Se admitirmos que existe um voto útil é porque também há o voto inútil? Ou seja, há uma totalidade constituída por voto útil/voto inútil, ou o voto útil é já a sua totalidade? Eu diria que existe um voto útil declarado e um voto inútil latente, manifestando-se uma tensão constante entre um e outro até que os contributos para a decisão atinjam um dado limiar. Esta tensão é tanto maior quanto maior também for o grau de indecisão. No limite, a abstenção é a escolha que melhor representa um dado estadio da racionalidade individual e de grupo. Em economia eleitoral,  o voto declarado é a manifestação de uma totalidade que integra interesses, conjuntura, utilidade esperada. Está presente um juízo sobre o valor que é atribuído a quem se delega o poder. E esse poder é para produzir efeitos no espaço de tempo considerado útil para quem o delega. A aversão ao risco ensina-nos que se prefere obter um benefício agora do que um benefício diferido mesmo que potencialmente mais vantajoso, mas incerto. É esta racionalidade que explica o designado voto útil, e o voto inútil, também.

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Cipriano Justo

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Cipriano Justo Especialista de Saúde Pública Professor universitário Dirigente da Renovação Comunista

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1 Tiago Dias 4 de Agosto de 2009 , 16:13

Cipriano,
Explique me entao:uma pessoa de esquerda que votará CDU ou BE,porque haverá de votar PS quando este nao representa uma politica de esquerda.
Nao tem logica,nem muito menos e um voto util votar PS quando este no governo é tudo menos de esquerda.
Se queremos mais e melhor esquerda temos que votar em quem realmente o é,isso sim é dar utilidade ao nosso voto

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2 Cipriano Justo 4 de Agosto de 2009 , 16:58

Eu penso que não prestou qualquer atenção ao post. Não estando nós num processo insurrecional nem numa via revolucionária, pelo menos por enquanto, havendo uma direita que não é nehum tigre de papel e tem fortes possibilidades de poder ganhar as eleições, um inquilino em Belém que se chama Aníbal Cavaco Silva, dois partidos de esquerda que nem querem ouvir falar de centro-esquerda e se anulam politicamente, o que é que o eleitorado de esquerda que ainda não fez a sua escolha tende a fazer? Essa é a pergunta que a esquerda tem de fazer a si mesma. Não é, votem em nós e depois logo se fazem as contas; se a direita ganhar, paciência, cá estaremos na próxima oportunidade.

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3 Tiago Dias 4 de Agosto de 2009 , 17:27

Cipriano,
O Franscisco tem toda a razao,a direita nunca poderá governar depois destas eleicoes,mesmo que como diz Cavaco chame FL,PSD+CDS nunca terão maioria absoluta,logo so poerão governar se PS,CDU,BE aprovarem orçamento,leis,tudo…
Logo o que o Franscisco fala é uma falácia,quanto mais força tiver a esquerda,mais esta vai condicionar o PS a governar realmente a esquerda,seja com acordo governativos ou parlamentares,porque como expliquei antes,e já agora tente me contradizer,o PSD so poderá governar no dito bloco central,logo voto util nestas eleicoes pura e simplesmente nao existe

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4 Tiago Dias 4 de Agosto de 2009 , 19:04

continuo a aguardar a explicação…

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5 Cipriano Justo 4 de Agosto de 2009 , 19:12

Essa de a direita “nunca poderá governar” é equivalente a um jamais que andou por aí. A não ser que se esteja a pensar num mecanismo que impeça, por via não eleitoral, de a direita poder ser maioritária.

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6 Tiago Dias 4 de Agosto de 2009 , 19:21

Cipriano,
Estamos a falar nas circunstancias actuais,éo meu voto na real esquerda em vez do PS que pode levar o PSD o governo,ambos sabemos que nao.
Sejamos honestos,se o PS nao e de esquerda como e que o seu voto pode util??
Ambos sabemos também que o proximo governo tera que fazer coligacoes,ou parlamentares ou ate governativas,ai sim se aplica o voto util,quanto mais votos tiver a CDU,mais força esta tem para negociar politicas com o PS,ou em caso extremo(acredita simceramente que PSD+CDS terão maioria absoluta???),mais força terá para fazer oposição ao governo,seja este PS ou PSD

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7 Cipriano Justo 4 de Agosto de 2009 , 19:30

Eu não falo de outra coisa, senão das circunstâncias actuais. Mas vou-me lembrar de que a CDU está disposta a negociar políticas com o PS. Está quase a convencer-me a votar na CDU. Está a ver o que é o voto útil?

8 Tiago Dias 4 de Agosto de 2009 , 19:41

Se o Cipriano simpatiza com esses ideias,ou com o bloco,deve votar neles,porque esses partidos defendem a esquerda,ao contrario do PS,logo o voto no PS nunca pode ser util,porque nao e de esquerda…
Para mudar a vida politica a esquerda sao precisos votos,e nao falacias do voto util,visto este nao existir,porque passaria por uma pessoa de esquerda abdicar dos seus ideais para votar num PS que defendeu nestes ultimos 4 anos uma politica contraria a esquerda.

9 francisco pacheco 4 de Agosto de 2009 , 17:17

Como Cipriano Justo continua autisticamente a falar de «voto útil» (no PS, pois então !)
volto a perguntar a todos os leitores com dois dedos de bom senso e de inteligência:

- MAS QUAL É A DIFERENÇA PARA O OBJECTIVO DE O PSD+CDS NÃO TEREM A MAIORIA ABSOLUTA QUE O PS TENHA 35%, A CDU 12% E O BE 10% (soma 57%) OU QUE O PS TENHA 32%, a CDU 14% E O BE 11% ?

Nenhuma, nenhuma, nenhuma. Talvez o Cipriano Justo venha dizer (não me admirava) que
com 35% ou 32% o PS corre o risco de ser ultrapassado pelo PSD e ser este o mais votado. E qual é o perigo se isso sucedesse ?. Nenhum. Bastava o PS querer e, com os votos também do PCP , dos Verdes e do BE, esse Governo não passaria na AR.

Ou pretenderá Cipriano Justo que o PS tenha mesmo de ser o mais votado, nem que seja à custa do PCP e do BE, para depois ir entender-se com o Paulo Portas, como frequentemente aconteceu nos consulados de Guterres ?

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10 Cipriano Justo 4 de Agosto de 2009 , 19:00

O que os eleitores sabem neste momento, mas pode ser que até 25 de Setembro mudem de intenções, é que a esquerda qualquer que seja o seu peso relativo, não quer nada com o centro-esquerdo, qualquer que seja a sua votação, nem antes nem depois de 27 de Setembro. Ou a esquerda, no exemplo de distribuição eleitoral que apresenta, está na disposição de examinar um programa e um governo de esquerda? É que a difrença entre tabuada e política é esta.

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11 francisco pacheco 4 de Agosto de 2009 , 22:54

Suponhamos que as coisas, por absurdo,eram como Cipriano Justo diz. Mas ele esqueceu-se de contar aos leitores o mais importante, ou seja, em que é que modificações na distribuição de votos entre PS, CDU e BE afecta a questão da direita ter maioria absoluta ou não. E devia ter a honestidade de responder que obviamente não afecta.

Repito que não há nenhuma política que se possa basear em pressupostos númericos falsos e enganosos. Não quer C.J. ver a questão pela lado da maioria absoluta de um «campo» PS+CDU+BE ? Então vejamos ao contrário: se o PSD+CDS tiverem uma maioria absoluta que diferença faz que o PS tenha 37%, a CDU 5% e o BE 5% ou que o PS tenha 30%, a CDU 10% e o BE 7% ? Nenhuma, nenhuma dessas variantes de resultados «à esquerda» altera a maioria absoluta da direita.

Já agora, sobre disposições negociais pós-eleitorais, será Cipriano Justo capaz de favor de exibir alguma declaração clara, responsável e inequívoca do PS de abertura para negociações ou entendimentos à sua esquerda? É que eu não tenho andado na Lua e nunca dei por ela.

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12 Carlos Albuquerque 4 de Agosto de 2009 , 18:11

“A aversão ao risco ensina-nos que se prefere obter um benefício agora do que um benefício diferido mesmo que potencialmente mais vantajoso, mas incerto.”

Mas qual é o benefício certo que o PS oferece? Isto é, à esquerda, porque há quem conte com benefícios certos do PS, claro.

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13 Cipriano Justo 4 de Agosto de 2009 , 19:06

O benefício imediato que uma parte substancial do eleitorado de esquerda equaciona é barrar o caminho à direita. Que não é um papão, é um risco bem real.

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14 Carlos Albuquerque 4 de Agosto de 2009 , 19:41

Cipriano

Mas as políticas do PS são de direita. O alinhamento do PS com os bancos e grandes construtoras é perfeito. O PS executou políticas que o PSD nunca tinha sonhado. Ultrapassou o PSD pela direita no código do trabalho. Votar PS é apenas garantir políticas de direita com camuflagem.

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15 Luis 4 de Agosto de 2009 , 18:13

“havendo uma direita que (…) tem fortes possibilidades de poder ganhar as eleições”.

Ah! Lá temos outra vez o papão útil. Pois eu votando na CDU em nada, em rigorosamente nada contribuo para que isso venha a acontecer. E quantos mais fizerem como eu e votarem na CDU, menos possibilidades tem a direita de ganhar as eleições. Porque votar na CDU é reforçar a esquerda, é contribuir para a eleição de mais deputados de esquerda e também para uma relação de forças mais útil para uma viragem na vida nacional.

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16 Tiago Dias 4 de Agosto de 2009 , 18:16

Exactamente Luis,quem quer esquerda tem que votar esquerda,nao no PS que faz tudo menos politica de esquerda,logo e um voto inutil

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17 Cipriano Justo 4 de Agosto de 2009 , 19:07

Sempre que a direita esteve no poder não foi um papão. Foi um acontecimento bem real. De que todos estamos lembrados, penso eu.

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18 Luis 4 de Agosto de 2009 , 20:41

“Sempre que a direita esteve no poder não foi um papão.” Fez exactamente o mesmo que o PS fez e faz. No Código de Trabalho o PS ainda conseguiu fazer pior. Para a maioria – nós os que trabalhamos – são inúteis os votos quer num quer noutro.

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19 Núncio 5 de Agosto de 2009 , 1:46

Cipriano,
não me considere maçador, mas – reformulando algo que já escrevi aqui – acho muito pobre fazer dezenas de textos e depois ter centenas de comentários que não saem da dicotomia esquerda/direita e do maniqueísmo “nós somos bons/eles são maus”. Tudo isso são chavões historicamente datados que, se queremos ser uma “democracia moderna”, como é chic dizer agora, têm de ser objecto de um “upgrade” discursivo, de natureza social, económica, financeira, política e cultural.
Adiante. O que diz o Tiago e o Francisco está certo. Pouco importa (a não ser aos militantes ferrenhos, claro) a correlação de forças interna (dentro da esquerda ou da direita); o que interessa é a correlação externa, ou seja, se PSD+CDS ou PS+CDS (muita atenção a este cenário, Cipriano!) têm votação suficiente para governar, tornando inútil a votação no BE e na CDU.
Ora, tenho para mim que dificilmente “este” PS se coligará com o BE ou com a CDU (muito menos com os dois), pois nesse dia o Sócrates deixaria de ter o apoio da Banca (BES e CGD), da construção civil e da ala católica (que não é nada irrelevante: Rosário Carneiro, Oliveira Martins, D. Policarpo, etc.). Mas não se esqueça que não é nada improvável que a sucessão directiva do PS seja antecipada em função das próximas eleições e, nesse caso, a força do BE (menos da CDU) pode ser decisiva (se o novo secretário-geral for alegrista ou soarista ou até sampaísta, tudo menos socratista ou guterrista).
O recente desespero do PS nasce desse receio: que uma eventual vitória minoritária (que julgo ser ainda o cenário mais provável, pese embora algum reforço do PSD) provoque o isolamento do actual líder por não ter ninguém (só Portas e daí a chamada de atenção anterior) que se queira coligar com ele.
Em suma, voto útil para um governo de “esquerda” é, sem dúvida, no BE e na CDU, na expectativa do sucessor de JS fazer a ponte. Voto útil num governo de “direita” é no CDS. Voto no PSD é um voto de rejeição de JS, não tanto da política do PS. Voto no PS (minoritário, como se prevê) é o mais difícil de contextualizar, dado o isolamento que se auto-impôs JS.

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20 Cipriano Justo 5 de Agosto de 2009 , 10:04

Tudo o que tenho dito sobre o voto útil é sobre o que pode levar o eleitorado a votar nos partidos maioritários. E o eleitorado, a sua grande maioria, não anda a especular para se decidir em quem vai votar. Vai votar em quem defende os seus interesses imediatos. E quem pode defender os seus interesses imediatos é quem governa, quem toma decisões sobre o que influencia a vida das pessoas. Isto, que pode parecer um pormenor, é o aspecto fulcral para o que eu tenho vindo a chamar a atenção: a economia eleitoral.

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21 Carlos Albuquerque 5 de Agosto de 2009 , 10:33

Cipriano

A maioria do eleitorado é capaz de ir mais longe do que limitar-se a acreditar que só pode escolher PS ou PSD.

Num contexto de incerteza sobre a solução governativa a sair das próximas eleições, a única segurança dos eleitores é votar no partido em que mais acreditem, naquele que melhor exprime as suas convicções.

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22 Luis 5 de Agosto de 2009 , 12:07

“Num contexto de incerteza sobre a solução governativa a sair das próximas eleições, a única segurança dos eleitores é votar no partido em que mais acreditem, naquele que melhor exprime as suas convicções.”

Eu diria que em qualquer contexto essa é sempre a melhor opção.

Responder

23 Joel 5 de Agosto de 2009 , 16:13

Voto inútil não existe desde que se vote no partido que melhor nos pode exprimir , como as nossa convicções e as nessa ideias.
Mesmo sabendo que ele pode não ser governo ele pode desde que seja eleito introduzir votações na assembleia como exprimir a sua opinião e acrescentar mais valor a mesma.

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24 manuelmgaio 16 de Agosto de 2009 , 3:41

Se mais de 30 anos de governos do PS e do PSD, com e sem CDS, com as consequências conhecidas, ainda não ensinaram aos eleitores, mesmo aos que se dizem de esquerda, o que é o voto útil para que se pratique uma política diferente, uma política de esquerda, não há lucubração filosófica que o ensine.

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25 Cipriano Justo 18 de Agosto de 2009 , 12:03

O tempo de percepção dos efeitos das políticas é diferente de classe social para classe social, de estrato profissional para estrato profissional, de indíviduo para indíviduo. Se não se perceber isto e se se tratar o eleitorado como se fosse uma massa homogénea, a esquerda dificilmente vai conseguir algum dia governar o país.

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