A “Democratização” da Elite política

de Diogo Moreira 6 de Maio de 2009 | Autárquicas, Europeias, Legislativas

“Toda esta gente – a começar pelo chefe – sabem, ou deviam saber, que “o exemplo vem de cima”. Eles têm mostrado, por todos os meios, que a arrogância, o insulto, a desconsideração pelo adversário são modos aceitáveis na contraposição política. Repiso: estas coisas nunca se ficam pela linguagem. Depois, queixem-se.” 

“Lumpenministeriat”, Carlos Botelho, Cachimbo de Magritte

Como Carlos Botelho indica, neste seu excelente post, o nível da linguagem política em Portugal tem vindo a baixar muito. Aos exemplos acima indicados podíamos adicionar muitos provenientes da oposição (e.g. o infame deputado “made in Taiwan” José Eduardo Martins, etc…).

Tudo isto radica numa visão errado do que deve ser a elite política. Uma visão dita “democrática”.

Existe a noção, presente em alguns sectores da sociedade, que a classe política nas democracias deve ser uma representação fiel da sociedade e do país que governa. Nesse sentido, estes episódios de linguagem, e outros, seriam constatações de que a classe política já não seria domínio exclusivo de elitistas, de pessoas com conhecimentos ou habilidades acima da média dos seus concidadãos, que possuíam ideias e a capacidade de as implementar na esfera pública.

Em suma, este baixar do nível da linguagem política seria sinal de que o “povo” tinha chegado à classe política. Que todos nós poderíamos almejar a ser governantes. O fenómeno “Obama” seria um dos exemplos dessa “democratização” da classe política.

Em relação ao exemplo de Obama, já Rui Tavares disse no “Directo ao Assunto” (RTP-N) que é a demonstração de que “as pessoas muito boas conseguem chegar a qualquer lado” (cito de memória). E isso é a verdadeira noção de democracia na elite política.

A verdadeira democratização da classe política passa pela penetração dos melhores e mais bem-qualificados, independentemente dos seus laços familiares, profissionais, etc… Todos nós poderemos aspirar a ser governantes, se formos bons o suficiente.

A democracia tem de ser o governo dos melhores, escolhido entre todos nós, claro. Mas tem que ser o governo dos melhores. Porque só os melhores de entre nós nos podem governar com qualidade.

Neste momento, temos a “democratização” da política. Ou seja, uma classe política constituída maioritariamente pelos medíocres e incompetentes. E a linguagem é apenas mais um exemplo disso.

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sobre o autor

Diogo Moreira é doutorando em Ciência Política no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, blogger ocasional no Loja de Ideias e militante do Partido Socialista. Envie mensagem directa no Twitter.

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1 quink644 6 de Maio de 2009 , 14:05

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