De como financiar um novo partido: as dívidas do MEP

de Rui Cerdeira Branco 29 de Setembro de 2009 | Legislativas

MEP tem por estes dias no seu sítio na net um desafio, que não é novo diga-se mas que agora se renova, chamamos-lhe “As dívidas dos MEP: Vozes solidárias“. Na prática damos nota dos contributos financeiros que começaram a chegar assim que se soube que não iriamos ter financiamento público e convidamos todos os que entenderem a utilidade futura do MEP que nos ajudem a pagar solidariamente o empréstimo que serviu para financiar duas campanhas eleitorais.

Depressa surgiram acusações como estaPara quem tinha um discurso de renovação dos hábitos políticos, o Partido de Rui Marques falhou. Tiveram muito tempo para ANTES das eleições angariarem dinheiro para esta campanha. Chegada a altura seria esse o dinheiro com que contariam para realizar a mesma. Gastarem €200,000 na esperança que os mesmos sejam doados pelos simpatizantes APÓS as eleições não é nem novo, nem inovador, nem refrescante: é mais do mesmo.

Permitam-me a seguinte resposta:

O pagamento da dívida está assegurado por aqueles que arriscaram e contrairam o empréstimo como fiadores. Ninguém empresta dinheiro a ninguém sem essa condição, muito menos a partidos políticos. Serão assim tantos os portugueses colocam o seu património pessoal no prego para criarem (e lutarem por) aquilo em que acreditam?
O que se pede é que quem simpatiza, quem é membro ou acha que há um lugar na política portuguesa para o MEP, se quotize e ajude a pagar partilhando a despesa e lançando as bases para os próximos anos.
Se, sempre que, como comunidade, agissemos de forma responsável e solidária e nos fosse permitido julgar o sentido ou não de um investimento/contributo, não teríamos mais do mesmo, teríamos uma sociedade mais bem gerida, mais convivida e eficiente. Cabe a cada um pela sua acção ou omissão dizer também pela via do financiamento se faz sentido apostar no MEP.
Quem, além dos fundadores, poderia saber o que queria ser o MEP há um ano e meio quando começou? Quem estaria então disponível para ajudar, no escuro, uma proposta que desconhecia inteiramente?
O MEP desde sempre pediu apoio financeiro a quem o quisesse endossar, mas sabemos que um partido não é exactamente um investimento imobiliário nem tão pouco é um investimento com retorno imediato no curto prazo. Talvez por isso hoje estejamos a receber donativos e contribuições como não recebemos no último ano e meio. Hoje é mais fácil para muitos saberem o que é que pode vir a ser o MEP na vida política portuguesa. Sem contributos do Estado, apenas com o dinheiro e disponibilidade de quem o quer como alternativa e afirmação de renovação na vida política portuguesa.
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Rui Cerdeira Branco

sobre o autor

Rui Cerdeira Branco É economista, tem 34 anos, edita o Adufe e o Economia & Finanças. É militante do MEP - Movimento Esperança Portugal . Colabora ainda no blogue de MEP Melhor É Possível. Pode segui-lo no twitter em http://twitter.com/RuiMCB.

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1 António da Costa 29 de Setembro de 2009 , 18:03

Rui Cerdeira

Vou deixar-lhe aqui o testemunho recente da Campanha às Presidenciais de Manuel Alegre, sei que Manuel Alegre solicitou um empréstimo bancário para financiar a campanha, se por acaso não viesse a subvenção do estado ele hoje estaria a pagar esse empréstimo, sei que como ele também aconteceu com outros, dai se dizer “Quem vai ao mar havia-se em terra!”

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2 Rui Cerdeira Branco 29 de Setembro de 2009 , 19:35

E certamente se a coisa desse para o torto os apoiantes de Alegre não o deixariam sozinho a pagar a conta :-)

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3 António da Costa 29 de Setembro de 2009 , 19:56

Ou se calhar deixavam tirando algumas excepções que julgo o fizeram por antecipação.

Existe também quem já pagasse do seu próprio bolso, Freitas do Amaral.

No entanto é um risco que se corre, e que Manuel Alegre irá correr daqui a 2 anos.

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4 Rui Castro Martins 29 de Setembro de 2009 , 23:29

Por acaso até nem vejo problema nenhum na forma de proceder deste novo partido.
Problema veria se, como acontece em muitas campanhas (de partidos e autarcas independentes), “aterrassem” lá à porta malas cheias de dinheiro, para mais tarde reaver, através dos favores e contratos do costume …
Será que alguém acredita em “financiamentos à farta” verdadeiramente desinteressados, para este tipo de actividades.
Se o MEP tivesse chegado, ao fim da sua campanha, sem dívidas teríamos agora muita gente a questionar, em jeito de insinuação, de onde teria vindo o dinheiro.
Enfim … “preso por ter cão …”

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5 Manuel Pintor 30 de Setembro de 2009 , 0:42

Sinceramente, não estou a ver onde possa estar o problema de algumas pessoas contribuirem voluntariamente para as despesas de uma campanha, mesmo que a posteriori, nem de qualquer partido, o MEP ou outro, as aceitar. Mesmo que os dirigentes tenham garantido com o seu património a totalidade dessas despesas. É “apenas” uma questão de solidariedade por parte de quem a quer (e tem condições para) dar.
Problema seriam financiamentos pouco claros, como dito por Rui Castro Martins. Problema seria também se o MEP clamasse por uma “ajudinha especial” do Estado ou de qualquer organismo que significasse aceder a “dinheiro dos n/impostos”, para suprir um déficit que não esperava e para que, hipoteticamente, não estivesse preparado. Mas não é disso que se trata, quer se tenham, ou não, aviado em terra antes de partir para o mar alto.
Naturalmente, parece haver espaço para quem o não queira fazer, sem que, com isso, lhe seja colado qualquer anátema ou algum outro tipo de diferenciação. O contrário seria de condenar.

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6 Mário Santos 2 de Outubro de 2009 , 12:39

De qualquer das formas, dá mau aspecto depois daquela comparação entre finanças familiares e gestão da finanças do país, a propósito do TGV. Não estou a ver ninguém a gerir as finanças da família assim. Teria sido bom assumir publicamente o empréstimo de início, deixando claro como estavam a pensar pagá-lo, assumindo que não ía haver subsídio do estado. Assim não ficava a ideia de uma certa inconsciência.

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7 Rui Cerdeira Branco 3 de Outubro de 2009 , 23:24

Maria Santos: o empréstimo foi assumido publicamente em éne ocasiões em resposta a jornalistas precisamente para que se percebesse o grau de empenho no projecto. É natural que a Maria não saiba. Ficou a saber.
O empréstimo está assegurado por uma garantia identica em dinheiro. Se tivessemos eleito à primeira poderia agora ser revertido, não tendo acontecido das duas uma; ou se amortiza o empréstimo com o capital garantia ou se consegue que solidariamente que outros aceitem partilhar o encargo. Se não tivesse existido o grupo inicial de empreendedores, com dinheiro, com ideias, com mão-de-obra, com sacrifício nada se teria feito. Em minha casa também já reparei que é assim. Talvez seja exactamente este um dos problemas do país como alias o MEP tem destacado: é preciso mais propensão ao risco, por um lado, e mais tolerância perante os revezes que vão aparecendo. O sucesso deve muito a persistência, à inovação, à aprendizagem e também à capacidade de trabalhar em equipa e de ser solidário.

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8 Manuel Pires 8 de Outubro de 2009 , 17:01

Eu não estou de acordo com o financiamento estatal nem a «partidos» nem a eleitores.
Que vivam e façam as campanhas com os seus próprios recursos e dos apoiantes!

Depois os que ganharem recebem já um bom vencimento, além de vários privilégios.
Os que perderem é um risco que correm. Os simpatizantes, se quiserem poderão ajudá-los, mas não com o dinheiro do Estado (aliás dos nossos impostos) ! Para votar temos que pagar nos impostos, cerca de 12€. Até parece que estamos numa «cleptocracia».

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