Atrás da PortaDe todas as possibilidades levantadas para formação do próximo Governo, há uma que, logo à partida e conhecendo minimamente o tecido militante do PS, perece estar excluída: Uma coligação do Bloco Central em que o PSD indique o Primeiro-Ministro.

Seria uma solução nunca ensaiada em Portugal que poderia resultar de uma vitória do PSD que, somada aos resultados do CDS, não fosse suficiente para formar maioria absoluta.

A acontecer, significaria que os Partidos da designada Esquerda – PS, BE e CDU – deteriam a maioria dos representantes na Assembleia da República mas sem qualquer viabilidade de governar dado que tanto o BE como a CDU se assumem como partidos de contra-poder e ainda que, não só a actual direcção do PS parece indisponível para negociar acordos pontuais com essas forças, como também elas não se prontificam a negociar parte dos seus programas eleitorais.

Caso os resultados obtidos nas Europeias se mantenham proporcionalmente semelhantes nas legislativas, caminhamos para soluções que, a não se reverem posicionamentos de maior flexibilidade, irão acabar com a vida fácil do Presidente da República e serão geradoras de profunda instabilidade social.

Aos eleitores caberá, como sempre, decidir e decidirão, como sempre, bem. Mas deverão estar conscientes de que se as suas decisões forem pouco claras ficarão à mercê dos arranjos possíveis para garantir a governabilidade, alguns dos quais poderão ser antagónicos com o espírito do seu voto.

(evito sequer pensar num Governo PSD/PS/CDS)

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Luís Novaes Tito

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Luís Novaes Tito - técnico de Sistemas de Informação, Informáticos e de Gestão da Qualidade. Integra o corpo editorial da ops! revista de Opinião Socialista. Autor do blog a Barbearia do senhor Luis

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{ 15 comments… leia-os abaixo ou comente também }

1 Maverick47 15 de Junho de 2009 , 16:59

Foi essa a situação na Alemanha – e Schroeder teve de sair. Um Bloco Central liderado pelo PSD implicaria sempre a queda de Sócrates, que imagino ser o principal motor desse tecido militante anti-bloco-central-liderado-pelo-PSD..

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2 LNT 15 de Junho de 2009 , 19:33

Maverick47
Se Sócrates é o motor principal da impossibilidade de um governo PSD+PS então desta vez o PS está totalmente unido.

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3 Carlos Albuquerque 15 de Junho de 2009 , 18:53

Isto quer dizer que se pensarmos em BE, CDU e PS só pode existir estabilidade renovando a maioria absoluta de José Sócrates. Quem quiser uma solução estável mas não quiser a maioria absoluta de Sócrates só pode pode votar no MEP, no PSD ou no CDS.

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4 António da Costa 15 de Junho de 2009 , 21:30

No MEP porquê? porque ficaram à frente do MRPP? ou porque tiveram 1,48% em dia de fraca “freguesia”.

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5 Carlos Albuquerque 15 de Junho de 2009 , 22:08

Porque provavelmente elegerá pelo menos um deputado (2,31% em Lisboa elegem um deputado) e, pelo que vejo de perspectivas, pode até eleger mais. Porque se situa entre o PS e o PSD. Porque tem uma cultura de pontes e de responsabilidade que lhe permite pôr o interesse nacional acima de tácticas imediatas e assim pode viabilizar um projecto político moderado com ou sem coligações, quer com o PS quer com o PSD.

Isto pode significar que se pode contar com o MEP se não se quiser nem uma maioria absoluta de um partido nem cair nos extremos, seja à esquerda ou à direita.

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6 António da Costa 16 de Junho de 2009 , 0:56

Em Lisboa o MEP teve 2,31% com uma abstenção de 58,86%, nos distritos do litoral rondou os 1,40% com uma abstenção a rondar os 65% nos distritos do interior os 1,00% e a abstenção perto dos 70%, podemos aqui especular e dizer que o MEP vai manter esta mesma votação numas legislativas onde a abstenção não deve chegar aos 40%, mas também podemos especular em sentido contrário e dizer ” meus filhos vocês não têm vida para isto” pois “quando for eleições à séria, leia-se Legislativas” vocês quanto muito têm 1,65% em Lisboa, ou coisa que o valha, no entanto eu não sou o Zandinga nem você é a Maia (sem ofensa para o género) olhe…. a ver vamos.

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7 Carlos Albuquerque 16 de Junho de 2009 , 10:46

Caro António

Entre a certeza dos resultados (que só teremos depois das legislativas) e o recuso aos astros (que não é a minha especialidade nem a sua), podemos considerar alguns factores que me levam a estar convicto que o MEP terá nas próximas eleições uma representação parlamentar.

1 – Os 2,31% de Lisboa correspondem a 17383 votos. Mas transferindo estes resultados para as legislativas, não seriam precisos tantos votos para eleger um deputado. Bastariam 13800 votos. Em termos percentuais, bastariam 1,83%. Assumindo uma abstenção de 40%, isto significa que bastariam ao MEP 20700 votos para eleger um deputado por Lisboa. Mantendo os votos obtidos, basta ao MEP conquistar 3500 ou 4000 novos votos num universo de bastante mais de um milhão de eleitores para ter um deputado eleito em Lisboa.

2 – Os resultados do MEP pelo país estão directamente relacionados com a campanha do MEP. Onde houve mais campanha houve as maiores votações. Se a campanha do MEP até às legislativas não pode contar com muito mais meios financeiros, pode contar com mais tempo para a difusão das suas ideias e propostas, pelo que é de esperar um crescimento em todo o país (Lisboa incluída).

3 – A seriedade das legislativas é uma vantagem para o MEP, que se apresenta com uma postura moderada e construtiva. Entre uma nova maioria absoluta de José Sócrates e um novo governo PSD/PP, votar no MEP é uma forma de assegurar a eleição de deputados que assegurem a governabilidade do país, sem extremismos nem arrogâncias.

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8 Núncio 15 de Junho de 2009 , 22:17

Agitam-se as hostes. Os fantasmas da “ingovernabilidade” voltaram para aterrorizar os desprevenidos. Como se não houvesse coligações grandes e pequenas por essa Europa fora (Alemanha, Holanda, Espanha, Suécia, Áustria,Itália, França, etc.) e não consta que, mesmo em tempos de crise, esses Estados estejam ingovernáveis.
Nada mais perigoso do que este discurso. Em democracia, todos os votos contam e da sua soma resulta a vontade popular. E ela é o melhor intérprete do interesse nacional. Que pode muito bem ser o fim de maiorias absolutas monopartidárias. E se for? Morre alguém?

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9 LNT 16 de Junho de 2009 , 1:17

Penso que não, Núncio. Não deverá morrer ninguém, espero. No entanto já tivemos experiências dessas e os resultados não foram famosos. Basta contar os Governos que já houve em Portugal depois de 1974. Isso somado à actual situação do País não me faz ter grandes esperanças.

Repare que até sou adepto de acordos de governação, de preferência, acordos parlamentares de esquerda. Vejo-os difíceis, mas como disse “Aos eleitores caberá, como sempre, decidir e decidirão, como sempre, bem.”

Entendo no entanto que um acordo PS/PSD será contranatura dado que estes dois Partidos deverão ser alternativa e não alternância e muito menos Bloco. Mas a tese que apresento é ainda outra: Um acordo PSD/PS, isto é um bloco central com o PSD como força maioritária. O tecido que compõe o PS fragmentar-se-ia.

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10 José Manuel Faria 15 de Junho de 2009 , 22:28

“tanto o BE como a CDU se assumem como partidos de contra-poder”. Onde é que leu este disparate?
“Aos eleitores caberá, como sempre, decidir e decidirão, como sempre, bem. Mas deverão estar conscientes de que se as suas decisões forem pouco claras ficarão à mercê dos arranjos possíveis para garantir a governabilidade, alguns dos quais poderão ser antagónicos com o espírito do seu voto.”
Este parágrafo é de antologia!

O eleitor decide sempre bem, mas o seu voto poderá ser contra si, caso não votem nos partidos do “arco governativo”.

Imagine-se que poderá existir 1 000 000 de tontos no Portugal da governabilidade.

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11 LNT 16 de Junho de 2009 , 1:26

José Manuel,
1º Parágrafo – Indique-me uma única declaração do BE ou da CDU onde se mostrem dispostos a colaborar em parceria entre si ou entre si e o PS.
2º Parágrafo – Ainda bem que entende ser “de antologia”. Olhe para a História recente e constate as linhas de antologia que foram praticadas nas três últimas décadas.
3º e 4º Parágrafos – A frase do 1.000.000 de tontos é sua.
Sem comentários.

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12 José Manuel Faria 16 de Junho de 2009 , 12:01

LNT,
1 -Mostre uma declaração de Sócrates a afirmar com quem se coliga. Talvez logo.

2 – O BE tem 10 anos.

3 – Há o voto e o espírito do seu voto. Os partidos não são donos dos votos. Nunca, mas nunca se deve condicionar a sua vontade. O PM lá vai insistir na maioria absoluta, ingovernabilidade, etc, etc.

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13 LNT 16 de Junho de 2009 , 13:13

1- O seu 1 nada tem a ver com o meu 1. Não respondeu, limitou-se a tentar iludir.
2- O Pai Natal é barbudo. Agradecido, mas já se sabia, para quem acredita em Pai Natal, claro. Mesmo os que não acreditam já conhecem os BE(s) todos antes de serem um só BE. Alguns deles até têm representação parlamentar há mais de 20 anos. chamavam-se UDP para os esquecidos.
3- Os votos têm dono que são os Partidos que os receberam. O que os votos não têm, é espírito, porque só têm cruzes. Quem tem espírito são os eleitores e os eleitores não têm dono (ou, pelo menos, nas democracias não o têm).

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14 José Manuel Faria 16 de Junho de 2009 , 19:48

O BE e a CDU dizem o mesmo que o PS. Se vencerem governam.
A UDP+ PSR+PXXI é igual a 10,7%!. Sabe também como todos que o BE é muito mais que os partidos que estiveram na base da sua fundação.

O voto é do Partido, e o espírito do eleitor que votou pode ser contrário ao resultado de quem fez uso dele, o partido. Pois, por isso é que há o eleitor e o eleito.

15 tiago dias 16 de Junho de 2009 , 14:43

Luis,
Falo pelo menos pelo que conheço da CDU,como sabe durante muitos anos foi feita coligação na camara municipal de Lisboa,quer com Jorge Sampaio quer com João Soares.
Agora como o Luis certamente concordará esse PS não é o mesmo do que actual,e para uma possivel coligação governamental o PS teria de mudar muito para ter apoio da CDU e do BE.
O PS é que nao se define,ainda actualmente se discute se deve virar a esquerda ou ao centro(porque segundo uns aí é que se ganha eleições).
Com este PS eu não gostava de ver uma coligação por parte da CDU,embora quisesse que a CDU podesse ser parte do governo,mas não a qualquer custo,porque não se deve negociar lugares,mas sim negociar politicas

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