Decorre por esta hora a apresentação oficial do Movimento pela Igualdade, uma iniciativa cívica que pretende promover a igualdade no acesso ao casamento civil, lutando contra a homofobia e a discriminação. Trata-se de uma manifestação genuína da sociedade civil que pretende pôr fim à marginalização imposta pela actual lei e pela prepotência das crenças que alguns querem impor a todos.
Tal como pode ler-se no manifesto, «exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.»
A luta contra a homofobia, tal como sucedeu com a luta contra o racismo e contra a discriminação das mulheres, é um imperativo dos nossos dias que tem que marcar a agenda mediática das próximas Eleições Europeias e Legislativas.
sobre o autor
Pedro Morgado Autor do blogue Avenida Central, do Minho. Também no Twitter.
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Só gostava sinceramente de perceber o que é que não aceitar o casamento entre homossexuais tem a ver com homofobia. E ainda pior, o que é que tem a ver isto tudo com racismo ou discriminação das mulheres. Se isto fosse escrito nos States, com aqueles evangélicos irracionais, ainda vá, agora em Portugal… Ou quer confundir quem o lê, ou escreve não sabe bem o quê. Pode esclarecer?
A não aceitação de direitos iguais para os homossexuais pressupõe que se consideram cidadãos de segunda. E isto tem tudo a ver com homofobia.
Sempre o mesmo erro…
A questão é: “A união homossexual deve ter todos os direitos e deveres exactamente iguais aos da heterossexual?”
Eu acho que não.
- Casamentos e uniões
Não se trata de “união” mas sim de casamento civil para todos. Ao longo da história, os grupos maioritários sempre mostraram muita relutância em aceitar direitos iguais para os grupos minoritários. Infelizmente, ainda há cidadãos de primeira e cidadãos de segunda no acesso ao casamento civil.
Sabe perfeitamente que não é essa a questão. O Estado não discrimina ninguém no acesso ao casamento civil com base na orientação sexual. “Discrimina” sim com base no sexo, que é algo muito diferente, ao exigir que o casal (de dois, aí está outra “discriminação”) tenha um elemento de cada sexo. Porque, mais uma vez, não deve haver exactamente o mesmo conjunto de direitos e deveres independentemente do tipo de união, seja ela casamento convencional, união poligâmica, união homossexual, etc.
O facto de comparar a homossexualidade à poligâmia e ao incesto diz muito sobre as suas ideias nesta matéria. A homofobia é isso mesmo: a incapacidade de aceitar que há diferenças entre as pessoas e que essas diferenças não podem impedir o direito dos outros àquilo que defendemos para nós.
Pergunto-lhe isto: se os brancos também não são iguais aos pretos por que motivo é que havemos de ter direitos iguais?
Lá vem a ausência de argumentos habitual, a ladainha do suposto “argumento terrorista” que será falar nos outros grupos minoritários que, pelos vistos, não têm nada a ver. Porque minoritários que interessem só mesmo nós…
Aceita então que há diferenças no tipo de união. Isso já é um avanço.
E os brancos são diferentes dos pretos na cor da pele, mas a cor da pele não é relevante para absolutamente nada no casamento. Já o sexo é relevante. Ou não?
Pode não se ter ódio aos homossexuais e ter aversão ao casamento lésbico.
Há gays/lésbicas contra o casamento homo.
«Há gays/lésbicas contra o casamento homo.»
E então? Qual é a diferença entre haver gays/lésbicas contra ou haver heterossexuais contra?
São homossexuais, homofóbicos!
“pretende promover a igualdade no acesso ao casamento civil, lutando contra a homofobia e a discriminação”
Mas é claro que existem homossexuais homofóbicos. Mas por que raio é que os homossexuais deveriam ser melhores que as outras pessoas??? São exactamente iguais em tudo, excepto na orientação sexual.
É portanto uma pessoa que gosta de homens e é homem, que odeia homens que gostam de homens.
Tem razão, nunca tal me tinha passado pela cabeça.
Tal e qual o homem que gosta de mulher, e odeia os homens que gostam de mulheres. Este homem quer as mulheres todas para ele no mínimo.
Ou como um racista branco, alguém que odeia os negros, ao mesmo tempo que odeia os brancos que odeiam negros.
O Pedro é psiquiatra, não tenho hipótese alguma consigo.
Não sou psiquiatra, hei-de ser. Vejo que confunde muitos conceitos e que não parece bem informado sobre o que é a orientação sexual e o que são comportamentos discriminatórios como racismo ou homofobia. Mas é uma questão de ler.
Texto interessante: http://www.huffingtonpost.com/johann-hari/homophobic-then-youre-pro_b_158516.html
18:22 .
Não brinque comigo, não sei o que é: orientação sexual, racismo ou homofobia!
Sabe perfeitamente que a discussão não era sobre esse ponto.
O ódio é um sentimento de profunda antipatia, desgosto, aversão, raiva, rancor profundo, horror, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objectivo.
Aversão: Nojo, asco, etc.
O ponto era esse.
É claro que há gente para tudo. Até odiar-se a ela própria.
Pedro, esquecendo a infelicidade de atribuir a qualidade de ‘homofóbico’ a quem não defende o casamento entre pessoas do mesmo sexo, este tipo de casamento só se pode defender com base na liberdade individual de cada pessoa de constituir que tipo de família quiser. Ora segundo esse critério, o TAF tem toda a razão: não há nada que separe a vontade de um indivíduo de casar com uma pessoa de sexo diferente, com outra do mesmo sexo, com várias de sexo oposto ou do mesmo sexo ou com familiares. Colocar o limite nos casamentos entre pessoas do mesmo sexo é admitir que os valores da sociedade têm algo a dizer nas formas aceitáveis de família e arrasam com argumentos do género ‘imposições de crenças de alguns’ (também ele algo intolerante; era o que faltava que as pessoas não possam opinar sobre o que lhes apetece).
Bjs
O que está em questão, no meu ponto de vista, não é simplesmente a «liberdade individual de cada pessoa de constituir que tipo de família quiser» mas sim o que cada um pode fazer com aquilo que é. A orientação sexual, na perspectiva mais consensual, não é propriamente uma opção.
Quanto às crenças, a questão é simples: se o casamento de duas pessoas do mesmo sexo não retira nada a ninguém porque é que há pessoas que o querem impedir?
A orientação sexual, na perspectiva mais consensual, não é propriamente uma opção.
Indique-me, por favor, qualquer estudo (ou mesmo qualquer coisa) que faça parte dessa ‘perspectiva mais consensual’. Já agora, se não se importa, explique porque é que é a ‘perspectiva mais consensual’.
Uma última nota: acha democrático defender seja o que for começando por ofender todos os outros que pensam de outra maneira?
Eu sinceramente ainda não vi em que medida o Casamento tem de ser uma instituição ortodoxa ou que tetas tem para ser vista como uma espécie de Vaca Sagrada. O que está em causa é o reconhecimento da Sociedade pela total normalidade do amor e das emoções, independentemente do género das pessoas, do que têm ou não entre as pernas, e com consequentes benesses para a sanidade mental das gerações futuras.
Afirmou que ia ler e escrever sobre o programa do MMS, infelizmente passou por cima e já vai no movimento novo. Obrigado