No dia em que na Assembleia da República vai ser discutido o estado da Nação, para a mesma Nação o estado continua a não ser grande coisa. Dir-se-à que fomos capturados pelo vórtice do pior que o capitalismo pode gerar. Já não só a apropriação privada da riqueza produzida por quem trabalha mas pela infracção de uma das mais importantes leis das doze tábuas: não roubarás. Se a apropriação privada da riqueza já constitui um ilícito social grave, gerador de desigualdades, tensões e conflitos, não andaremos muito longe da verdade se dissermos que o roubo, aquele de que estamos a falar, é o estadio supremo do capitalismo. O que pode querer dizer que o sistema tinha atingido um tal grau de entropia que o roubo já era a única porta de saída para o caos que se tinha instalado. Por cá, não há dia que não nos confrontemos com os nossos ícones na arte de roubar. Eis um bom tema para encerrar esta legislatura. Quem sabe se não evitaríamos a despesa com a colocação de grades nas janelas e de ferrolhos nas portas.
sobre o autor
Cipriano Justo Especialista de Saúde Pública Professor universitário Dirigente da Renovação Comunista





