O que é a convergência de Esquerda?

de Diogo Moreira 26 de Abril de 2009 | Legislativas

O Luís Novaes Tito, em resposta a um post meu sobre a convergência de esquerda (que na realidade era um comentário a um post de Nuno Ramos de Almeida), critica a minha seguinte frase:

“E a forma como alguns querem arrastar o Partido Socialista para alianças com forças políticas que lutam contra tudo o que PS sempre defendeu não deixa de ser extraordinária”.

Esta frase sintetiza o meu receio (direi mais terror) de que esteja na forja a possibilidade do PS efectuar uma coligação pós-eleitoral com o PCP e/ou com o BE. Regozijo-me com o facto que para o Luís tal aliança seria contra-natura para o PS, porque esses partidos, reafirmo, partilham ideias que o Partido Socialista sempre combateu.

Logo está aqui a minha perplexidade sobre a leitura que o Luís Novaes Tito terá tido sobre esta frase, porventura por não me ter sabido exprimir correctamente. As forças políticas que eu me refiro nessa frase são o PCP e o BE. Assim, acho que estamos de acordo sobre o cerne desta frase, certo?

Dito isto, há algumas coisas que o Luís refere sobre a convergência de esquerda que me levantam dúvidas e que aproveito esta oportunidade para lhe pedir que clarifique.

Essa “vontade na descoberta de novos caminhos combatendo o pensamento único” é exactamente o quê? Baseando-me em coisas concretas, e só para clarificar os leitores destes posts sobre o que queremos dizer:

  1. A convergência de esquerda é contra a “nacionalização de sectores estratégicos da economia”, certo?
  2. A propriedade privada é um direito inalienável de todos os cidadãos, certo?
  3. A acumulação de riqueza, resultado da economia de mercado, não é nenhum mal que deve ser combatido, certo?
  4. A economia de mercado deve ser regulada, mas o Estado não deve em regra exercer funções económicas, certo?

Peço desculpa pelo carácter repetitivo destes pontos, mas nestes e noutros é que se separam as águas entre as Esquerdas.

O PCP e o BE têm posições sobre os pontos acima. A convergência de esquerda tem posições opostas, certo?

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sobre o autor

Diogo Moreira é doutorando em Ciência Política no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, blogger ocasional no Loja de Ideias e militante do Partido Socialista. Envie mensagem directa no Twitter.

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Convergências
27 de Abril de 2009 ás 10:16

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1 António da Costa 26 de Abril de 2009 , 18:20

Por tudo aquilo que diz o PS só pode fazer alianças ou acordos com um partido, o PSD, pois só eles convergem, certo ?

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2 Diogo Moreira 26 de Abril de 2009 , 18:36

Se for necessário fazer uma coligação, a minha preferência vai para o Bloco Central, sim.

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3 LNT 26 de Abril de 2009 , 21:51

Diogo,
A convergência não defende nada porque não existe como identidade, só como algo que é necessário fazer, ou estarei enganado? Haverá algum partido ou coligação chamado Convergência? Se existe não era a ele que me estava a referir.

Só ainda não respondi porque há mais vida para além dos Blogs, mas sendo possível digo-te da minha opinião, que é o que faço nos Blogs. Se tivesse soluções no bolso certamente que já as tinha usado, não andava aqui a ver se aparece alguma luz diferente daquela que já está escrita ou estudada.

Assim que puder, prometo.
Abraço

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4 Diogo Moreira 27 de Abril de 2009 , 0:57

Luís,

Pensava que te estavas a referir à ideia da convergência de esquerda (que chegou a ser apresentada publicamente em Lisboa) e que incluiria os renovadores comunistas e outros num movimento de características que nunca cheguei exactamente a perceber os contornos.

Sem pressões e quando quiseres, porque há muito mais vida para além dos blogues :), gostaria que escrevesses sobre o teu pensamento sobre esta matéria. Porque os teus comentários deixaram-me curioso.

Abraço,

DM

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5 António da Costa 26 de Abril de 2009 , 23:57

Então votar no PS ou votar no PSD é a mesmíssima coisa, eu não vou falar de convergência ou de coligação, vou antes falar de ideologia, os partidos políticos são ideologicamente activos, certo ?

O partido Socialista não é ideologicamente Liberal, a sua matriz não é essa, e quem é militante do PS como eu à quase 35 anos não advoga essa matriz ideológica, as pessoas mudam as coisas mudam os Partidos Políticos também, mas não tanto, eu sei que tem sido prática nos últimos 10 anos, mas como se tem visto as politicas liberais ou neoliberais deram naquilo a que está à vista.

Responder

6 Diogo Moreira 27 de Abril de 2009 , 0:46

Caro António da Costa,

O facto de eu achar que o partido com que o PS tem mais afinidades (inclusive ideológicas) é o PSD não significa que eles sejam a mesma coisa. Apenas que estamos mais afastados do PCP e do BE do que do PSD.

E a razão tem a ver com a economia. O PS defende uma economia de mercado, a propriedade privada, a não nacionalização dos sectores estratégicos, etc.. O PCP e o BE (este último encapotadamente) têm opiniões contrárias.

E existe uma matriz liberal no PS. O liberalismo não é propriedade da direita. Toda a história do PS ao combater o totalitarismo comunista insere-se na lógica da defesa das liberdades individuais, que são também económicas.

Depende o que quisermos dizer com a palavra “liberal”.

Responder

7 António da Costa 27 de Abril de 2009 , 1:20

Diogo Moreira

A questão é mesmo essa, em minha opinião o PS deveria estar mais perto do BE do que do PSD, na ultima década tem-se verificado uma viragem à direita ou mesmo uma colagem ao espectro ideológico do PSD, deixando espaço ideológico para a existência de um novo partido entre o PS e o BE.

8 António Rodrigues 26 de Abril de 2009 , 18:30

Pelos vistos ainda há pessoas esclarecidas neste país.

E esses seus, 4, pontos são essenciais para a discussão, e estão correctos.

O que parce é que há muita gente com saúdades do PREC, das nacionalizações. Mas sobre isto falei no post que pus no seu anterior artigo.

Terminava com uma pergunta que coloquei, hoje, no meu blogue:

(http://oblase.blogs.sapo.pt)

Pergunta pós 25 de Abril

Porquê que há “democratas” que enchem a boca com o 25 de Abril, com a liberdade, que se apresentam como os únicos defensores das liberdades, que descem a Avenida de cravo na lapela e, depois, são contra a liberdade económica?
ups!!!

http://oblase.blogs.sapo.pt

Responder

9 José Manuel Faria 26 de Abril de 2009 , 18:46

Quem é contra a Liberdade económica?

Há partidos de Esquerda que combatem a libertinagem económica, isso sim, é verdade.

Responder

10 LNT 26 de Abril de 2009 , 18:49

“A convergência de esquerda tem posições opostas, certo?”
Errado, Diogo.
Mais tarde explicarei melhor porquê, mas para já porque o Diogo continua a confundir convergência com alianças (aliás como o faz o nosso comentador António Rodrigues) e a convergência para achar soluções não tem de passar por alianças políticas.
Não passa é certamente pela falta de diálogo sempre aproveitada pela direita para se impôr e tomar o poder, mas lá iremos.

Responder

11 Diogo Moreira 26 de Abril de 2009 , 19:14

Luís,

Deixaste-me muito curioso sobre o que a convergência de esquerda defende.

E se a convergência para achar soluções não passa por alianças, então é o quê, exactamente? Criar uma nova base social e eleitoral da Esquerda Democrática? Está para além da política? É um movimento social?

Aguardo com interesse o teu novo post.

Responder

12 António Rodrigues 26 de Abril de 2009 , 19:52

Diogo Moreira,

Está cheio de razão.

Mas vamos aos factos, que é deles que se deve falar:

No Pós II Guerra mundial, 1945, aquando dos acordos Bretton Woods, a escolha que os países tinham eram duas:

a) ou o modelo actual( entenda-se, numa fase de menor desenvolvimento, que desembocou no actual)

B) ou o modelo de planificação Central da Ex URSS

Estas eram as opções e, a maioria dos países, optou, e no meu entender bem, pelo modelo actual.

Bem sei, que ainda há saudosista da ex URSS, que nos deixou tantos países com elevado grau de desenvolvimento e prosperidade.

Aí sim, havia a convergência de esquerda.

Churchill disse um dia . ” Não há pior sistema que a democracia, mas ainda assim é o melhor que temos”.

O mesmo se aplica ao Capitalismo.

Os factos são esses. Claro que não defendo um capitalismo selvagem, até porque, não acredito em modelos puros. Mas entre as duas opções, não tenho dúvidas.

António Rodrigues

http://oblase.blogs.sapo.pt

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13 LNT 26 de Abril de 2009 , 23:57

Este esquema da resposta ao comentário tanto calha no comentário de cima como no de baixo. Espero que se perceba que o comentário 3 de resposta era para estar no comentário 7 do Diogo.
Adelante.

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