Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O PS ganhou as eleições. A comprová-lo está o facto do Presidente da República vir a convidar Sócrates para formar o próximo Governo.
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O PSD perdeu as eleições. Não só para o PS, como para o CDS/PP. A demagogia da mentira da verdade, o conservadorismo de Ferreira Leite, a intriga, a conspiração, a maledicência, a falsidade e a arrogância foram fortemente penalizados pelos eleitores.
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O CDS/PP ganhou o prestígio da direita que há mais de duas décadas não tinha. Derrotou o PSD retirando-lhe uma boa fatia do eleitorado, contribuiu para esvaziar a maioria absoluta ao Partido Socialista e marcou a diferença entre a direita civilizada e a outra que estava convencida que tudo valia para atingir os seus fins.
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O BE ganhou o prestígio da extrema-esquerda. Nunca em Portugal, nem sequer no tempo do PREC, a extrema-esquerda tinha conseguido tão bons resultados. Passou o PCP em importância e implementação, contribuiu para retirar a maioria absoluta ao Partido Socialista e demonstrou que o enquistamento do PCP num modelo recusado em todo o Mundo é o corolário das doutrinas retrógradas que os comunistas insistem em considerar como válidas.
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. O PCP é o grande derrotado da esquerda. Perdeu posições para todos, deixou de ser a referência da esquerda das esquerdas.
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação. A democracia é, continua a ser, o regime de preferência da esmagadora maioria dos portugueses. Derrota os abstencionistas, derrota a extrema-direita, derrota os defensores do não-voto. Confirma que o poder está nas nossas mãos, ainda que seja só no momento das escolhas.
Simultaneamente publicado nos:
a Barbearia do Senhor Luís (a minha casa); SIMpleX (de quem me despeço já com saudades); Eleições2009/o Público (onde ainda faltam as autárquicas); Cão com tu (onde estarei em força após os períodos eleitorais) e numa outra coisinha que ainda não posso divulgar (mas falta pouco para o fazer).
sobre o autor
Luís Novaes Tito - técnico de Sistemas de Informação, Informáticos e de Gestão da Qualidade. Integra o corpo editorial da ops! revista de Opinião Socialista. Autor do blog a Barbearia do senhor Luis






{ 6 comments… leia-os abaixo ou comente também }
56,9% votaram pelos mesmos políticos e a mesma política, com uma pequena alteração na distribuição de cadeiras, dada a derrota dos 2 grandes partidos. De salientar que o PS obteve os votos de 2002 em que perdeu as legislativas para o PSD, mas ontem obteve uma GRANDE vitória, pois…
43,1% não votaram naqueles por tudo e mais alguma coisa, embora só 3,7% manifestassem através do voto branco, nulo ou nos restantes partidos, o que é francamente negativo, porque se todos o tivessem manifestado no voto, talvez o resultado fosse completamente diferente. Quem sabe se a democracia em Portugal não ganharia com a presença de 1 deputado por cada pequeno partido.
Nestes próximos dias vamos assistir ao folclore da formação de um novo parlamento, cheio de caras lavadas, deputados com os bolsos cheios de promessas, para a mais sinistra cena de formação de um governo de um partido apoiado por 22% dos eleitores do PS, e quando estes tiverem em crise para aprovar uma lei em defesa dos interesses do poder económico, lá terão o apoio dos outros 17% eleitores do PSD, calando os outros 17%, aliás estes nem sabem o que dizem porque são da extremas esquerda e direita, “tadinhos” nem sabem qual é a responsabilidade de governar este país, condenado eternamente a ser a cauda da europa.
Continuo a aguardar que me digam quais são os desgraçadinhos dos países europeus, de preferência aqueles que são uma democracia já consolidada, que dependem de governos minoritários.
Eu, pacientemente, vou acreditando que este meu país terá futuro, quando o povo acreditar no poder da democracia!
Extraordinário : «o PCP perdeu posições para todos» (também para o PS ou PSD ?». Mas o que é isto de, em legislativas, «perder posições». Julgava eu, estupida e ultrapassadamente, que neste tipo de eleição as perdas se deviam referir a percentagem, a votos e a deputados (três coisas que o PCP não perdeu para ninguém).
“O PCP é o grande derrotado da esquerda. Perdeu posições para todos, deixou de ser a referência da esquerda das esquerdas.”
Parece-me que o Luís baralhou os resultados. O PS é que perdeu votos em todos os círculos eleitorais e deputados para todos. A CDU reforçou a sua votação e mandatos e tornou-se – mais uma vez! – uma força indispensável e incontornável. Para quem quiser obviamente mudar o rumo da governação. Se não quiserem têm as muletas CDS e PSD.
Boa tarde,
De facto já nem ser anti-comunista primario se justifica com tamanha desonestidade intelectual (no minimo) dizer que o PCP perdeu posições, deixou de ser a referência da esquerda, bla, bla, bla, é de facto uma afirmação de alguém que deve ter lido as eleições num qq outro país que não o nosso.
Senão vejamos:
A CDU teve mais votos? SIM
A CDU aumentou em percentagem? SIM
A CDU teve mais um deputado? SIM
O PS perdeu o poder absoluto? SIM
A Direita não tem maioria no parlamento? SIM
A CDU tem menos 1 deputado que o BE? SIM
Perante fazer tal afirmação só mesmo por desonestidade intelectual.
Diferente será dizer que a CDU podia ter melhor resultado, CLARO QUE SIM!
Já agora sugiro à “malta das esquerdas”, que tal se começassem a pensar numa frente de esquerda? BE+CDU+INDEPENDENTES+PS(esq), daria uma força com muito respeito, quer no parlamento, quer nas autarquias, que tal assustar os Ti’ Jardins deste país?
1 abç malta de esquerda.
Força, isto não acabou aqui, vamos continuar a lutar e a convencer este triste povo, que tanto reclama e na hora de votar, vota no “Catherine Deneuve”
LNT
Só agora vim aqui e melhor fora que não tivesse vindo…
Tudo o q penso já lhe manifestei em msg no facebook .mas este artigo enervou-me mesmo…
cada vez menos há que confiar nas pessoas.
Bom dia
tina
“Já agora sugiro à “malta das esquerdas”, que tal se começassem a pensar numa frente de esquerda?” ???
Mas isso já houve na Autarquia da cidade de Lisboa. Até que aparece o auto-proclamado bloco de “esquerda” e começa por retirar a UDP da coligação para logo de imediato concorrerem com lista própria e com um seu dirigente, Miguel Portas, à cabeça. O desfecho é conhecido: assim deram de mão beijada a presidência ao Santana e à sua coligação PSD+CDS.
E já agora para meditarem, nestes últimos 10 anos, o saldo é de menos 4 deputados para o somatório PS+CDU+BE, apesar da diferença do eleitorado se ter mantido constante à volta de mais 800.000 votantes em relação ao somatório PSD+CDS.
Este é o resultado prático do aparecimento dos auto-proclamados: em 10 anos houve uma quebra real de representação, além das muitas outras prendas de mão beijada.