
O PSD lançou um cartaz novo, anunciando a sua linha telefónica e o seu site de campanha. Choveram as críticas, os dichotes, os sarcasmos. Ele foi o fundo cinzento, ele foi o tailleur branco, ele foi a informação a mais, ele foi o site ainda não estar online, ele foi a comparação com linhas anti-suicídio, ele foi a glosa do “try again later”: tudo serviu para – como dizer – botar abaixo esta iniciativa do PSD.
Hoje à hora de almoço decidi eu próprio ligar para o 808 20 2009, para tirar as teimas. Qual não foi o meu espanto quando, em vez do anglo-saxónico “try again later”, fui acolhido em menos de 30 segundos por uma voz feminina com um sotaque agradavelmente norteinho – isto após o intróito gravado pela própria líder do PSD. A operadora colocou-me quatro questões para tratamento estatístico: idade, habilitações, concelho de residência e situação profissional – e depois deixou-me dizer umas verdades. E eu disse-lhas, naturalmente. No fim, ela recapitulou, sintetizando: então o que o sr. acha é coisa e tal, não é assim? E eu, sim, coisa e tal mas também tal e coisa, compreendeu? Sim sr. então a sua opinião ficou registada, muito obrigado e por aí adiante.
Comezinho? Nada mais falso. Claro que o hype participativo hoje em dia está todo no twitter e no facebook, e eu seria o último a dizer mal dessas ferramentas. Mas num país que está longe de estar na vanguarda das tecnologias, o telefone ainda é a forma mais genuína de suscitar uma interacção política mais abrangente, mais universal, mais democrática. É que basta mesmo fazer uma chamada de custo local para ser ouvido pelo PSD. E isso qualquer um pode fazer: desde o desempregado em Baião ao gestor das Amoreiras.
Podemos ignorar o alcance desta iniciativa enquanto incensamos qualquer caixa de comentários aberta por um partido mais cool na sua página internet. Mas para os cidadãos que pegarem no telefone para marcar o 808 20 2009, em termos de participação política esse será o primeiro dia do resto das suas vidas.
sobre o autor
Vasco Campilho tem 31 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico e no Câmara de Comuns. Actualmente, escreve no vascocampilho.net, no 31 da Armada e no Papa MyZena.
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{ 9 comments… leia-os abaixo ou comente também }
Se tiverem vidas curtas, Vasco.
Já agora,
O Paulo Rangel vai aparecer em algum cartaz ou ter algum WebSite?
Ou pelo menos um Twitter, ou um Facebook, um número para SMS ou o de chamada gratuita e de preferência com uma telefonista de voz feminina com um sotaque agradavelmente norteinho – isso após um intróito gravado pelo próprio candidato?
O PSD apenas está a mostrar o que muitos duvidam… Que sabe como ultrapassar a crise…
Pelo menos com o dinheiro das chamadas a entrar, não devem entrar em crise monetário em breve…
As chamadas são um custo para o PSD, e não uma receita…
Caro Vasco,
O PSD está de parabéns pela iniciativa que apesar de não ter tido o melhor arranque poderá contribuir para uma maior participação na política dos cidadãos. Estou à vontade para fazer este comentário porque sou candidato pelo MEP às europeias. Mas, tudo o que seja dar voz aos cidadãos deve ser reconhecido. Penso que é esta visão positiva da política que faz falta em Portugal. Convém, no entanto, registar e tratar adequadamente a informação trazida pelos eleitores, sob pena de a iniciativa se reduzir a uma mera operação de marketing. Espero que o PSD aproveite bem o contributo que os eleitores lhe possam dar e que o mesmo se traduza em propostas eleitorais ou legislativas concretas …
Vasco
Todas as iniciativas, que promovam a participação dos cidadãos são louvaveis. Agora fazer um outdoor com isso, é que não me parece nada normal. E nem acredito que o vasco aprove tal ideia, e tal outdoor.
António Rodrigues
Penso que esta actual estratégia do PSD para as europeias é lamentável na medida em que estamos a caminhar a passos largos para uma cada vez maior descredibilização da política em Portugal. Não sei qual foi a ideia dos conselheiros de Marketing da Dr.Manuela Ferreira Leite(agora conhecida como operadora de call center) ao colocar a secretária geral do partido como foco de popularidade tendo o PSD um candidato para o Parlamento Europeu,um tal Paulo Rangel.
Meus amigos isto é gozar com a politica e com os portugueses, como diria Marcelo Rebelo de Sousa:”Assim não!”.
Por acaso eu liguei para lá para denunciar a fortuna que o Alberto João da MAdeira gastou em viagens secretas.
Mas não me deram nenhuma resposta sobre isso.
Sempre pensei que a Verdade respondesse a alguma coisa.