Autárquicas 2009
Hoje às 7h00 terminou a última etapa da maratona eleitoral que se produziu em Portugal, primeiro com as Europeias, pelo meio as Legislativas e hoje a última “ronda” ou “batalha” as Autárquicas, de facto o sufrágio de hoje é de longe o que mais próximo está das populações, mais próximo que as Legislativas e muito mais além das Europeias.
As autárquicas representam nas pessoas a eleição dos órgãos com que mais se identificam e, na hora de votar, para muita gente, a escolha não recai na força política em si, mas nas pessoas que as encabeçam, como tal a campanha das últimas duas semanas sejam encaradas de forma mais pessoal, assiste-se a um forte personalização das campanhas e em torno das listas propostas. Não obstante do forte mediatismo que acarreta em alguns municípios, no grosso dos órgãos autárquicos produz-se uma reflexão com base na personalidade do cabeça de lista e, isso vê-se especialmente em localidades no interior e de menor dimensão.
Quando se analisam concelhos mais populosos e com maior notoriedade, este conceito de proximidade vai-se esvaindo, isto é, o mediatismo toma conta do processo de campanha autárquica e as bases tradicionais da confiança esfumam-se. Em que os expoentes máximos se encontram em Lisboa, Porto e suas regiões metropolitanas e nos concelhos mediáticos nos quais os concelhos com cabeças de lista envolvidos com a justiça, são os protagonistas. Nestes campos a perversão do sistema é mais visível e as pessoas não são mais do que marionetas neste jogo de marketing em que se transformam as autárquicas.
Por último, não podemos esquecer os vários pesos e medidas que envolvem estas campanhas, não é difícil imaginar que os aparelhos autárquicos tenham grande influência nos resultados que as campanhas produzem, não esquecendo claro o protagonismo que os cabeças de lista têm, mas que sem esse apoio, sem o suporte desses aparelhos, um homem com carisma, não obterá o máximo que poderia. Neste campo, o PS e PSD levam a dianteira, são gastas grandes somas nas campanhas, que involuntariamente não podem ser acompanhados pelos concorrentes. Uma vez mais esse factor é mais perturbador das campanhas nos concelhos mais populosos e onde esse marketing autárquico é por demais evidente.
Ainda que grande parte da população não tome parte activa na eleição, ou porque vota em branco ou nulo, ou porque simplesmente não exercem esse direito que o 25 de Abril trouxe, ainda que muitos dos que vão votar, não tenham conhecimento a 100% do fundo da questão que representam estas eleições, estou convicto que algures por aí ainda existam pessoas que as encaram com seriedade e por tanto, talvez ainda haja um resquício de esperança para Portugal.
sobre o autor
Virgilio Alves Estudante de Gestão de Empresas em Instituto Politécnico de Tomar no primeiro ano, 19 anos de idade. Morador em Tomar. Participou no projecto Thomar Vrbe (projecto da Universidade Aveiro inserido no concurso Cidades Criativas dirigido aos alunos do 12.º ano de escolaridade). http://thomar-vrbe.blogs.sapo.pt http://tomar-sentido.blogs.sapo.pt
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No balanço nacional as coisas no fundamental mantém-se:
O PSD com mais câmaras e mais freguesias. E entre os dois o PS teve mais 20 câmaras e o PSD menos 20 câmaras.
E a CDU reafirmou ser uma grande força política nacional e a grande força de esquerda no poder local.
Na CDU foi triste a perda de Aljustrel, Beja e Marinha Grande mas soube muito bem recuperar Alpiarça, Crato e Alvito. Estivémos quase a ganhar Évora, (Mértola (48%) e Cuba (46%), mantivémos uma notável resistência nos grandes centros urbanos – Sintra, Oeiras, Lisboa e Porto. Foram muito gostosas as vitórias em Almada, Sesimbra e Setúbal.
No geral subimos nuns lados, baixámos noutros , aguentámos nos centros urbanos importantes e confirmámos sem margem de dúvida que somos a grande força de esquerda no poder local e uma grande força política nacional.
E espero que depois desta re-afirmação brilhante da força da CDU a nível nacional e no poder local acabem com o fado velho de mais de 20 anos de muitos coveiros frustados.
A CDU está viva e bem viva, mostrou que está para ficar e para ficar com os mais de 600.000 eleitores que confiaram na CDU para gerir as suas autarquias locais.
E que socialistas e sociais-democratas se deixem agora de farsas pois já não têm desculpas para a gestão de Lisboa e do Porto.
Denunciei aqui a campanha de assustamento que Costa andou a fazer em Lisboa com o fito de obter a maioria absoluta. Calculo que muitos que nele votaram para a Câmara e que votaram na CDU nas freguesias repararam agora que afinal o Ruben e a CDU falaram verdade e que sentem que nada ganharam com a maioria absoluta que o PS obteve.
A CDU é a força indispensável para a defesa dos serviços públicos, do bem público que é a água – e que mais de 40 municípios do PS e do PSD já privatizaram, tornando-a mais cara -, e dos interesses das populações. É a força que faz falta para fiscalizar a actividade autárquica.
É tempo de acabar com o fado da bipolarização hegemónica. A CDU é a grande força de esquerda do poder local e é-o pelo grande valor do seu trabalho autárquicos e pela honestidade, competência e isenção dos seus eleitos. E o que alcançámos foi a pulso, sem colo nem cavalitas.
Vale a pena apostar na CDU. Vale a pena apoiar a CDU!