A política 2.0 já chegou a Portugal? Has Politics 2.0 arrived in Portugal? — perguntava há dias um artigo no Personal Democracy Forum (technology is changing politics).
Lancei o link no Twitter, mantendo o título interrogativo, e o director do Público respondeu — sempre na lógica dos 140 caracteres que facilita a economia de esforço e as respostas curtas. José Manuel Fernandes gastou nove caracteres: “ainda não”.
O artigo da PDF (da autoria de Sérgio Bastos) também conclui que a política 2.0 está, em Portugal, num estádio primitivo. Há inovações, mas não se distinguem ainda tendências no uso delas por um número significativo de cidadãos.
Não fiz ainda uma análise de fundo; será preciso ter em conta que os meios de comunicação de massas, em particular a televisão, se apropriam do espaço comunicacional com distorções, algumas vezes intencionais, em especial em campanha eleitoral. Nos meios de comunicação reticulares não é possível, por exemplo, limitar o espectador a um tema, ou visão, abusando da sua janela de atenção e fazendo com que a realidade pareça ser apenas aquilo que preenche essa janela por inteiro. A começar por aí, os efeitos — e em particular os efeitos qualitativos da narrativa na formação de opinião — serão completamente diferentes.
Quão diferentes, eis a questão. E por não dispôr de instrumentos para a analisar, se tivesse de responder curto e grosso, alinharia pelo “não” de JMF, acenando que sim com a cabeça às conclusões do Sérgio.
Por outro lado, o capital de confiança que os públicos antigamente depositavam nos media tem sido desbaratado por meios que crescentemente sujeitam os seus espaços — as suas timelines — às pressões económicas. Esse capital, que não está em crise, tem vindo a ser deslocado para os meios sociais, percepcionados como o novo espaço de liberdade e de esperança.
Para o departamento da formação de opinião: apesar de isso não ser notícia (convenientemente para quem não a dá), algumas pessoas e instituições já dispõem de “audiências” individuais superiores, até, às audiências colectivas de muitos jornais. Isto sem sequer levar em conta que a audiência colectiva de um jornal é em regra, e erradamente, vista como a audiência individual de cada um dos seus cronistas e opinion-makers.
Assim, suspeito que se fossemos capazes de olhar para o sítio certo, mesmo a resposta curta será menos fácil de dar.
Hoje republiquei no TwitterPortugal Blog um artigo de Edney Souza sobre a realidade brasileira, que ele conhece muito bem. Edney — o conhecido Interney — escreve em
Políticos e media sociais: o que vem pela frente? mais ou menos a mesma coisa: “apesar de diversas iniciativas visando a aproximação da população com a esfera política, ainda é cedo para dizer que temos algum tipo de proximidade ou percebemos alguma melhora clara. Tudo que temos são indícios de boas intenções que na prática parecem mais campanha eleitoral antecipada do que algo de efetivamente produtivo para o cidadão brasileiro.”
Nos próximos dias publicaremos um levantamento das iniciativas lusas nesta tripla campanha de 2009. É que, paradoxalmente, parece existir um excesso de oferta de sites e serviços para o debate político.
sobre o autor
Paulo Querido é jornalista free lance, autor e empreendedor. Mantém colunas no Expresso Multimedia, web 2.0 e Cibercidadania, além do webzine pessoal, Certamente!. Edita a iniciativa web do Estado português para o Ano Europeu da Criatividade e Inovação, Criar 2009. Tem um projecto jornalístico em embrião: Diário2.com.
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