“(…) Felizmente as escolhas não se esgotam aqui: há vários meses que Rui Marques, militante de sempre das causas sociais e recém alto-comissário para a Imigração e o Diálogo Intercultural, tem vindo a construir um programa político alternativo e mobilizador consubstanciado na criação do Movimento Esperança Portugal (MEP). Tratase de um trabalho de formiga notável a que ainda não foi dado o devido reconhecimento e realce pela comunicação social e pelos politólogos cá do burgo.
Rui Marques evita como pode a classificação do MEP enquanto esquerda ou direita e, se forçado a responder, coloca o partido ao centro. Compreende-se a opção política, mas talvez seja mais que isso: na última década o Bloco de Esquerda conseguiu identificar em definitivo as causas fracturantes e o papel preponderante do Estado na economia com a marca de uma governação à esquerda. O PS, como se vê, é obrigado a assumir essas bandeiras para estancar o crescimento da esquerda radical, e é bom que o faça, pois é pouco salutar para o sistema democrático que partidos que na sua essência são contra a economia de mercado obtenham, no seu conjunto, votações na ordem dos 20 por cento. Mas de tanto virar à esquerda, cria um vazio ao centro, deixa órfãos aqueles que, como eu, defendem a justiça social mas não acreditam em engenharia social, aqueles que preferem combater a pobreza a combater os ricos. Para esses, o MEP representa a possibilidade de não votar à direita, e mesmo assim defender uma “sociedade de famílias”, com uma “democracia mais próxima do cidadão”, num “mundo interdependente e solidário”.
Perante o quadro complicado que poderá emergir das eleições, o MEP é a solução de compromisso, capaz de fazer pontes à esquerda – que impeçam o PS de fazer uma política demasiado subserviente a dogmas jacobinos – ou à direita, que obriguem o PSD a respeitar uma “mesa com lugar para todos”. “
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“Ao longo da última legislatura, enquanto o PSD triturava líderes, muito se falou sobre a crise da direita, quando de facto a verdadeira crise ideológica se vive, de há muito, à esquerda, no PS.
Terá começado com António Guterres e a procura inglória de uma Terceira Via que resgatasse o PS da matriz marxista que o marca desde a sua fundação. Esse esforço foi minado de forma eficaz pela JS – por razões de afirmação pessoal da sua liderança – e pela esquerda do PS, liderada por Manuel Alegre.
Após as eleições legislativas de 2002 apresentei no artigo de opinião “O guterrismo e a esquerda”, publicado neste jornal, o meu contributo para o debate em curso no PS acerca do rumo a seguir, procurando marcar as diferenças por um lado à esquerda, onde um Bloco em crescendo afinava o seu canto da sereia, e por outro à direita, acabada de chegar ao poder.
Escrevi então, entre outros, que “ser de esquerda não significa ter como bandeira as questões ditas fracturantes”, sublinhando também que “não compete ao Estado a realização de todas as funções públicas, mas tão-só, e não é pouco, a sua regulação”. Sete anos volvidos, o PS não se conseguiu reinventar e, por convicção de alguns e oportunismo de outros, mantém-se agarrado a estas velhas bandeiras do passado.
Há duas razões para o fazer: desde logo são opções que merecem amplo consenso entre os militantes e depois, juntos, os partidos à esquerda do PS somam já cerca de 20 por cento do eleitorado. Donde, mesmo que eu tivesse deixa razão, e pudesse haver outro caminho, ao PS . falta margem de manobra para o ensaiar. Afinal, sou eu que já não moro ali – chegou a hora de partir.
No entanto, à direita, o panorama é desolador: o PSD, apesar de alguns esforços pontuais de construção de uma alternativa política sólida e consistente – desde logo no Instituto Sá Carneiro -, preferiu fiar-se na máxima de que as eleições não se ganham, perdem-se, que tão bons resultados trouxe a Durão Barroso, sendo difícil disfarçar a falta de rasgo, energia e criatividade com que se apresenta a eleições.
De resto, ao olhar para os partidos com representação parlamentar, dos cinco líderes partidários, quatro já o eram em 2005 e a novidade – Manuela Ferreira Leite -, como alguns cartazes de campanha bem lembram, já por cá anda há 18 anos, tendo recuperado para cabeças-delista de vários distritos outras tantas vetustas figuras. Felizmente as escolhas não se esgotam aqui: há vários meses que Rui Marques, militante de sempre das causas sociais e recém alto-comissário para a Imigração e o Diálogo Intercultural, tem vindo a construir um programa político alternativo e mobilizador consubstanciado na criação do Movimento Esperança Portugal (MEP). Tratase de um trabalho de formiga notável a que ainda não foi dado o devido reconhecimento e realce pela comunicação social e pelos politólogos cá do burgo.
Rui Marques evita como pode a classificação do MEP enquanto esquerda ou direita e, se forçado a responder, coloca o partido ao centro. Compreende-se a opção política, mas talvez seja mais que isso: na última década o Bloco de Esquerda conseguiu identificar em definitivo as causas fracturantes e o papel preponderante do Estado na economia com a marca de uma governação à esquerda. O PS, como se vê, é obrigado a assumir essas bandeiras para estancar o crescimento da esquerda radical, e é bom que o faça, pois é pouco salutar para o sistema democrático que partidos que na sua essência são contra a economia de mercado obtenham, no seu conjunto, votações na ordem dos 20 por cento. Mas de tanto virar à esquerda, cria um vazio ao centro, deixa órfãos aqueles que, como eu, defendem a justiça social mas não acreditam em engenharia social, aqueles que preferem combater a pobreza a combater os ricos. Para esses, o MEP representa a possibilidade de não votar à direita, e mesmo assim defender uma “sociedade de famílias”, com uma “democracia mais próxima do cidadão”, num “mundo interdependente e solidário”.
Perante o quadro complicado que poderá emergir das eleições, o MEP é a solução de compromisso, capaz de fazer pontes à esquerda – que impeçam o PS de fazer uma política demasiado subserviente a dogmas jacobinos – ou à direita, que obriguem o PSD a respeitar uma “mesa com lugar para todos”. “
sobre o autor
Rui Cerdeira Branco É economista, tem 34 anos, edita o Adufe e o Economia & Finanças. É militante do MEP - Movimento Esperança Portugal . Colabora ainda no blogue de MEP Melhor É Possível. Pode segui-lo no twitter em http://twitter.com/RuiMCB.
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Excelente o artigo de Vieira e Sousa! Obrigado ao Rui pelo serviço público!
Vou contribuir com o meu voto com a árdua esperança de que Melhor É Possível com Rui Marques e com o MEP.
Para quem diz que é muito mau ter de escolher entre Sócrates e Ferreira Leite, já não é obrigatório escolher entre os dois sem ser obrigado a ir para forças extremistas. Já podem optar pelo MEP. Se o MEP eleger deputados em 27 Setembro, vai ser um caso sério nas próximas legislativas.
O MEP tem lugar para cada cidadão anónimo que quer dar o seu contributo por um portugal melhor! Construir Portugal é um dever de cada um de nós…e com o MEP há espaço para isso…penso eu :D