afirmar que do discurso do PCP consta a admissão, explícita e sem mais, de coligações ou entendimentos pós-eleitorais com o PS. Não tem constado e, a meu ver, muito bem, desde logo pela razão destacada a negro no final do anterior ponto 2.
Entretanto, e a meu ver isso é o essencial, a esse respeito o PCP tem adiantado os elementos suficientes para que compreenda qual é a sua atitude e a sua perspectiva; a saber que a sua intervenção e campanha eleitorais têm como eixo decisivo, fundamental e estruturante a luta, agora através do poder e consequências do voto dos cidadãos na CDU, por uma nova política que marque uma ruptura e uma mudança profundas em relação à política de direita, ora seguida pelos governos PSD (com ou sem CDS), ora desenvolvida pelos Governos PS e que é nesse quadro que está pronto a assumir «as mais elevadas responsabilidades» (palavras extraídas do Programa Eleitoral do PCP).
Talvez valha a pena concluir lembrando que não sou um analista, comentador ou politólogo descomprometido e que, portanto, sendo antes um cidadão que é militante do PCP, não estou disposto a guiar-me por palpites ou conjecturas pessoais sobre possibilidades e impossibilidades ou probabilidades e improbabilidades porque o meu dever e o meu impulso interior mais forte é lutar por um reforçado apoio eleitoral à CDU que, em qualquer circunstância, pesará sempre de forma favorável na evolução próxima da vida política portuguesa.






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É ou não verdade que os dirigentes do PS, bem como a generalidade da imprensa, passam o tempo a dizer que o PC é o seu maior inimígo?
Ninguém tem dúvidas disso, só quem não houve ou não lê, poderá ter dúvidas. Isto antigamente era periódico, agora é sistemático. Durante os períodos de governação ninguém se lembra que o PC, alguma vez faça ou venha a fazer falta ao PS, só nos períodos eleitorais é que surgem as carpideiras do costume, a apelidarem o PC de Sectário, de Estálinista, de partido agarrado ao passado, etc., etc..
Esquecem-se que este partido tem um programa para governar este país e uma orientação da qual não se desvia um centímetro, se não, basta houvir ou ler os discursos dos seus dirigentes, para nos aperceber-mos disso.
O artigo do Vitor Dias é prova disso, só quem não tem olhos nem ouvidos para se aperceber disso, é o senhor Sócrates e os seus aliados.
O PS é um partido de direita e a política praticada por este é prova disso, basta olhar para a saúde deste país, para as leis do trabalho, para o ensino, para a política económica feita em todos os períodos da sua governação, para tirar-mos a prova disso. Enquanto para os bancos tem havido milhões, para os trabalhadores, para os reformados e até para os desempregados, são uns míseros tostões.
Durante estes últimos quatro anos, este partido fez o maoir ataque aos trabalhadores que já se viu desde o 25 de Abril. É este partido que quer o apoio do PC.
Este partido é gerido por um Comité Central, de gente séria, porque se assim não fosse já lhe tinha acontecido o mesmo que aconteceu aos restantes PC,s da Europa.
Não é com os recados das sereias que este partido vái mudar de rumo.
Parabéns aos seus dirigentes e a todos os apoiantes.