Dos pilares do sistema e da treta (e, contudo, ela move-se)

de Rui Cerdeira Branco 23 de Abril de 2009 | Legislativas

Excertos da crónica de hoje de Nuno Garoupa (que me fez recordar Jorge Coelho que chegou a propôr o fim dos movimentos de cidadãos que podem ir a eleições nas autarquias):

“(…) O primeiro pilar do nosso sistema eleitoral é evidentemente a hegemonia dos actuais partidos, em particular do PS e do PSD. A possibilidade de candidaturas independentes às autarquias foi de tal forma um susto que existe mesmo quem proponha acabar com elas, em nome da qualidade da democracia claro. Chegou-se mesmo a dizer que os independentes não são independentes. Os mesmos que adoram falar dos ministros “independentes”, dos deputados “independentes”, dos ideólogos “independentes.” (…) Depois do que aconteceu em Lisboa com os maus resultados do PS e do PSD em detrimento das candidaturas independentes, o destino ficou traçado. Nem independentes, nem partidos regionais, nem círculos regionais que coloquem em perigo a hegemonia dos velhos partidos, nem qualquer tipo de flexibilidade que facilite a formação e financiamento de novos partidos. Nem mesmo a possibilidade de listas abertas ou voto preferencial consegue ter aceitação. Mas também não surpreende. O segundo pilar do nosso sistema político é a centralização de todas as decisões nas lideranças nacionais. (…) Na verdade, o Governo transformou-se em poder legislativo e executivo enquanto a Assembleia da República tem uma função decorativa que, quanto muito, permite algum que outro espectáculo nas sessões plenárias. A introdução de qualquer influência dos eleitores na escolha dos deputados irá naturalmente prejudicar as lideranças partidárias, e dificultar a distribuição de sinecuras entre os “apparatchiks”.

Quem pensa que não votar ou ao votar em branco ou nulo é uma forma de protesto anda muito enganado. Porque a preocupação do primeiro-ministro e dos partidos políticos com a abstenção acaba na noite eleitoral. A abstenção em Portugal está hoje em níveis deprimentes para uma democracia com 35 anos. E, no entanto, os dois maiores partidos não fizeram nenhum esforço de reformar politicamente o nosso sistema democrático. (…)”

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Rui Cerdeira Branco

sobre o autor

Rui Cerdeira Branco É economista, tem 34 anos, edita o Adufe e o Economia & Finanças. É militante do MEP - Movimento Esperança Portugal . Colabora ainda no blogue de MEP Melhor É Possível. Pode segui-lo no twitter em http://twitter.com/RuiMCB.

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1 Jorge Assunção 23 de Abril de 2009 , 16:09

As crónicas do Nuno Garoupa no Jornal de Negócios têm sempre uma qualidade e frescura acima da média do que se lê por aí. Aproveito também para recomendar o que ele vai escrevendo no Blog da Sedes:
http://www.sedes.pt/blog/?author=47

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