Depois de um primeiro ensaio de humildade inconsequente a actual direcção do Partido Socialista deu um verdadeiro sinal de humildade democrática ao reconhecer que os eleitores exigem respeito pelo seu voto e que já não estão dispostos a exercerem o direito e dever de votar para depois verem eleito quem não escolheram.
A decisão de impedir duplas candidaturas é um acto positivo que revela que afinal os Partidos podem e devem aprender com os sinais que o eleitorado lhes dá e só se estranha que hajam vozes dentro do PS a revoltarem-se contra esta medida justa e de bom senso. Seria melhor que esse(a)s fizessem um esforço por entender o que é serviço público e que os cidadãos já não suportam políticos que os tentem enganar candidatando-se a lugares que sabem, à partida, nunca irem exercer.
Podiam ter aprendido já antes com Paulo Pedroso (que já aqui tinha dito há muito que só se candidataria à Câmara de Almada) e com António Costa que, não o tendo afirmado ainda neste Blog, já havia anunciado essa mesma disposição.
Gosto de ver o PS a mostrar aprendizagem. Julgo ser-lhe muito mais útil do que qualquer encenação de outras humildades.
sobre o autor
Luís Novaes Tito - técnico de Sistemas de Informação, Informáticos e de Gestão da Qualidade. Integra o corpo editorial da ops! revista de Opinião Socialista. Autor do blog a Barbearia do senhor Luis






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O meu aplauso para esta decisão do PS. Tal como o MMS defende, a transparência e a seriedade no cumprimento integral dos mandatos deveria ser uma norma nas candidaturas e não uma escolha arbitrária dos partidos.
Julgo que a aprendizagem é útil, embora possa ser um pouco dolorosa para os que se habituaram a impor-se aos cidadãos eleitores, sem respeitar a vontade bem intencionada do seu voto.
Acredito que estas práticas sejam especialmente difíceis para outros que habitualmente se julgam os donos da moral pública e não param de a apregoar.
Ainda bem que o MMS me acompanha nesta reflexão.
Um abraço, Sérgio.
Bem, cada vez que me convenço mais que só eu é que consigo ver que esta medida é apenas populismo puro.
O facto de os dois maiores partidos impedirem duplas candidaturas parece, à partida, uma coisa muito boa. Mas não o é. O nosso sistema parlamentar e político precisava duma reforma urgente e não é com estas medidas que se resolve alguma coisa.
Primeiro: têm que me provar que os deputados actuais que acumulavam funções exerciam pior os cargos que os outros.
Segundo: a acumulação de cargos vai continuar a acontecer. Ou a maior parte dos deputados vão abandonar os escritórios de advogados e as grandes empresas de fazem parte para se dedicarem EXCLUSIVAMENTE à Assembleia?!
Terceiro: será que, nas listas destes dois partidos, os candidatos serão mesmo representantes das regiões em que se candidatam? Ou apenas serão eleitores lá, tendo um conhecimento muito pouco profundo sobre a realidade do país?
Neste sentido, o trabalho invisível que se faz no Parlamento – a parte mais importante, diga-se – vai deixar de ter pessoas que conheçam os problemas reais do país. Já na situação de Elisa Ferreira e Ana Gomes, não vi nenhum escândalo na dupla candidatura. Vi apenas escândalo no facto de as candidatas anuciarem que apenas cumpririam um mandato. No meu ponto de vista, seria bastante preferível acumularem os dois pois seria uma forma eficaz de conseguirem levar a voz daquelas cidades ao Parlamento Europeu.
Por tudo isto, penso que o que seria mesmo necessário era uma reforma urgente de todo o sistema. Em França, por exemplo, a maior parte dos deputados franceses nacionais têm cargos POLÍTICOS a nível regional e municipal e não há escÂndalo nenhum. É, obviamente, uma forma de representarem melhor essas regiões a nível nacional. O que se passa cá em Portugal é que os nossos deputados apenas defendem os interesses partidários (ou indidviduais) em detrimento dos interesses das populações que os elegem. O nosso sistema está completamente enviesado. Reformar o Parlamento e o sistema eleitoral é extremamente necessário para aproximar os eleitores dos seus representantes, coisa que estas propostas de não acumulação não o fazem.
Cumprimentos
Ser deputado deveria ser acumulável com ser responsável, defender os cidadãos do seu círculo eleitoral independentemente de terem ou não votado nele, não se auto-aniquilar pela disciplina partidária que defende o partido e não os cidadãos, desempenhar o cargo de forma empenhada, em tempo integral e cumprindo o mandato até ao fim, excepto por causa de força maior (nunca o interesse partidário casuísta). Não vejo nada de positivo num deputado que pertence a uma Assembleia municipal que falta à maioria das reuniões e que, quando participa nalguma invoca isso como justificação para faltar ao serviço na AR.
Quanto à ligação efectiva à região que os elege sou totalmente de acordo. Discordo da Constituição que anula a parcela do carácter regional dos deputados. Todos os deputados – poderia ser conjuntamente – deveriam ser obrigados a comparecer mensalmente em lugar público no seu distrito para explicarem as suas acções e ouvirem os seus eleitores.
Recentemente foi anunciado que a cabeça de lista da CDU por Bragança é residente em Almeirim, fiquei perplexo com a escolha e com a justificação dada pelo partido comunista. Não é nada pessoal para com a pessoa em questão mas, não concordo com o princípio.