A silly season caracteriza-se pela falta de notícias.
Quando a ela se junta uma campanha eleitoral que não prescinde de novidades, ainda que tenham de ser fabricadas, aparecem os não-casos Joana.
Recapitulemos para melhor sentir o ridículo:
Joana Amaral Dias resolveu, há dois anos, afrontar o seu líder partidário que concorria à Presidência da República tornando-se mandatária para a juventude de Mário Soares. Como Soares ficou em terceiro lugar, JAD não recolheu o protagonismo que pretendeu e Francisco Louçã não lhe admitiu a dissidência, coisa comum em Partidos radicais, tendo-lhe retirado as luzes com que JAD gosta de se iluminar.
Passado o tempo de recobro, JAD não aguenta o anonimato e resolve contar uma conversa privada,
sem qualquer relevância até por ser só uma coisa entre duas pessoas, e sentindo que era tempo de reacender as luzes e reaproximar-se do seu querido líder, agora que se pressentem perspectivas de futuro, arranja um pseudo-caso útil à propaganda do BE que está apagado da comunicação social devido ao extremado dualismo PS/PSD. A silly season e a falta de notícias sérias catapultam o fait-divers para as primeiras páginas e dá a JAD o relevo que nunca teve, nem quando foi mandatária de Soares.
Tudo visto e espremido ganharam-se duas semanas de conversa de praia e de esplanada para gáudio dos interesses da comunicação social e do seu protegido Bloco de Esquerda.
Estranha-se que o pseudo-assédio de JAD seja notícia depois dela ter sido mandatária de Soares contra Louçã e que nessa altura o convite feito, por quem tinha o poder para o fazer, fosse considerado normal (como é normal, diga-se, porque as pessoas são livres de contactarem, de serem contactadas e de decidir).
Confirma-se que o BE é uma força de contra-poder onde os seus militantes estão impedidos da liberdade de ousar desafiar a nomenklatura sob o risco do rótulo de tráfico de influências. Que se seguirá? Talvez um internamento em clínica de reeducação, presume-se.
sobre o autor
Luís Novaes Tito - técnico de Sistemas de Informação, Informáticos e de Gestão da Qualidade. Integra o corpo editorial da ops! revista de Opinião Socialista. Autor do blog a Barbearia do senhor Luis






{ 6 comments… leia-os abaixo ou comente também }
Luís,
O amigo é um brincalhão, deve ser da silly season!
” Francisco Louçã não lhe admitiu a dissidência, coisa comum em Partidos radicais”.
1- No BE não há “Líderes”, tipo Sócrates, Louça sozinho, não tem poder para admitir ou deixar de admitir. JAD não entrou na Mesa Nacional, porque nenhuma Lista a convidou, passou a militante de base.
2 – Partido radical deve ser o PS que retirou das luzes do Parlamento os deputados “alegristas”.
Ser convidada por um SE do PS para o substituir no parlamento é um assunto menor entre 2 pessoas, conclui-se que o PS é um partido pequeno, pelo menos, os protagonistas.
O curioso da pouca importância do caso, é nos dado pelo aparecimento do Paulo Campos, 4 dias depois da “bomba”, e pressionado pela “Visão”. Foi obrigado a contar a verdade que escondeu durante dias.
Coisas menores debatidas em todo o lado, até aqui!. Imagine-se uma maior!
Respostas:
1. Viu-se.
2. Com essa não me enganas. É certo que as listas deveriam ter sido feitas com mais acerto, mas nós, os apoiantes da Corrente de Opinião Socialista e de Alegre não andamos a correr atrás de lugares. Quando for o próximo Congresso Nacional, se entendermos, poderemos estar presentes para marcar as nossas posições que até agora temos feito externamente. Não receie, que nós também não.
3. Um SE pode ser ou não membro de um Partido. Neste caso e para além disso, seja ou não, não tinha capacidade para fazer convites e pelos vistos não os fez limitando-se a uma conversa entre amigos. O PS é um grande Partido e tem muita gente. Não entendo o seu raciocínio.
4. Coisas menores resultantes da falta de notícias sérias e das habituais ajudinhas da CS para dar algum gás ao BE.
José Manuel Faria,
Essa do Louça nao ser lider dá quase vontade de rir,é apenas coordenador nao e?
Todos sabemos que o seu poder é semelhante a Socrates no PS,ou por vezes ate superior onde não foi respeitada a decisão da organização distrital e o candidato foi imposto pela direcção nacional,tal posição que nem socrates conseguiu tomar
Tem mais poder que Sócrates, sim senhor, Louça tem uma quota de 31% na escolha dos candidatos a deputados. Foi por isso que a Lista de Braga não necessitou de ser aprovada pelos militantes por voto secreto. Ele escolheu 1/3 dos camaradas, 3 por e-mail e os outros 3 por telefone.
O Tiago quando quer até sabe provocar. Qualquer dia vai-nos dizer que os camaradas do PCP Braga também foram a votos.
Eu estava a referir me ao caso de Faro,em que a direcção regional(composta maioritariamente por uma corrente com menos peso a nivel nacinal) votou e elegeu um partido e Louça rejeitou esse nome e escolheu a sua candidata,só para mostrar que apesar de nao haver lider no bloco,so um coordenador,este tem tão ou ate mais poder do que qualquer lider,secretario-geral,ou presidente de outro qualquer partido
Olá!
Longe de mim qualquer apetite partidário. Não que eu tenha algo contra os partidários políticos, mas…
Em relação ao texto e, sem pretender contrariar outros comentários, devo dizer que concordo plenamente com ele. A JAD tudo fez para conseguir algo, mas a vida é assim: “umas vezes perde-se e outras ganham-se”. Contudo, desta vez a estratégia da cachopa, falhou. Falhou e deixou a mercadoria para a próxima estação. Ficou no Armazém junto da mercadoria já em saldo há muitos anos. Ela tentou levantar poeira para fazer constar que tinha mercadoria e; da boa. Enganou-se. Desta vez os clientes não queriam mercadoria muito publicitada. Paciência! “Quem tudo quer, com nada fica”.
Quanto ao Francisco, ficou demonstrada a vontade que tem em ser dono, não só da cachopa, como do bloc.
Eu lamento que dentro dos – partidos políticos – ainda haja JADS e outros que tais…
Parabéns, pois foi isto que sempre pensei sobre este assunto.
David Santos