Regresso de uns dias de férias onde os jornais foram pouco lidos, as televisões pouco vistas e a Internet esteve interdita.

Foi um bom repouso exercitado pelo acompanhamento dos debates televisivos e abstenção dos comentários que se lhes seguiram. Foi um quase situar na observação onde está colocada a maioria dos eleitores que prefere fazer os raciocínios por si do que se deixar elucidar pelas teorias dos comentadores habituais que moldam a opinião sem se aperceberem que os debates feitos em canal aberto são muito mais analisados com os amigos entre um café e uma água do que seguidos nos canais cabo onde os decanos da opinião dissertam sobre aquilo que se disse e ficou por dizer.

Regresso com a percepção de quem vai votar, das muitas conversas com amigos e conhecidos de circunstância, do empregado do balcão, do pescador na cavaqueira com os seus e apercebo-me que a retórica do PSR e da UDP começa a preocupar muitos dos que já pensaram fazer do Bloco o seu protesto contra algumas acções que nos últimos anos lhes amargaram a vida. Gente que se engasgou com o susto de pensar que a sua deslocação de voto poderá fazer com que para o ano não possam recuperar nas contas com o fisco o que lhes pagou as férias deste ano atendendo ao ataque à classe média que Louçã pretende realizar com a extinção das deduções fiscais conseguidas por terem os filhos a estudar ou em compensação de poupanças.

Entre esses e os outros que nem querem ouvir falar de Ferreira Leite por se lembrarem da barda de malfeitorias que o seu reinado na Educação e nas Finanças lhes trouxe, trago de férias que muitos já concluem que mais vale esperar o aperfeiçoamento das reformas iniciadas e o corrigir de mão de processos mal conseguidos a rasgar tudo num ciclo onde se pretendem rupturas e recomeços com novos retornos a sacrifícios experimentais, alguns dos quais andaram perto de colocar a classe média no Campo Pequeno.

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Luís Novaes Tito

sobre o autor

Luís Novaes Tito - técnico de Sistemas de Informação, Informáticos e de Gestão da Qualidade. Integra o corpo editorial da ops! revista de Opinião Socialista. Autor do blog a Barbearia do senhor Luis

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{ 16 comments… leia-os abaixo ou comente também }

1 José Manuel Faria 11 de Setembro de 2009 , 17:20

“Gente que se engasgou com o susto de pensar que a sua deslocação de voto poderá fazer com que para o ano não possam recuperar nas contas com o fisco o que lhes pagou as férias deste ano atendendo ao ataque à classe média que Louçã pretende realizar com a extinção das deduções fiscais conseguidas por terem os filhos a estudar ou em compensação de poupanças.”

Então por momentos imaginou Louça a Primeiro – Ministro. Bem, o pior já passou, agora vote BE. Sabe que tem de contextualizar o parágrafo de cima. FL explicou 3 vezes e nem assim!

Responder

2 LNT 11 de Setembro de 2009 , 17:35

É Louçã que diz que está pronto para governar, certo José Manuel Faria?
Quanto a contextualizar não sei como. Será aquela coisa das propinas gratuitas? Do SNS sem taxas moderadoras?
E os que estudam nos privados e pagam os seus impostos não terão direito às deduções? E os que têm de recorrer aos dentistas privados porque uma dor de dentes não é passível de esperar um ano para ser tratada?
E os medicamentos passam a ser gratuitos?
É esta a contextualização?

Responder

3 Alcides Santos 12 de Setembro de 2009 , 2:42

Meu caro,

Penso que neste momento a questão que se coloca é para que lado se vira o PS.
Enquanto apoiante do PS, poderia, por favor, dar a sua opinião?

Responder

4 LNT 12 de Setembro de 2009 , 15:12

Caro Alcides

O lado é simples. É aquele que consta do programa eleitoral. Reformas, Progresso e Solidariedade Social.

Com mais tempo desenvolverei.

Responder

5 Alcides Santos 12 de Setembro de 2009 , 15:19

Ficarei pacientemente à sua espera.
Paciência não me falta.
Tenho 43 anos e se contar a minha origem social devo considerar que o meu tempo de espera é superior à minha própria existência…
Obviamente que não tenho estado todo este tempo à sua espera. Penso que entende o que pretendo dizer.

Responder

6 Alcides Santos 5 de Outubro de 2009 , 0:42

Caro Luís,

Já será disponibilidade para dar a sua opinião sobre esta questão: onde deverá o PS procurar apoio para governar? À Direita ou à Esquerda?

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7 Vítor Dias 11 de Setembro de 2009 , 20:34

Se não tivermos todos ensandecido, afirmações como o de este apoiante do PS sobre «sacrificios experimentais, alguns dos quais andaram perto de colocar a classe média no Campo Pequeno», pelo seu terrorismo verbal e político só deviam o PS fazer perder votos.
Alías, estes PS’s são uns ingratos. Bem vistas as coisas, até nem deviam ter grande razão de queixa do autor da frase sobre «o Campo Pequeno»- Otelo Saraiva de Carvalho.

Responder

8 LNT 12 de Setembro de 2009 , 1:29

O militante do PCP que escreve este comentário tem muito para dizer sobre terrorismo verbal e político, matérias que conhece bem, como se sabe.

A memória não é apagável, Vitor Dias, e se foi Otelo que usou as palavras não ficaram por usar outras ditas por outros no PREC, ou já se esqueceu do cerco, p.e. à Assembleia da República?

Tenha paciência mas é difícil aceitar lições do PC sobre estas matérias.

Responder

9 Carlos Albuquerque 11 de Setembro de 2009 , 22:43

Como se a classe média pudesse esperar alguma coisa do PS a não ser mais impostos e menos direitos…

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10 Vítor Dias 12 de Setembro de 2009 , 13:55

Caro Novais Tito :

Sobre o famoso «cerco» alegadamente à «Assembleia Constituinte» (qual Assembleia da República, qual carapuça), quando tiver tempo leia a minha crónica «A mentira mil vezes repetida» -disponível aqui em http://tempodascerejas.blogspot.com/2007/03/mentira-mil-vezes-repetida.html – e, depois, faça favor de objectar.

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11 LNT 12 de Setembro de 2009 , 15:19

Assembleia Constituinte, tem razão.

Mas de pouco me adianta ler o que o Vitor Dias escreveu uma vez que conheço bem o que lá se passou, inclusive por ter acompanhado de perto e com muitos camaradas meus o golpe que as “forças progressistas” se preparavam para dar.

Estranho é que sejam os mesmos que tentaram sequestrar os construtores da nossa Constituição que hoje se querem fazer passar pelos seus maiores defensores (da Constituição) mesmo depois das reformas que ela já teve às quais o PCP sempre se opôs.

Como estive sempre do mesmo lado da barricada volto-lhe a dizer que me é difícil tentar receber lições suas, caro Vítor Dias.

Responder

12 Carlos Albuquerque 12 de Setembro de 2009 , 15:22

Luís

Para quem não esteve lá, poderia contar a sua versão dos factos?

Responder

13 Núncio 12 de Setembro de 2009 , 17:22

Importante o ponto de ordem que faz no segundo parágrafo deste seu comentário e que poucas vezes se lê.
Subscrevo-o inteiramente, ao contrário do corpo principal do seu comentário “Antes das sondagens”.
Sei que é apoiante (não estou certo de ser militante) do PS (o que não é o mesmo de ser apoiante de Sócrates). A militância é algo que não vejo depreciativamente, como muitos. Pelo contrário, ela é muito necessária, num país dormente ou adormecido!
A militância em partidos, movimentos ou causas é necessariamente parcial, mas não nos deve cegar. Nada impede que as nossas análises sejam isentas, distantes, despersonalizadas (tanto quanto se pode despersonalizar projectos ou conjunturas).
Lembrar a “barda de malfeitorias que o seu reinado na Educação e nas Finanças lhes trouxe” não é, para além de serem termos deselegantes, intelectualmente honesto (não demonstra que “malfeitorias” foram essas e infligidas a quem).
Será a esta maledicência que se refere o primeiro-ministro?

Responder

14 Vasco Fernandes 13 de Setembro de 2009 , 18:52

Infelizmente, conhecendo o meu artigo, fiquem todos os leitores a saber que Luis Novais Tito não foi capaz de explicar que reivindicações políticas dirigiram os manifestantes aos deputados sobre a Constituição ou se naquela imensa concentração havia algum pano que falasse da Constituição. E não pode: o que aconteceu foi um sequestro do 1º Ministro que atingiu erradamente a Assembeia Constituinte e os seus deputados e um conflito socio-político entre trabalhadores da construção civil e o VI Governo Provisório (designadamente 1º Ministro e Ministro do Trabalho) e NÃO COM A ASSEMBLEIA CONSTITUINTE !

Responder

15 Luis 13 de Setembro de 2009 , 9:22

A herança do Sócrates: mais de 600.000 desempregados; 300.000 desempregados sem subsídio de desemprego; um em cada quatro trabalhadores é precário; mais de um milhão e 400 mil portugueses sem médico de família; encerramento de serviços públicos – 2500 escolas, maternidades e urgências; aumento da idade da reforma e diminuição do valor das pensões; aumento do IVA e dos preços dos serviços essenciais; aumento dos bens e serviços; dois milhões de pobres.

Uma política de favorecimento dos grupos económicos: que nestes 4 anos alcançaram lucros que são um insulto para quem vive do seu salário ou pensão. Milhões e milhões acumulados pelo capital à custa dos baixos salários e do aumento dos preços, das privatizações, dos benefícios fiscais, da ruína de pequenas empresas, da corrupção e da impunidade perante uma justiça feita à medida dos poderosos. Foi assim que o país ficou depois de quatro anos deste governo do PS.

Não vá na conversa! A 27 de Setembro vamos eleger mais deputados da CDU! Basta de injustiças! A CDU tem soluções para uma vida melhor!

Responder

16 Diogo Morgado Conceição 13 de Setembro de 2009 , 17:46

“A CDU tem soluções para uma vida melhor!”
Bem, pelo menos a CDU permite-se a arrogância da solução semi-miraculosa, de, de um momento para o outro, aparecer com “soluções” que garantam a todos os portugueses “uma vida melhor”.
E quais seriam essas soluções, presumo que retiradas directamente da cartilha comunista? Aumento do peso do Estado e do volume das receitas fiscais à custa da classe média e das empresas que dinamizam a Economia? Nacionalização das mesmas empresas? Comprometer, portanto, o que Portugal e as suas famílias ainda vão tendo em troco de uma utopia que é o Estado dominador e centralizador, restringindo a liberdade (económica) dos cidadãos?
Eu prefiro, se não se importa, o MEP. Sem a desfaçatez de propor a solução imediata, sempre vai apontando consistente e coerentemente a direcção de um mesmo caminho que aposta na valorização dos cidadãos e das suas famílias, sem esquecer múltiplas formas de apoiar os menos afortunados, tudo com a preocupação e intenção de promover uma reinserção social efectiva. Isto, claro, para já não falar de uma nova esperança nesta forma de fazer política pela positiva, privilegiando as ideias e o contributo para Portugal que cada proposta pode trazer, repudiando a corrupção e a defesa dos interesses (mal) instalados…

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