Manuela Ferreira Leite, para os mais distraídos, a actual líder do PSD, começou a sua entrevista hoje à SIC nestes termos: votem no PSD porque é a única forma de garantir que mudamos de primeiro-ministro, todos os restantes votos são dispersão contrária a esse grande desígnio que é o programa eleitoral do PSD até ao momento: correr com José Sócrates.
É assim a política da verdade, poucas semanas depois da dupla PS+PSD ter tido das mais baixas votações de sempre e, portanto, depois de nos afastarmos da bipolarização clássica na nossa ainda curta história democrática.
Eu votei no PS em 2004, se agora votar no MEP e contribuir para que este partido tenha um grupo parlamentar de que forma estarei a contribuir para eternizar José Sócrates no governo? Confesso que não entendo. E se for abstencionista e deixar de o ser, votando noutro partido qualquer que não no PS, como estarei a desperdiçar o meu voto? E se escolher em quem votar em função das propostas dos partidos, das suas prioridades e do melhor acerto possível face às minhas convicções e interesses, de que forma estarei a hipotecar o meu voto e o melhor para o meu país? Ah, perdão, isso interessa pouco, interessa é substituir José Sócrates por Manuela Ferreira Leite.
Abram alas para a inteligência: não há voto mais útil que o voto inteligente e livre. A eternização do “voto no mal menor” e do “voto contra” não podem, a prazo, garantir nada de muito construtivo, condenam-nos exactamente a isto: a viver num mal menor e num mundo do contra. E que tal votar por um bem maior e a favor? Já me calo antes que me chamem utópico ou algo pior.
sobre o autor
Rui Cerdeira Branco É economista, tem 34 anos, edita o Adufe e o Economia & Finanças. É militante do MEP - Movimento Esperança Portugal . Colabora ainda no blogue de MEP Melhor É Possível. Pode segui-lo no twitter em http://twitter.com/RuiMCB.
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Utópico! xD
O voto útil é útil para quem o recebe, não para quem dá (nem para mais ninguém à volta).
*2005 :)
Totalmente de acordo Rui
Caro Rui,
Antes demais deixe-me dizer-lhe que os endereços dos sites do PS e PSD são, respectivamente, http://www.ps.pt e http://www.psd.pt. A menos que esteja a utilizar este blogue para promover o seu partido, não me parece útil para os leitores que apenas coloque ligações para um dos três partidos referidos no texto.
Depois, deixe-me que lhe diga que a questão do voto útil nas legislativas, na forma como está assumida pela opinião pública, varia de distrito para distrito. Em Bragança, por exemplo, só há 2 votos úteis: PS e PSD. Em Viseu há 3 ou 4. Em Braga, no Porto e em Lisboa há 5 (PS, PSD, CDU, CDS e BE).
Compreendo o alcance do seu post, mas Manuela Ferreira Leite referia-se, obviamente, a soluções governativas. Em Portugal há 2 partidos em condições de formar governo e, depois, CDS e BE que já afirmaram claramente quais as estratégias de governabilidade que defendem. Foi nesse sentido que MFL falou.
Pegando no exemplo do MEP, parece-me claro que não se sabe o que é que o partido pretende em termos de governação do país. As ideias do MEP são envergonhadas e há a sensação de que não dizem tudo porque têm medo que os portugueses saibam aquilo pensam. São estratégias… A propósito, qual é a posição do MEP quanto a assuntos tão claros como a IVG, o casamento civil ou o SNS? Já li o programa e fiquei sem saber.
Folgo muito vê-lo tão preocupado em promover os pequenos e ostracizados. Conto consigo para ir anotando os meus deslizes politico-partidários. Temo que continuarei a não abordar exclusivamente as diferenças morfológicas entre as borboletas e as traças como de certo preferiria.
Vergo-me também por ser douto ao ponto de conhecer “a forma como a opinião pública assume as coisas”. Tenho sempre grande dificuldade em lhe entender o seu sentimento, mais a mais com desagregações ao nível do distrito mas tentarei utilizar esses dados. Por exemplo, ara me dirigir a um eleitor desses distritos com uam informação útil. Em Bragança e Viseu (porque os citou) diria aos eleitores que por estranho que possa parecer, são os votos que elegem os deputados e não as inerências históricas. Consta que é assim em todo o país. Quanto a Lisboa tenha cuidado não vá o MEP negar-lhe essa evidência que recolheu junto da opinião pública. Sendo certo que votações passadas não garantem resultados futuros, note que uma percentagem de votos em Lisboa igual a tidas nas Europeias colocaria o MEP perto de eleger dois deputados por Lisboa.
Folgo m ver também que apresenta o BE como um exemplo de partido com estratégia de governabilidade e que valoriza essa posição, fruto talvez, da sua expressão eleitoral. Refere-se a um partidos que há cerca de 10 anos não tinha expressão parlamentar. Veja lá onde chegou, até a opinião pública já o considera “voto útil”.
Quanto à dúvidas que tem em relação ao MEP recomendo-lhe que vá passando por http://mep.pt pois todos os dias tem novidades e, em breve, corre o risco de ver por lá um dos primeiros Programas Eleitorais divulgados pelos partidos concorrentes. O seu nível de ignorância (seguramente involuntário ainda que persistente) quanto ao MEP e o tanto que sabe dos restantes partidos da-me assim razões reforçadas para ir promovendo o endereço na internet do referido partido, na franca esperança de combater a dita ignorância e incompreensão. É esta afinal uma das nobres missões de quem se diz político e está no política, uma incessante batalha pela correcta informação, seja pelo contraditório, seja pela disponibilidade.
Mais uma vez agradeço-lhe a reflexão, a atenção, a riqueza dos contributos e a generosidade com que partilha informação que de outra forma não obteria.
Com os melhores cumprimentos,
Rui Cerdeira Branco
Militante do Movimento Esperança Portugal
Caro Rui,
Pelo que tenho visto, o cinismo e o ataque pessoal fazem parte da estratégia encenada pelo MEP. Certamente que não é por ignorância que não encontro no site do MEP qualquer resposta às perguntas agora lhe coloco, mas, para me poupar à exposição da debilidade mental que me imputa, sei que terá a bondade de me responder sem subterfúgios ou meias respostas.
1) O que é o MEP acha do SNS? Quem deve sustentá-lo e como? Qual a estratégia em termos de serviços públicos e serviços privados? Qual a estratégia em relação às Misericórdias?
2) Como votaria o MEP se a IVG voltasse a ser debatida na AR?
3) Como votaria o MEP se se colocar a questão da igualdade no acesso ao casamento civil?
Quanto aos seus deslizes politico-partidários é claro que me causam incómodo quando se inserem numa estratégia persistente de promoção de um partido através de um blogue associado ao jornal mais credível do país.
Caro Pedro,
Mais uma vez lhe agradeço os seus estimáveis reparos e sugestões construtivas de melhoria quanto ao conteúdo programático do Movimento Esperança Portugal.
Sem prejuizo de no corpo de blogue lhe poder vir no futuro a responder a algumas das questões que coloca ou vier a colocar (ainda que correndo o risco de ser mal comprrendido por alguns leitores que se poderão sentir incomodados por verem algo sobre política partidária escrito por aqui), garanto-lhe desde já que, em breve, disponibilizaremos uma área específica no nosso sítio na internet (para quem desconheça: “http://mep.pt”) a que chamaremos “Perguntas frequentes dos eleitores” ou algo melhor que o Pedro nos sugira entretanto, quem sabe.
As ditas questões fracturantes não se encontram, de facto, vertidas nos programas do MEP tão somente porque foi essa a decisão política do Movimento: nem tudo pode estar no nosso programa e como tal decidimos (eu ajudei a decidir enquanto militante) estabelecer prioridades políticas. Julgo que isto é desde logo um facto político relevante para quem nos procura. Se andam em busca de um campeão por essas causas (seja ele pela positiva ou pela negativa) o MEP será muito mais reactivo, do que pró-activo nestas matérias.
Asseguro-lhe também que sempre que temos recebido perguntas directas do eleitores para quem estas questões são absolutamente prioritárias, todos (por vezes com algum atraso, infelizmente) obtêm a resposta às questões. Se consultou o famoso EU Profiler que também por aqui foi instrumento popular de aferição e comparação política, pôde desde logo consultar a opinião de Rui Marques, presidnete do MEP, sobre as questões aí colocadas.
Quanto às demais perguntas, tenho o prazer de lhe antecipar que encontrará no Programa Eleitoral que o MEP está a elaborar, ampla matéria de avaliação, com propostas diversificadas, sejam elas sobre a interacção entre o Estado, as empresas, o terceiro sector e as famílias, seja na forma como pensamos propôr ajustamentos a várias áreas da governação.
Compreendo a sua ansiedade que em larga medida partilho mas não é ainda o tempo de desvendar detalhes. Conto poder fazê-lo em breve, também neste espaço, protagonizando, quem sabe, mais um dos meus devaneios politico-partidários que, estou certo, sublinhará. Procurarei, como sempre, promover uma alternativa política, chame-lhe partido, se assim quiser. Conto consigo e com os demais leitores e autores, mais ou menos intimamente ligados à vida política portuguesa, para fazer deste espaço um local de pluralidade, de comparação e de debate dessa nobre função democrática que é a política. Tenho esperança que consiga compreender-me cada vez melhor.
Ao dispor
Rui Cerdeira Branco
Militante do Movimento Esperança Portugal
Caro Rui,
Eu conheço bem o percurso de alguns militantes do MEP e ainda melhor a forma como criaram o aparelho partidário. A renovação política é necessária mas nunca feita na base das meias palavras e das ideias mal assumidas. O MEP foge à discussão das ideias, desgastando-se em ataques sempre pessoais a todos os que denunciam a ausência de ideias concretas do MEP. Registamos que não responde a nenhuma questão concreta. Isto é uma forma de estar na política que não acrescenta nada de novo relativamente aos partidos do sistema, apenas somando habilidades discursivas ao debate político.
Devo dizer-lhe que lamento que pessoalize a questão com tanta veemência e que, inclusivamente, me conote com partidos com os quais não tenho qualquer ligação. Estou aqui para discutir ideias, mas pelos vistos o MEP não as tem ou não as quer revelar.
Pode ler-se na p. 43 do Programa do MEP:
“O MEP apoia a continuidade e o aperfeiçoamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), de carácter público, mas defende uma maior abertura e cooperação com o sector social e privado para uma prestação integrada, complementar ou alternativa de cuidados de saúde, possibilitando ao cidadão a capacidade de escolha entre SNS público, sector privado e sector social.”
Os parágrafos anterior e seguintes completam o esclarecimento.
Gostei da exposição e realmente há certas baboseiras que os políticos portugueses deviam deixar guardadas na cabeça mas preciso de notar que é mais que óbvio que vai votar no partido do qual é militante, à semelhança de qualquer outro militante partidário LOL
O PCP ainda nao definiu estratégias de governabilidade?e quais sao as do CDS e BE?
O voto que MFL considera útil é o que menos contribui para o pluralismo democrático e a renovação dos políticos na Assembleia da República que Portugal tanto precisa e todos reclamam. Há anos que nos pedem o “voto no mal menor” e o resultado da bipolarização nestes dois partidos está à vista.
É tempo de começar a mudar a política em Portugal e votar de forma diferente, em novos políticos e novas ideias, deixando preconceitos de clubismo partidário ou questões entre direita e esquerda para trás. Os votos conquistam-se com propostas sérias e credíveis que suscitem consensos, não com uma qualquer ilusão de utilidade.
Votar PSD ou PS nas próximas legislativas, isso sim, será provavelmente inútil.
Aliás, basta pensar que não é só a escolha do primeiro-ministro que interessa aos eleitores, como refere MFL, mas sobretudo a eleição dos deputados e dos partidos que queremos que nos representem na Assembleia da República. E um ou dois bons deputados podem fazer toda a diferença …
Confesso que já vi o filme em sessões anteriores e parece-me que o “voto útil” de que fala MFL é votar mais do mesmo!
Caro Pedro,
Francamente não compreendo que parte das respostas não entendeu mas a limitação poderá ser minha naturalmente. Expliquei-lhe a justificação política para que as questões fracturantes não estejam na nossa carta de prioridades para o país, disse-lhe que já afirmámos publicamente por via do Rui Marques, presidente do MEP, o entendimento em relação a muitas delas (no Euprofiler, por exemplo), garanti-lhe que estamos a elaborar uma listagem de perguntas frequentes onde as questões que sejam de facto frequentes dos eleitores (sejam ou não prioridades nossas) serão explicitadas e prometo-lhe, aqui, publicamente, que o MEP vai ter um programa eleitoral para as legislatativas. Será divulgado em breve, tenha um pouco mais de paciência.
Perante os seus processos de intenções e o seu profundo conhecimento sobre a formação do MEP e as suas “verdadeiras” intenções, não lhe posso valer. Fico com a ideia que diga eu o que lhe disser continuará a lutar contra fantasmas que eu não vejo nem nunca vi a rondar os militantes do MEP. Triste sina a nossa no que ao Pedro diz respeito. Talvez um dia levante o véu sobre essas nuvens e concretize o que tanta suspeita lhe gera.
Estou certo que encarará mais esta prosa como um ataque pessoal e mais uma vez confesso as minhas limitações, posso apenas garantir-lhe que tenho por si pelo menos o dobro da estima que tem por mim e pelo MEP. Talvez esta declaração lhe dê um pouco mais de confiança no que lhe digo, ou talvez não.
Veementemente ao dispor,
Rui Cerdeira Branco
Militante do Movimento Esperança Portugal
Rui,
Fui ver as resposta do MEP ao euprofiler e esta questão deixou-me estupefacto: “Devia exigir-se que os imigrantes de fora da Europa aceitem a nossa cultura e valores “,tendo a concordar?
Concorda com issso também?
Concordo com isto Tiago (que surge como um dos 3 detalhes adicionais de resposta lá no Euprofiler):
“O que é exigido aos imigrantes é que respeitem as leis e o Estado de direito, bem como respeitem a cultura, as tradições e os grandes valores da sociedade de acolhimento. Esta deve igualmente, dentro dos limites impostos pela leis, acolher e respeitar a cultura e os valores dos imigrantes que são acolhidos.”
O que se defende não é a imposição da cultura ao que entra, é apenas sinalizar que há uma relação de respeito mútuo pelas diferenças. O verbo “exigir” que surge na pergunta complica a resposta; só com o detalhe adicional é possível entender melhor o que se defende.
Haverá muito poucos partidos no nosso espectro político que tenham uma política de acolhimento e de respeito pelo imigrante mais activa do que o MEP. Aliás esta é uma das nossas prioridades como pode constatar no nosso programa fundacional, no programa às Europeias e ficará ainda mais claro no programa eleitoral para as legislativas.
Tiago D.
Se tivermos imigrantes em cuja cultura a excisão feminina seja praticada, devemos aceitar que o façam cá, para não lhes impormos a nossa cultura e valores? E os homicídios “de honra” de que se tem falado na Alemanha? Deveremos ser especialmente brandos com eles para não impormos a nossa cultura e valores?
Carlos,
Nao confudamos cultura com cumprimento da lei,sao coisas distintas.Como é obvio ninguem defende esses casos, ou os fatwa ou seja o que for que seja contra a lei portuguesa.
Agora a questao do euprofiler fala de cultura e valores,nao fala de lei que essa tem que ser cumprida por todos,nem sequer se discute isso.
Tiago
Eu não estou a confundir cultura com cumprimento da lei.
A cultura e os valores são o que nos caracteriza como sociedade. As leis podem ser alteradas e são-no frequentemente.
A questão que se coloca é: até que ponto devemos alterar as nossas leis para tornar legais as práticas das culturas dos imigrantes que chegam? Até que ponto faz sentido que esses imigrantes digam que são discriminados porque as nossas leis proíbem as suas práticas culturais?
Carlos,
Uma coisa é respeitar a sua cultura e valores como lhe disse,se a questão fosse:concorda com o mudar da lei para?ai digo que nao.
Agora obrigar os imigrantes a aceitar a nossa cultura nao o podemos fazer,desde que respeitem a lei,e nao e isso que esta em causa na questao,devem ter igual acesso a religiao,ao seu bem estar
Tiago
A questão é o sentido que se dá à palavra “aceitar”. Ora no contexto da Europa actual creio que nenhum partido defende que os imigrantes sejam obrigados a adoptar a religião e os hábitos do país onde vivem.
O que está aqui em causa é saber se os imigrantes aceitam viver de acordo com os valores fundamentais das sociedades que os acolhem. E os exemplos que referi mostram precisamente que é este o problema que se tem colocado na Europa: há imigrantes que acham que os países que os acolhem têm que se modificar para que eles possam viver exactamente como viviam nos seus países de origem.
Assim parece-me que a resposta que o MEP dá à questão é a melhor possível: não se defende absolutamente esta obrigação de aceitar (que poderia ser interpretada num sentido mais forte, como de adoptar ou como de aprovar) mas tende-se a estar de acordo com a obrigação de respeitar os valores e a cultura do país que acolhe.
Não percebo tanta preocupação com o MEP. Os 50 000 votos assustam alguém?
Caro José Manuel
Não se trata de preocupação, trata-se de discutir as ideias e propostas deste novo partido.
Quanto aos votos, podem ser bem mais de 50000 nas próximas eleições. Mas prognósticos só no fim, claro :) .
Descansem as almas. O MEP é fortemente pelo respeito e valorização de todas as culturas, num quadro de respeito mútuo, naturalmente, num quadro de respeito pelos direitos humanos. O seu líder e inspirador tem uma vida dedicada a isto mesmo! Na prática da relação com as pessoas concretas, e não apenas na retórica dos púlpitos.
Quanto às questões que o Pedro coloca, não há fuga nenhuma. O próprio presidente já referiu a posição formal do MEP publicamente nas televisões e noutros meios de comunicação. Algumas respostas, como a que o Carlos Albuquerque aqui sublinhou sobre o SNS, estão no programa que, curiosamente, diz ter lido! O Rui Branco apontou-lhe outro instrumento de recolha de informação (Europrofiler). As perguntas que faz têm resposta simples, mas que suspeito nunca lhe serão suficientes, pelo enquadramento que, claramente, lhes dá. E é aí que reside o problema: está mesmo com a genuína vontade de se esclarecer ou pretende inferir sempre algo de novo para criticar o MEP? Sejamos honestos. Ao que vem, afinal?
O Rui Branco sublinhou um aspecto que é muito relevante: não são as questões que coloca uma prioridade para o MEP nem para o país. Ou melhor, não sendo prioridades para o país, não são para o MEP, que pretende estar ao serviço do país.
Sobre as temáticas que aborda nas duas questões que faz para lá do SNS, os deputados do MEP (o facto de considerar a eleição de deputados do MEP não deixa de ser ainda mais mobilizador) votarão de acordo com a sua consciência e depois de uma séria ponderação do que possa eventualmente estar em causa, nomeadamente em termos de opções. Não são questões simples como pretende. Como quer uma resposta taxativa a perguntas que soam a futurologia sem sentido? Mas vale a pena dizer apenas duas coisas: o MEP é favorável à vida, contra a desesperança que a IVG significa; o MEP não faz julgamentos morais baseados nas opções sexuais e, apesar de múltiplas e naturais sensibilidades e interrogações (já disse que a questão não é simples, nem acredito que possa ser vista de acordo com qualquer matriz ideológica ou pensamento único, seja na sociedade, seja nos partidos), o MEP está aberto a discutir um enquadramento legal que não penalize as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Mas, como já disse, a questão é bem mais complexa. Temo que isto não seja suficientemente claro para quem parece pretender encostar o MEP às cordas do ringue. Não, estaremos no centro do ringue, passe a expressão, claro. Somos gente pacífica.
Excelente, Ângelo!