Há algumas coisas que se ouvem que causam profunda estranheza. No telejornal, o deputado Guilherme Silva, do PSD, que tendo o líder regional que tem acaba por me impressionar quase sempre favoravelmente, já que as expectativas partem de muito baixo, falava dos limites ao financiamento partidário em dinheiro, e dava repetidamente, como exemplo de descontrolo, a Festa do Avante. Implicitamente acusando, de forma demasiado óbvia para não ser grosseira,…mas lá está, quando penso no Alberto João Jardim até acho que podia ser dito de forma muito pior, o PCP de corrupção pelo descontrolo dos cobres que receba pelas bifanas e imperiais.
Vamos lá ser claros. Eu nunca estive na festa em causa, e não antevejo estar. Agora, assim a olho, eu gostava de perceber, e talvez o Jorge Ferreira o possa esclarecer, dado o que especula neste texto, se alguém de bom senso imagina que o problema do financiamento dos partidos esteja no PCP? É que assim a olho, e não sabendo mais do que se diz nas notícias, com a honrosa excepção de Miguel Cadilhe que tentou pôr ordem na casa, a sensação que dá é que entre o BPN, a SLN, o Banco Insular e sabe-se lá mais o quê, algum partido poderá ter ganho mais alguma coisinha que o PCP na festa do Avante. Não sei, mas pensando num elemento comum entre ex-dirigentes … Enfim, são tolices minhas. O Jorge sabe bem melhor o que quer dizer, até porque ele estava no PP na altura em que o líder ia tomar um cafézinho durante os congressos. E portanto deve saber o muito que o PCP ganha em cafezinhos….embora não durante os congressos.
sobre o autor
Carlos Santos é doutorado em Economia pela U. Oxford e Professor na UCP. Trabalhou no Banco Central Europeu. Autor do livro "E agora, Obama?", editado em Fevereiro de 2009, é responsável pelo blogue O Valor das Ideias que, depois da cobertura das Eleições Presidenciais nos EUA, é um espaço de debate de Política Internacional e Economia. É coordenador dos agregadores de notícias e blogues PNETpolitica e PNETeconomia . Colabora na imprensa e em diversos fóruns de discussão.
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Carlos,
Acredita que o financiamento em dinheiro vivo resumir-se-à a 1,257 milhões de euros?
Saldanha Sanches fala em malas, poderá ser um exagero, mas sacos, penso que não.
A partir de um valor razoável ( 100/500 euros) deveria ser obrigatório o registo/factura/papel comprovativo.
Caro José ,
Eu não está nada contra isso. Acho muito bem que haja registos. Só me parece cómico o Jorge vir levantar a questão a respeito da festa do Avante, tal como o deputado do PSD Madeira. Não porque não ache que se gerem entradas não registadas ali…Mas porque me parece que há um outro exemplo mais recente em Portugal de um banco, que segundo alguns jornais, terá financiado o PSD. E à beira desses eventuais financiamentos qualquer arraial partidário seria uma piada….
Mas reitero: haver registos, acho óptimo. Sou contra não haver.
Caro Carlos,
Eu quis dizer exactamente o que disse. Quanto às provocações, desculpe lá, mas mas está a perder o seu tempo. Só o seu.
Jorge, pode-lhe chamar provocações se quiser. Ou outra coisa qualquer. A verdade é que em política a História existe. E não foi o mais brilhante episódio da história do PP a ocasião em que Manuel Monteiro saiu de palco e ameaçou abandonar o partido por causa de uma alegada pressão para as listas. Entretanto foi tomar um café.
Em política, nos partidos democráticos e com liberdade de expressõ, é também possível ironizar. O que se ganha ou não na festa do Avante interessa-me pouco. Se for registado. E a razão de o ter abordado tem apenas a ver com a verdadeira motivação da sua fúria com Vitor Dias: é que o PND não organiza festas pois não? Pelo menos populares? Donde, seria interessante saber porque tem o PND na agenda acabar com a festa do Avante? Isto são questões políticas.
A Festa do Avante é um grande acontecimento cultural, durante os três dias é visitada por gente de todas as cores partidárias, seria uma pena acabar por causa de uma lei, que como todos nós sabemos é “furada” por todos os partidos, vejo aqui um ataque vil ao PCP.