- O resultado foi mais ou menos o que eu esperava, com uma excepção notável e negativa: o número de votos brancos+nulos (1,75% + 1,31%) muito abaixo do das europeias (4,65% + 1,96%). Não percebo porquê um comportamento tão diferente, e parece-me muito mau sinal.
- Confirma-se a pouca expressão de novos partidos como o MEP, todos eles com percentagens mínimas. Já escrevi que, no caso concreto do MEP, a acção dos seus militantes seria muito mais eficaz caso estivessem integrados no CDS, no PSD ou no PS, pois não há incompatibilidade ideológica entre as suas propostas e as que estes partidos “tradicionais” apresentam.
- O PSD colhe os frutos de, entre outros aspectos, não ter ele próprio seguido a “Política de Verdade” que tanto anunciou. Precisa de uma profundíssima renovação, quer de pessoas, quer programática, quer de postura.
(publicado também n’A Baixa do Porto)
sobre o autor
Tiago Azevedo Fernandes cv, contactos: taf.net - taf.net/opiniao - twitter.com/taf - A Baixa do Porto: porto.taf.net
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Tiago
Há incompatibilidades sérias, quer ao nível ideológico quer ao nível da prática política, entre o MEP e os restantes partidos. Em termos de tratamento dos imigrantes, por exemplo, o MEP está muito distante do CDS-PP. E em termos de família, como compatibilizar com o PS? Não me refiro ao casamento homossexual mas sim à sistemática desvalorização da família a todos os níveis. E se o PSD enveredar por uma versão de liberalismo económico onde vai parar a ideia de uma mesa com lugar para todos?
Além disso, se o interesse dos portugueses pela política humanista, positiva, com esperança é assim tão baixo ao nível do eleitor, que acha que aconteceria ao nível dos aparelhos partidários tradiconais?
Para além das diferenças ideológicas que o Carlos referiu, há ainda diferenças na forma de fazer política. Por exemplo, a campanha do PSD teve pouco de política pela positiva e de apresentar soluções concretas para resolver os problemas do país. Foi mais uma tentativa de explorar o desgaste de Sócrates ao fim de uma legislatura.
Talvez o resultado do MEP encontre justificação na s/estratégia de campanha. Talvez esta tenha sido muito institucional, centrada na forma, na atitude em geral em relação à política, e menos em 1 ou 2 das suas muitas e boas propostas concretas.
Talvez conseguisse maior captação se metralhasse com o cheque-emprego, contratos de inserção social e de reinserção laboral e consultores para o emprego, e deixasse os restantes temas do programa para os debates específicos (a que raramente têm acesso, diga-se). Com várias vantagens: passar uma mensagem clara, sem dispersão de atenções, falar às pessoas com soluções para os seus problemas e menos sobre o partido e como este se posiciona em geral, deixando esta informação mais completa e de posicionamento estratégico para quem se interessa mais profundamente por isso.
Os programas, estudos, documentos, dão corpo e consistência a um partido, mas as campanhas parecem resultar melhor com soundbytes ou com a “passagem de uma mensagem” que tenha a ver com as preocupações da generalidade dos eleitores (neste caso o desemprego).
Talvez…
O Tiago também fala no PSD. De certo modo, o que comentei sobre a campanha do MEP também se aplica à do PSD, embora esta tenha enfermado de outros males. A “Política de Verdade” pode ser um bom mote de campanha (como também o é, pressupondo uma postura diferente, “Melhor é Possível”), mas não pode ser a substância da “mensagem” a passar aos eleitores.
Passou relativamente bem a questão do investimento vs endividamento mas não tanto a sua ligação, fundamental, com a do combate ao desemprego, pois a verdadeira questão não é se se investe, mas como se investe.
O apoio às PME’s ficou-se numa formulação vaga, aliás característica comum a todos os partidos, o que não ajudou a diferenciar.
Foram outros a marcar a agenda da campanha. Em contraponto, o CDS-PP cumpriu a agenda da sua, direccionada para o eleitorado que pretendia captar.