Alguém “descobriu” o site ferreiraleite.com e fez com isso banzé, levando a uma onda de posts e até notícias sobre o caso. As repercussões chegaram até aqui ao blog Eleições 2009: Carlos Santos escreveu Manuela, o portátil, e o G2 e Tiago Azevedo Fernandes esclareceu em Isto será sinal do estado do País? enumerando os erros em catadupa que se seguiram à eventual argolada do 31 da Armada.
Digo eventual porque me custa a admitir que seja verdadeira tamanha inocência, acreditar ser de um político, e oficial, um site com conteúdos roubados e pejado de publicidade; prefiro a tese do oportunismo político.
O domínio apresenta-se assim:

Esse domínio foi registado salvo erro na véspera do anúncio da candidatura de Manuela Ferreira Leite à presidência do PSD nas eleições internas do Partido há um ano. Foi feito com o óbvio propósito de aproveitar o nome, e o momento, para facturar algum dinheiro. Não há propriamente mal nisso — embora eu considere que a visada e o seu partido podiam, por questão de imagem, accionar os mecanismos legais, uma vez que se trata de um abuso da imagem e do nome. Mas também aceito que nem se incomodem com isso: abriam um precedente e não faziam mais nada daí em diante senão andar à caça de cybersquatters.
Na altura contei a história dos registos em dois artigos, no meu blog e no Expresso online. Daqui respigo: “O domínio ferreiraleite.com foi comprado a 29 de Abril de 2008 por alguém que em boa hora preservou o anonimato. Em boa hora porque o site, apresentado de forma equívoca como “Manuela Ferreira Leite Candidata à presidência do PSD”, é um caça-níqueis de publicidade. Já enganou meia blogosfera, que supôs tratar-se do site oficial. Mais meio Portugal vai ainda cair no engano, enquanto o autor rouba descaradamente os conteúdos que encontra, sem sequer identificar as fontes ou linká-las. Tudo bem, não vem daí mal à candidata.”
Um ano volvido, eis que o site volta a render links e visitas.
Mas e o domínio verdadeiro, legítimo, de Manuela? — pergunta por esta altura o leitor atento.
Para as eleições internas, uma empresa de advocacia registou o domínio manuelaferreiraleite.pt, o oficial. Esteve inactivo um tempo, depois serviu os interesses promocionais da candidata, e depois finou-se, como é natural quando não há um projecto para a web, da qual se tem uma visão meramente propagandística e instrumental.
Hoje (e não sei há quanto tempo), o site apresenta esta vacuidade programática:

sobre o autor
Paulo Querido é jornalista free lance, autor e empreendedor. Mantém colunas no Expresso Multimedia, web 2.0 e Cibercidadania, além do webzine pessoal, Certamente!. Edita a iniciativa web do Estado português para o Ano Europeu da Criatividade e Inovação, Criar 2009. Tem um projecto jornalístico em embrião: Diário2.com.
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E Manuela e quem a rodeia? Não se preocupam? Isso é que é estranho…
O mais grave desse site é o que tem ao fim, abusivamente: “”© 2008-2009 Manuela Ferreira Leite”. Mas isso é um caso de polícia como outro qualquer. Um blogger tem obrigação de saber o que se passa na net e tomar os cuidados devidos. Foi “falta de preservativo” da parte da comentadores descuidados… ;-)
«Digo eventual porque me custa a admitir que seja verdadeira tamanha inocência, acreditar ser de um político, e oficial, um site com conteúdos roubados e pejado de publicidade; prefiro a tese do oportunismo político.»
Não adianta discorrer muito sobre o assunto. A confusão que fiz não é nova nem é tão rara na blogosfera. Posso garantir-lhe que não foi intencional. O post que escrevi não se tratou de oportunismo político. Nem percebo quais os proveitos directos ou indirectos que traria com tais escritos. De qualquer forma, caí no engano que tão bem previu no texto que o Paulo escreveu em Maio de 2008. Lamento.