Eleições Assembleia da República – 1995 (II)

de Leonel Vicente 18 de Setembro de 2009 | Legislativas

Ausente do governo desde 1985, foram necessários 10 anos de “travessia do deserto” na oposição, para que, nas eleições de 1 de Outubro de 1995, o PS voltasse a assumir o papel de maior partido nacional, conquistando uma “nova maioria” (relativa…), com a sua mais expressiva votação de sempre, superando o fundador Mário Soares.

O PS registaria (algo inesperadamente) um crescimento “estrondoso” (praticamente mais um milhão de votos), de 29 % para cerca de 44 %, que se pensava poderia ser suficiente para lhe proporcionar a ambicionada maioria absoluta, o que contudo não se verificou, aumentando o seu número de deputados, de 72 para 112 (a 4 do objectivo), no que foi então interpretado como a vontade dos portugueses de evitar “abusos de poder” associados à governação da anterior maioria.

O PPD/PSD, “órfão” de Cavaco Silva, sob a (efémera) liderança de Fernando Nogueira (que, na sequência dos resultados eleitorais, logo apresentaria a sua demissão), caía de 50,6 % para 34 %, reduzindo a sua representação parlamentar, de 135 para apenas 88 deputados.

Beneficiando da queda do PPD/PSD, o “novo” CDS-PP, liderado por Manuel Monteiro (tendo Paulo Portas como “inspirador”, com uma política assumidamente de direita) conseguia, invertendo a tendência dos últimos anos, voltar a “recolocar-se no mapa”, somando 9 % dos votos (contra os 4,4 % das duas anteriores eleições legislativas), crescendo de 5 para 15 deputados.

A coligação PCP-PEV continuava a sua luta na tentativa de resistência ao declínio, baixando ligeiramente, de 8,8 % para 8,6 %, o que se traduzia numa diminuição de eleitos, de 17 para 15 deputados.

O “voto útil” no PS retirara aos pequenos partidos de esquerda qualquer possibilidade de representação parlamentar. Na sequência de repetidos insucessos (desde as eleições de 1980), a histórica UDP e o mais recente PSR acabariam por compreender a necessidade de unir esforços, o que viria a levar à formação do Bloco de Esquerda.

PS – 2.583.755 (43,76%) – 112 deputados
PPD/PSD – 2.014.589 (34,12%) – 88 deputados
CDS/PP – 534.470 (9,05%) – 15 deputados
PCP/PEV – 506.157 (8,57%) – 15 deputados
PCTP/MRPP – 41.137 (0,70%)
PSR – 37.638 (0,64%)
UDP – 33.876 (0,57%)
PSN – 12.613 (0,21%)
PG – 8.279 (0,14%)
MPT – 8.235 (0,14%)
PPM-MPT – 5.932 (0,10%)
MUT – 2.544 (0,04%)
PDA – 2.536 (0,04%)

Inscritos – 8.906.608
Votantes – 5.904.854 – 66,30%
Abstenções – 3.001.754 – 33,70%

Fonte: CNE

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sobre o autor

Leonel Vicente Na blogosfera desde Junho de 2003, autor dos blogues: Memória Virtual, Tomar, Carreira da Índia e - o mais recente entusiasmo - União de Tomar. Também no Twitter.

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