Há uma razão maior que todas as outras para votar no PS nas próximas legislativas. (serve também de declaração de interesses)
Essa razão chama-se Manuela Ferreira Leite.
Não me agradam as campanhas negativas, aliás neste momento nem sequer me agradam quaisquer campanhas, mas a memória não deixa esquecer a passagem de Ferreira Leite pelas Finanças, nem o estado em que ela deixou o País com as arquitecturas financeiras que inventou para esconder o desastre financeiro. É a mesma memória que não consigo apagar que me recorda que a solução por ela inventada para a Administração Pública não passou pela reforma do Estado, nem pela redução do esbanjamento, mas só pelo congelamento dos salários dos trabalhadores, pela criação de um sistema de avaliação muito mais injusto e ineficaz do que este que agora existe e pela tomada de assalto a todos os lugares de topo da Administração Pública, saneando a torto-e-a-direito os dirigentes anteriores, insultando-os injustamente, como fez com António Nunes dos Reis na DGCI e substituindo-os por quadros piores, oriundos principalmente da banca, que tiveram o privilégio de ficar com o know-how do funcionamento do fisco.
Como a memória serve para alguma coisa, lembro-me ainda da sua anterior passagem pelo Ministério da Educação e do que resultou desse seu desempenho.
Sem remédio e sem amnésia irei votar onde ainda há uma réstia de esperança.
Espero que o Partido Socialista tenha o bom-senso de demonstrar com dados credíveis, inquestionáveis cientificamente e certificados, as vantagens de algumas políticas praticadas nos últimos anos. Por poucos que sejam, foram melhores que a herança deixada por Ferreira Leite, Durão Barroso e Santana Lopes. Se o conseguirem, em vez de se entreterem a maquilhar o carácter dos actores em cena, pode ser que muitos dos que se sentem vítimas da arrogância e do autismo de meia dúzia de iluminados que chegaram a desplantes nunca imaginados, ainda reconsiderem e troquem a vontade do coração pela da razão e pela memória.
Se o não conseguirem, ou não o quiserem fazer, perceberão que os portugueses não são povo de se habituar só porque alguém assim entendeu mandar.
(Também publicado no a Barbearia do Senhor Luís
sobre o autor
Luís Novaes Tito - técnico de Sistemas de Informação, Informáticos e de Gestão da Qualidade. Integra o corpo editorial da ops! revista de Opinião Socialista. Autor do blog a Barbearia do senhor Luis






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Luís
A nossa memória é naturalmente selectiva. Mas é curioso que por cada facto que o Luís descreve da governação PSD/PP, ocorrem-me factos semelhantes e mais graves feitos pela governação PS nos últimos anos. E às vezes o pior não é cometerem-se erros, mas o querer-se à força continuar a chamar grande serviços ao país aos erros que se cometeram. A menos que os autores desses erros já nem sejam sequer capazes de distinguir o certo do errado.
Após tudo isto, convém não esquecer que há mais partidos em Portugal além dos que têm governado o país nas últimas décadas com os rsultados conhecidos.
“Não me agradam as campanhas negativas [...]” é uma das primeiras frases do seu post. Post esse que é… uma campanha negativa, se formos ver bem…
De resto, escusado será dizer que concordo com o Carlos Albuquerque.
Se não fosse campanha negativa não tinha iniciado o Post com essa frase, não é verdade Miguel?
LVT (que não conheço, mas que vou lendo com algum interesse) tem, ou por falta de tempo ou por outras circunstâncias pessoais, um registo opinativo muito irregular. O presente comentário, ao contrário de outros, é fraco, por muito parcial (mesmo levando em conta a honesta declaração de interesses) e conter algumas … imprecisões (ia escrever inverdades, mas não quero ser deselegante).
Vejamos:
1. Os eleitores NÃO elegem primeiros-ministros. A sua nomeação cabe ao PR e nem sequer lhe é constitucionalmente exigido que nomeie o presidente/secretário-geral do partido mais votado. Pode não ser do partido mais votado e pode não ser o seu líder. Insistir neste confronto (JS/MFL) é manipulador e constitui fraude constitucional.
2. Os eleitores determinam a composição parlamentar e, com as suas escolhas, condicionam os equilíbrios político-partidários. Se derem a vitória ao PS ou ao PSD só estão a sinalizar ao PR (que leva em conta os resultados eleitorais) que querem esse PARTIDO a chefiar o executivo, não o político A ou o líder B. E se, ao contrário da actual composição de maioria monopartidária, quiserem uma composição mais variada, isso também tem um significado político!
3. Um governo é um órgão colegial e, como tal, NÃO se esgota no primeiro-ministro. Portanto, o escrutínio final faz-se a TODO o governo (o que, no caso presente, inclui Mário Lino, Lurdes Rodrigues, Pinto Ribeiro, Jaime Silva, Manuel Pinho, Alberto Costa, Santos Silva e os outros). A avaliação até, por hipótese, pode ser positiva para o primeiro-ministro, mas a avaliação global de todas as pastas e todas as políticas ser negativa.
4. Se o que acabei de escrever é verdadeiro para o governo que vai ser escrutinado, também o é para o governo que lhe vai suceder, seja ele chefiado por quem for. É uma equipa e deixar de votar num partido porque o seu líder não é simpático ou jovem ou bem-falante é desprezar programas eleitorais, é ignorar o escrutínio ao actual governo, é tornar as eleições legislativas numa escolha de primeiros-ministros, o que é, no limite, inconstitucional (aliás, se não erro, só existe essa possibilidade em Israel, onde se vota separadamente para o líder do governo e para os deputados do parlamento).
5. Outras imprecisões, de cariz menos político-constitucional e mais político-partidário:
a) As “arquitecturas financeiras que inventou para esconder o desastre financeiro” que herdou e condicionaram todo o período de 2002/2004. Ou estamos, afinal, com memória selectiva? Já nos esquecemos em que circunstâncias ocorreram as eleições de Março de 2002? Convocadas após a demissão (quase inédita, tirando o caso de Pinto Balsemão nos idos 80) de um primeiro-ministro e foram consequência do início da crise interna que hoje vivemos (sim, o país está em crise há pelo menos oito anos).
b) O “sistema de avaliação muito mais injusto e ineficaz do que este que agora existe”? Mas ele é precisamente o mesmo (SIADAP), criado em 2004 e apenas “retocado” em 2007! Não devemos falar do que não sabemos… Ele não é nem mais justo nem mais eficaz agora do que a sua versão original, tendo apenas aperfeiçoado a fase da auto-avaliação, mudado o nome das menções qualitativas e dos limites das quantitativas e “repristinado” a Comissão Paritária, tudo, afinal, coméstica. As quotas permanecem.
c) Sobre “a tomada de assalto a todos os lugares de topo da Administração Pública” não me pronuncio porque não noto diferenças significativas entre o passado e o presente (sei do que falo pelo menos há 15 anos) e não tenho filiação partidária, por isso não acho que se os dirigentes de topo forem rosas são bons e se forem laranjas são maus (ou vice-versa)… Acho é que só poderá fazer essa crítica quem tiver mostrado pública e veemente indignação também com o “saneamento” (para usar a sua expressão) de dirigentes de topo qualificados e competentes pelos actuais ministros.
Por hoje chega. Vamos ajudar a qualificar melhor os eleitores com comentários e opiniões mais rigorosos e pedagógicos, mesmo que traduzam legitimamente as nossas convicções ideológicas ou simpatia partidárias?
Caro Luís ,
Subscrevo integralmente o que diz o “Núncio” e reforço o último parágrafo, bem elucidativo do que deve ser o comportamento de pessoas culturalmente desenvolvidas e adaptadas ao mundo moderno, em que o interesse público norteia as nossas convicções e ideais !!!
Tinha deixado de visitar o blogue devido a posts deste género, hoje decidi vir cá e logo o primeiro post que leio não me dá vontade de continuar a ler o resto. Até à próxima!
Disclaimer
Cada vez me convenço mais de que a riqueza das democracias reside na cidadania e no respeito que todos devemos ter pela opinião dos outros, incluindo o direito a influenciar.
É por isso mesmo que a minha tolerância aumenta na proporção do radicalismo dos outros, embora não me sinta obrigado a dialogar com quem se julga dono da verdade fazendo juízos da sabedoria dos seus interlocutores de quem não conhece história nem percurso.
Como um Blog não é uma escola, nem aqui se pretende dar aulas a ninguém, continuarei a expressar a minha liberdade como muito bem entendo, nuns dias melhor, noutros nem tanto, mas nunca condicionado até porque nunca me deixei condicionar nem sequer no tempo em que essa era a circunstância de muitos.
O direito a influenciar não pode ser exercido de forma que se confunda com manipulação ou condicionamento. Influenciar é argumentar, não é alimentar “campanhas negras” (a expressão não é minha) que prejudicam a democracia e o regime.
Tentei demonstrar, exaustivamente até, as fragilidades do seu texto, mas fiz questão de, porque é inteiramente verdade, notar que o leio regularmente e com agrado. Aliás, é-me mais prazeroso e estimulante dialogar com quem pensa diferente. Não preciso de ecos, não procuro encómios nem compro panegíricos.
Continue a expressar as suas liberdades, mas todos nós (cidadãos e eleitores) devemos recordar, todos os dias, que também temos deveres e obrigações. A ética e a deontologia moram na casa de todos nós, representantes ou representados.
Um blogue é, a meu ver, como uma casa aberta a quem venha por bem. Por muito que discorde de si, vim por bem. Recusar argumentar comigo é um sinal de que não sou bem-vindo. Muito obrigado pela atenção.
Núncio
As campanhas negras também não são expressão minha. Em parte alguma disse que “Os eleitores elegem primeiros-ministros”, “e deixar de votar num partido porque o seu líder não é simpático ou jovem ou bem-falante”. Insinuar que escrevi coisas dessas é que é manipulador.
Os juízos de valor e adjectivação ad hominem são seus. Exemplos transcritos do seu comentário: “um registo opinativo muito irregular”, “ao contrário de outros, é fraco, por muito parcial”, “ia escrever inverdades, mas não quero ser deselegante”, “é manipulador e constitui fraude constitucional”, “Não devemos falar do que não sabemos…” , etc.
Não sei o que é uma fraude constitucional. Não sei se o Núncio sabe se sei do que falo, ou não. Normalmente só falo do que sei e sei o que sei.
Estranhamente nenhum dos comentadores comentou o meu último parágrafo.
Não estou obrigado a imparcialidade. Estou aqui como blogger e não como jornalista (que não sou). Fui convidado por ser parcial e não por ser imparcial. Escrevo neste Blog porque tenho a minha própria opinião que, embora alinhada, não representa outros.
Os seus comentários são bem-vindos. Eu é que não me sinto na obrigação de responder a comentários que contenham juízos de valor, ou tentem reescrever o que eu próprio escrevi.
Cumprimentos
Obrigado pela resposta.
Acredite, se quiser, no que lhe digo: ouvir gente que pensa como nós é pouco estimulante. Este país precisa cada vez mais do contraditório, da argumentação filosófica, científica e política, da clarificação. Chega de pragmatismo, de águas mornas e de “consensos” sobre coisa nenhuma. E chega de conversas de café às segundas à noite.
Creio que não terá entendido inteiramente o meu comentário. Tudo o que ali escrevi não são insinuações nem ironias, é mesmo o que penso sobre as suas ideias e, em geral, sobre as eleições. Com factos e argumentos. E não lhos imputo. São meus. Todos os eventuais erros são da minha responsabilidade.
Se me permiti frases mais subjectivas e directas é porque sou assim, empolgado e empenhado. Mas nunca, creio eu, ultrapassando o limite da cordialidade e do respeito.
E claro que sou parcial, todos somos. É da condição humana. Nós somos um produto de muitos factores, emocionais, físicos, externos, internos, culturais, sociais, etc. Mas tento ser isento. Em nome de Portugal. Não quero que alguém que tenha a minha simpatia ganhe se achar que isso não serve o interesse nacional. Não vou denegrir A ou B só porque gosto mais de C.
E, para terminar, o erro aqui (e por isso disse que nem a Constituição permite essa leitura) é personalizar a eleição (JS vs. MFL). Às eleições concorrem partidos ou movimentos. Com programas, com apoios, com ideologias. Com um histórico de governo e oposição para ser escrutinado. Com registos éticos e filosóficos.
Mas, ainda que assim não fosse, deixo-lhe uma provocação (”fogo amigo”): em que critérios perde, afinal, MFL para JS? Em ética política? Em experiência de vida? Em competência técnica? Em oratória? Em capacidade de execução? Em competências linguísticas? Em habilitações académicas? Em resistência física?