Confundir um juízo analítico com um juízo valorativo é isso mesmo: uma confusão. Nunca falei de eleições de segunda, mas sim de eleições de segunda ordem. Ora eleições de segunda ordem podem até muito bem tornar-se em eleições de primeiríssima importância.

Como bem recordou o Diogo, é precisamente essa a minha convicção no que concerne às eleições europeias de 7 de Junho em Portugal. A três meses de eleições legislativas, os seus resultados podem consolidar expectativas – ou alterá-las completamente. Por isso mesmo eu sugeri que Marcelo Rebelo de Sousa fosse o cabeça-de-lista do PSD nestas eleições. E também por isso eu abordei o tema das europeias na presença de Manuela Ferreira Leite, chamando a atenção para o facto de ser esta a ocasião de quebrar o mito* da invencibilidade do Partido Socialista.

A vitória do PS nas europeias não é tão improvável como o Diogo a pinta: não nos esqueçamos que tem sido esse o resultado desde 1994. Mas se tal acontecer, o efeito de consolidação das expectativas de vitória socialista nas legislativas – e a correspondente desmobilização do eleitorado da oposição – será inegável. A consequência política desta situação é de uma clareza cristalina: quem estiver determinado em criar as condições para que José Sócrates seja afastado do poder deverá votar no PSD, já em 7 de Junho.

Posto isto, há ou não há questões de transcendental importância a debater sobre a Europa? Claro que há.  Podemos aproveitar as eleições europeias para lançar esse debate? Podemos e devemos**. Não convém é achar que estas eleições terão alguma influência em questões como o tratado de Lisboa, as tropas europeias no Afeganistão, os alargamentos passados e futuros da UE ou os Eurobonds. A desilusão é garantida.

____________________

* Mito alicerçado sobretudo em sondagens, visto que os resultados eleitorais propriamente ditos não têm sido famosos desde Fevereiro de 2005…

** Consta até que há partidos europeus que fazem manifestos eleitorais, o que me deixa sinceramente impressionado. Se os levarem tão a sério quanto costumam levar os programas eleitorais nacionais, estaremos perante uma revolução copérnica de incalculáveis consequências.

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Vasco Campilho

sobre o autor

Vasco Campilho tem 31 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico e no Câmara de Comuns. Actualmente, escreve no vascocampilho.net, no 31 da Armada e no Papa MyZena.

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Barroso? Não sei não…
3 de Abril de 2009 ás 11:37

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1 Gabriel Silva 2 de Abril de 2009 , 16:55

faço notar que o voto na imagem seria considerado nulo……

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2 Gabriel Silva 2 de Abril de 2009 , 16:57

«quem estiver determinado em criar as condições para que José Sócrates seja afastado do poder deverá votar no PSD, já em 7 de Junho.»

Hum……, eu sugiro mesmo uma tentadora promoção de verão. Livre-se de dois pelo preço de um: Nem PS, nem PSD e diga adeus a Sócrates e Ferreira Leite.

Responder

3 Diogo Moreira 2 de Abril de 2009 , 17:45

Concordo. Acho que quem ganhar as europeias, muito provavelmente ganhará as legislativas. (a não ser que haja um terramoto político gigantesco).

Gabriel, votar noutros partidos que não o PS e o PSD, embora seja a definição de voto de protesto, apenas aumenta a probabilidade de haver um bloco central no pós-legislativas.

O que talvez não seja mau…

Abraço,

DM

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4 Gabriel Silva 2 de Abril de 2009 , 17:54

Diogo,
isso de ao não se votar no PS/PSD ser definição de «voto de protesto» é, digamos, umbigoblococentralista, não?

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5 Diogo Moreira 2 de Abril de 2009 , 18:06

É umbigoblocentralista (adorei a palavra, tenho que a anotar), é.

E não me estava a referir às pessoas que normalmente votam nesses partidos. Estava-me a referir aos votantes flutuantes PS/PSD que podem se sentir inclinados a votar na CDU/CDS-PP/BE (ou noutros), como forma de “protesto”.

Basicamente, numa opinião puramente pessoal é claro, na actual conjuntura (talvez a pior da história democrática portuguesa), na ausência numa maioria absoluta, apenas o bloco central poderá ter alguma hipótese de salvar isto.

Por pequena que seja.

Abraço,

DM

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6 Carlos Santos 2 de Abril de 2009 , 18:23

Vasco,

Eu até poderia ser uma pessoa naif, mas não me tome por tal infelizmente. Compreendo perfeitamente que o voto no PE tem tanta influência quanto o voto no PSD teve no aumento de IVA de Barroso, ou no aumento de portagens de Cavaco. Significa isso que os cidadãos devam esvaziar o debate político de conteúdo e atulhá-lo de slogans? Não é a sua visão pela qualidade do que escreve. E imodestamente acho que não é a minha.
É nesse sentido que eu acho importante debater ideias concretas, sobretudo nos tempos que conrrem. E tentar formas de envolver os partidos em compromissos nessas ideias. Enquanto militante do PSD, o Vasco não terá gostado com certeza de algumas iniciativas deste governo que não constavam do seu programa. O debate deveria servir para responsabilizar mais os políticos pelas suas promessas.
E em matéria de Europa, julgo que concordará comigo, que as opções tomadas nem sempre foram do interesse de Portugal. E por vezes, nem da maioria dos europeus.

Abraço,
Carlos

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7 Daniel Rebelo 2 de Abril de 2009 , 20:03

“quem estiver determinado em criar as condições para que José Sócrates seja afastado do poder deverá votar no PSD”

Acho que a maioria das pessoas prefere a continuação de Sócrates que o regresso de Manuela Ferreira Leite. É digamos… um mal menor.

Mas isto só as eleições o poderão confirmar ou desmentir.

Sobre o voto, acho que as pessoas devem votar naquilo em que acreditam e de acordo com a sua consciência e não entregar o poder ao PSD por “birra” com o PS, mesmo que não considerem o PSD competente. Até porque assim nunca serão exploradas novas oportunidades, estamos sempre a saltar entre PS e PSD.

E não existe melhor momento de mudança que aquele em que as pessoas querem castigar Sócrates mas não confiam em Ferreira Leite. Seja feita a vontade do povo e a matemática trata do resto.

Cumprimentos.

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