… é votar em branco. Explico porquê aqui. Aposto, aliás, que os votos brancos e nulos vão ser as “estrelas” destas eleições, apesar de aparentemente agora ninguém estar a contar muito com eles nas sondagens.
PS: leitura complementar – Faltas de comparência
sobre o autor
Tiago Azevedo Fernandes cv, contactos: taf.net - taf.net/opiniao - twitter.com/taf - A Baixa do Porto: porto.taf.net
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{ 14 comments… leia-os abaixo ou comente também }
Há dois aspectos que me deixam perplexo: por um lado há nestas eleições bastantes novas propostas (claro que começo por pensar no MEP, mas entre partidos e coligações fora dos cinco há muito por onde escolher); por outro lado parece presumir que basta votar em branco para que, não se sabe de onde, surjam propostas políticas mais adequadas. Mas, como o MEP sabe por experiência própria, as barreiras à entrada de novos partidos são enormes e é precisa muita energia e convicção para chegar a ter uma hipótese de entrar no parlamento.
Será que nos podemos dar ao luxo de votar em branco à espera que alguém nos venha salvar?
Caro Carlos Albuquerque: eu não sugeri novos partidos, mas sim políticos com novas propostas. Acredito que é muito mais eficaz fazer a mudança interna nos partidos actuais do que reinventar a roda. Por isso é que eu próprio me inscrevi como militante no PSD para, por dentro, ajudar a mudar. ;-)
E se começar já a ajudar no dia 27, votando no fim deste ciclo, ainda que o ciclo seguinte seja curto e de transição?
Mas a minha tese é que isso não funciona, pois só o voto branco/nulo dá sinal de recusa da situação actual dos partidos todos. Como se distinguiria um voto convicto no PSD actual, por exemplo, de um voto no PSD como protesto contra o PS? Imaginemos por hipótese utópica que havia 30 ou 40% de brancos/nulos. Isso provocava ou não uma mudança dos protagonistas e dos programas dos partidos? Não espero tanto, mas 10% já começaria a ser muito relevante.
Já agora, as “novas propostas” nestas eleições não são tão novas assim, embora o MEP tenha algum mérito e seja “um partido sério”, ou contrário de outros que são apenas marketing sem substância, ou então apenas ridículos. Ainda assim, o MEP não se posiciona radicalmente contra este estado de coisas, mas propõe apenas mudanças incrementais. Para mim não chega. Por exemplo, acho inaceitável que defenda a assinatura do Tratado de Lisboa sem referendo. E que se posicione como ponte entre PSD e PS, quando o que é necessário é uma mudança enorme nas políticas que têm vindo a ser seguidas e, principalmente, nos processos de decisão hoje existem.
Também já tentei mudar por dentro (no caso do PS); contudo eu gostava do meu trabalho e de subir pelo meu próprio mérito o que me retirava tempo para andar sempre em cima das reuniões e festas pós-estas. Assim, no final, apesar de ter mérito e ser ouvido não tinha um conjunto de apoiantes que pudessem mudar o partido por dentro. Na verdade o sistema dos partidos dominantes está feito para que quem lá está tenha de entrar em compromissos vários ou então nunca chega a lugar nenhum. A mudança por dentro é assim virtualmente impossível, é necessário um abanão por fora. Por isso me inscrevi no MEP, não só pelas suas ideias, mas também para que a muita gente boa que está dentro do PS e PSD possam ascender dentro desses partidos. Só assim poderá, um dia, haver diálogo.
Votar branco nada resolve, são votos deitados ao lixo.
Se as pessoas que estão no MEP actuassem dentro dos outros partidos (por hipótese metade no PS e metade no PSD) provavelmente obtinham a massa crítica que agora é difícil encontrar nestes “tradicionais”. Assim, além da dificuldade de juntar um número suficiente de pessoas (igual em qualquer caso), têm também as barreiras inevitáveis à consolidação de um partido novo. Não vejo vantagem.
Há um aspecto que não percebo no raciocínio do Tiago:
Como pode encetar uma mudança do sistema por dentro (do PSD, no seu caso) colocando-se, por vontade própria, à margem? Como é possível mudar uma “corrente” sem nela estar envolvido?
Em defesa da sua tese, só pode votar PSD, acompanhando a “sua corrente” para a poder mudar. A alternativa para rejuvenescimento da democracia e novas propostas políticas é MEP (ou outra, semelhante ou não). Branco é que não consigo compreender (não me refiro ao Aguiar mas sim ao voto). Onde está a lógica? “Quero a mudança mas demito-me de optar, fico à margem a observar”?
Talvez o trocadilho do parentesis anterior faça luz sobre o assunto!
Eu sou militante do PSD, participo nas discussões e voto internamente. Ou seja, não estou “à margem”, pelo contrário. Mas nas legislativas voto em branco até que o PSD defenda um programa que me pareça sensato e tenha uma prática compatível com as minhas convicções. Já no caso das autárquicas vou votar PSD, e não branco, para a minha Junta de Freguesia, por exemplo.
Esqueceu escrever, mas julgo que será evidente, que apesar de tudo me sinto mais próximo do PSD mesmo nas legislativas do que de qualquer outro partido.
Tiago
Se está mais próximo do PSD do que de qualquer outro partido e não vota PSD, está a dar o poder a José Sócrates.
Será razoável usar as legislativas nacionais para pressionar mudanças internas no PSD, deixando para isto o país nas mãos do PS? Não estará a pôr o partido à frente do país? Ou o PS de Sócrates está ainda assim melhor para si do que o PSD de Manuela Ferreira Leite?
“Ou o PS de Sócrates está ainda assim melhor para si do que o PSD de Manuela Ferreira Leite?”
Claro que não! Ver http://twitter.com/taf/status/4353971086.
O que eu quero é pressionar mudanças no país. É preferível que o “sistema” morra depressa, de preferência com o menor custo possível (o PSD). Mas aposto é em novas eleições brevemente. Já expus também outros argumentos nos comentários acima.
Tiago
O “sistema” não morre com votos brancos. No PS uma nova vitória de Sócrates garante que não haverá mudança nenhuma. Quando muito o PSD troca de líder, mas do que se tem visto ultimamente não é garantido que isso melhore alguma coisa no PSD e muito menos no “sistema” de que o PSD faz parte.
O ano passado houve um debate muito interessante entre o Rui Marques e o Filipe Anacoreta Correia sobre esta questão (novo partido vs. mudar os antigos). Pois nem um grupo de umas centenas de pessoas conseguiu mudar por dentro um partido da dimensão do PP, quanto mais um PS ou um PSD.
Além disso mudar por dentro é muitíssimo mais complexo e incerto do que começar de novo com pessoas com os mesmos ideais. O MEP trouxe para a política muitas pessoas que de outra forma dificilmente estariam misturadas no sistema dos outros partidos.
Quanto ao facto de o MEP não se apresentar como um partido de mudanças drásticas, isso é um bom sinal. As verdadeiras mudanças do sistema começam dentro das pessoas. Em Portugal temos por vezes muita vontade de mudar o que é exterior a nós mas não mudamos a nossa forma de estar , que é o que é decisivo. Não vejo grande urgência em mudar leis e sistemas (salvo alguns disparates mais clamorosos) mas sim urgência em interiorizarmos e aplicarmos tudo o que de bom já existe.
“O “sistema” não morre com votos brancos.”
Discordo, como expliquei acima. depende da percentagem.
“No PS uma nova vitória de Sócrates garante que não haverá mudança nenhuma.”
Também não concordo. Se Sócrates governa mal (é a minha tese e a de muitos outros), então a situação vai continuar a piorar até que uma maioria se aperceba. Demora mais, bate mais fundo, mas acaba por mudar. O PSD actual não representa uma boa alternativa, mas apenas uma menos má. Continuaria a decadência, mas mais lentamente. Então para isso voto em branco, deixando assim claro o descontentamento e mostrando que o meu voto pode ser conquistado por quem trouxer melhores propostas e práticas.
“Não vejo grande urgência em mudar leis e sistemas”
Não me referia a “sistema” nesse sentido, aí concordo.
“Pois nem um grupo de umas centenas de pessoas conseguiu mudar por dentro um partido da dimensão do PP, quanto mais um PS ou um PSD.”
Isso eu não compreendo. Por tudo o que tenho visto no PSD, se essas centenas de pessoas participassem sempre nos debates internos e votassem internamente, não teriam dificuldade em formar maiorias locais nas concelhias e, consequentemente, nas distritais. O problema é que não se empenham em permanência e, provavelmente, não se dão ao trabalho de votar internamente quando é preciso. Ainda há poucos meses atrás o meu voto foi o único a destoar na concelhia do PSD do Porto quando se aprovaram os princípios gerais da candidatura à Câmara.