É normal que, num país com cerca de 9 milhões de eleitores, o Primeiro-Ministro e o líder da Oposição sejam escolhidos (cada um deles) por um universo de menos de 40 mil pessoas (os militantes que votam no seu partido)? No total é menos de 1% da população! Os restantes 99% limitam-se a escolher entre esses dois, num jogo viciado à partida.
 
Há algo de dramaticamente errado na representatividade proporcionada pelos partidos na situação actual. Há um divórcio total entre a “sociedade civil” e os políticos. A origem do problema está, a meu ver, na fuga grave da maioria da população aos seus deveres de intervenção cívica. É urgente fomentar o envolvimento de muito mais gente nas estruturas partidárias, a começar pela acção local que deve ser renovada, abrindo horizontes no “pequeno mundo” doentio em que as autárquicas nos fazem frequentemente entrar. As eleições europeias, já que vão ser as primeiras este ano, deveriam ser aproveitadas para envolver a população no debate daquilo que tem efectivamente importância para ela. Os eleitores não precisam de “encarregados de educação”, precisam é de representantes adequados.
 
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“Por onde andavam as luminárias de hoje, …”
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1 CausaVossa 30 de Março de 2009 , 15:00

«A origem do problema está, a meu ver, na fuga grave da maioria da população aos seus deveres de intervenção cívica.»

Será? Ou será que não haverá uma inversão da ordem dos “fautores?”

«as pátrias, como os indivíduos, só se regeneram sofrendo» profetizava Junqueiro … e quanto sofrimento está na origem da fuga do dever da intervenção cívica?

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2 Zeps 30 de Março de 2009 , 15:13

Concordo plenamente com o seu raciocínio mas posso acrescentar que para além da ‘fuga grave da maioria da população aos seus deveres de intervenção cívica’ as pessoas em Portugal, pelo menos em Setúbal, onde infelizmente ainda habito, olham para os partidos políticos como para clubes de futebol: sou do Benfica sou do PSD. Ou seja não importa em quem votam desde que seja do partido votam nele, e não falo dos militantes mas sim dos não militantes. Para além disso acho que a nível das eleições autárquicas é um crime ver o jogo de candidatos/parcerias/coligações que se fazem na maioria dos concelhos por esse país fora. Em Setúbal eleito um candidato que foi substituído pelo partido por outra pessoa (no caso, muito mau). A Teresa Almeida, noca candidata pelo PS para Setúbal tem andado nos últimos anos numa roda viva atrás do tacho: salta de Governadora para não sei bem onde e agora reaparece!… enfim chegadas as campanhas as pessoas votam é nos partidos e não nas pessoas e seus programas. Setúbal até tem tido bons candidatos com programas bons e ambicioso que tanto o conselho precisa mas infelizmente (ou deverei felizmente) nos partidos errados (PS/PSD/PCP)…..
Já passei do desespero ao desinteresse passando pelo alarmismo e neste momento chego tranquilamente à conclusão que quando mais rápido fugir desta coisa que chamam cidade de Setúbal melhor……

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3 isapinho 30 de Março de 2009 , 16:25

Penso que tem razão, mas o que fazer quando não se é por partido nenhum? É que ao contrário do post anterior, faço parte do grupe de pessoas que tem um clube mas não tem um partido. Tem convicções, tem várias dúvidas sobre a classe política actual. Assim como poderemos intervir mais a não ser neste tipo de fóruns? Dizer que o voto é um dever cívico é muito bonito mas tem o grave defeito de passarmos cheques em branco aos nossos governantes. Tenho votado sempre mas não em tudo o que é feito à posteriori.

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4 Tiago Azevedo Fernandes 30 de Março de 2009 , 16:44

Aquilo que eu defendo é a militância activa nos partidos políticos para se poder votar internamente nos protogonistas (e eventualmente ser um protagonista), e não apenas o voto nas eleições em partidos onde nenhuma influência directa temos.

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5 causavossa 30 de Março de 2009 , 16:59

T.A.F.

A vida faz-se de exemplos! Do mesmo modo como um atleta é um exemplo para outros jovens e atletas, a vida partidária não se pode transformar num mau hábito ou em baias de asnos.
Para isso já basta a diatribe de quem assume incondicionalmente as bandeiras e os pergaminhos clubisticos, querendo saber apenas do desporto de bancada e de zurzir nos árbitros zurzindo a alma!

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6 Francisco 30 de Março de 2009 , 19:46

Um diagnóstico bem perspicaz. Não sabia dos 1% mas concordo que é mais um indicador com muito a melhorar.
Deixo-lhe um desafio: desde há 25 anos para cá, quais são para si os 3 maiores acontecimentos de despartidarização da nossa vida politica. E, já a pedir mais, quem foram os partidos / pessoas que as suportaram.

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7 Sérgio Bernardo 30 de Março de 2009 , 19:51

Tenho de confessar a minha discordância com a razão apresentada para o afastamento entre os eleitores e a política. Condordo que o caminho deve ser a militância partidária activa, o que acontece é que infelizmente os partidos revogaram a democracia, com toda a sua capacidade de inovar, de debater, de produzir esclarecimento, substituindo-a por uma ditadura dos partidos, a que comumente se chama Partidocracia. Sou um profundo crítico da Partidocracia, da forma como os eleitos estão afastados dos eleitores, da forma como não existe uma cultura de consequência entre os actos dos eleitos e as reacções dos seus partidos. Não aceito a diluição, não aceito que os lugares dos eleitos pertençam ao partido e não aos eleitos, entre muitas outras posições.
Daí que convido todos a estudarem as ideias e propostas do Movimento Mérito e Sociedade, um pequeno partido, com cerca de um ano, que defende uma série de medidas que procuram acabar e mudar com este sistema viciado de governação.
Cumprimentos

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