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A decisão dos Ministros Severiano Teixeira e Teixeira dos Santos em promover a Coronel o cabecilha operacional do grupo terrorista FP-25 de Abril não tem pés nem cabeça! Chegamos ao cúmulo do ridículo, do absurdo, do pouco próprio e ético!

Um homem que assassinou cobardemente 17 pessoas, que queria transformar Portugal em mais 1 colónia de férias da antiga URSS vai ser condecorado mais uma vez pelo vergonhoso Estado Português.  

O valor da indeminização, correspondente a rectroactivos, é outra coisa que me indigna! Não bastava receber uma condecoração, o Estado ainda vai pagar ao terrorista Otelo 50000€ de todos nós contribuintes pelos crimes que ele cometeu! 

Mais uma vez assistimos à maneira vergonhosa como somos governados. Mais uma vez assistimos incólumes ao Estado Português a esbanjar o dinheiro de todos nós…

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João Ribeirinho Soares

sobre o autor

Joao Ribeirinho Soares Estudante de Engenharia Mecânica na FEUP. Colaborador do blog O Novo Século. Acompanhe também no twitter. twitter.com/jribeirinho

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{ 20 comments… leia-os abaixo ou comente também }

1 Jorge Ferreira 23 de Abril de 2009 , 14:35

APOIADO!

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2 Carlos Santos 23 de Abril de 2009 , 14:36

João,

Permite-me dois pedidos de esclarecimento:

- que dezassete homícidos cometeu Otelo Saraiva de Carvalho? Não me revejo no personagem que esteve efectivamente ligado à ideia de implementação de um regime totalitário em Portugal. Mas a acusação que fazes pede um pouco de substância. E eram esses 17 casos que eu gostava de conhecer.

- o nosso regime político permitiu a transição pacífica para a democracia de várias figuras do anterior regime (Veiga Simão chegou a ministro com o PS!). Não houve um julgamento político sumário da PIDE-DGS. O consenso de pacificação na sociedade portuguesa passou pela integração destas pessoas. Isso não te parece um valor que se deva aplicar também às forças contrárias surgidas no período revolucionário?

Abraço,
Carlos

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3 Joao Ribeirinho Soares 23 de Abril de 2009 , 14:41

Carlos,
Quanto aos 17 homícidios cometidos pelo criminoso Otelo podes informar-te nas devidas associações de vitimas das FP-25 ou então podes também consultar o processo.
Todos os portugueses sabem como actuavam as FP-25 de Abril: de uma forma terrorista, persecutória e criminosa.
Julgamentos sumários? Não me lembro de ter falado ou sugerido algo do género…

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4 Carlos Santos 23 de Abril de 2009 , 15:46

João, eu posso ser limitado mas tu dizes explicitamente que ele foi responsável por 17 homicídios. A bem da credibilidade da afirmação eu reitero o meu pedido sobre a a indicação da prova da responsabilidade directa nesses 17 casos, que como sabes, tem de resultar de uma sentença judicial. Se ela existe não deverão faltar sites ou blogues que a refiram. O que te peço é apenas que me indiques onde?

Carlos

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5 Jorge Assunção 23 de Abril de 2009 , 17:27

Carlos,

alguns pontos sobre o que dizes:
1. a actividade das FP-25 de Abril ocorreu em plena década de 80. Ainda estávamos em período revolucionário?
2. Otelo foi condenado (não sei propriamente qual a associação entre a sua condenação e todas as vitimas do movimento, mas sei que apanhou 15 anos):
http://209.85.229.132/search?q=cache:6oknQAGdOi0J:aeiou.primeirasedicoes.expresso.pt/ed1315/a878.asp+otelo+15+anos&cd=16&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt
3. Otelo foi alvo de um indulto de Mário Soares que arrumou com a história.
4. discordo do indulto de Soares, mas até posso compreender os motivos que estiveram por trás do mesmo. O que já não compreendo é este prémio a Otelo. O título do post não podia ser mais apropriado.

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6 Carlos Santos 23 de Abril de 2009 , 19:36

O Conselho de Revolução só foi extinto em Portugal em 1982 como podes ler em post meu acima. As condenações de Otelo são um dossier extenso e problemático que não honra nem ao próprio nem a quem o deteve. O link está também no meu post.
Os crimes foram indultados pelo Parlamento Português, sob proposta do então PR. E a lei do indulto considerada válida pelo tribunal constitucional. Tudo isto para mim é próprio dos dias que correm e Segunda ninguém se vai lembrar. Mas no post acima tem repor alguma ordem nos factos. Porque o esforço de pacificação social de Soares é uma faca de dois gumes: com Rosa Casaco a passear livremente por Lisboa, e o ataque bombista ao Padre Maximiano de Sousa, durante anos imputado ao MDLP por resolver!
Abraço,
Carlos

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7 Joao Ribeirinho Soares 23 de Abril de 2009 , 19:50

Caro Carlos,
Que entendes por esforço de “pacificação social” de Mário Soares? Havia tumultos diários pelo facto de Otelo estar preso? Não me parece… O padre Max morreu em 1976 e o indulto a Otelo foi em 1996, tendo este sido libertado creio que em 1989…
Li o teu post e não consigo entender a questão da pacificação social 15 anos depois… (secalhar neste caso sou eu que sou limitado)

8 Paulo Querido 23 de Abril de 2009 , 14:46

As histórias de todos os povos e nações são feitas em cima de mortes e de figuras controversas que mudaram o rumo de um país. Enveredar por este tipo de conversa é ridículo. De Otelo passamos ao senhor seguinte, e desse ao outro, e por aí fora. Não vejo aqui ganho algum.

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9 Joao Ribeirinho Soares 23 de Abril de 2009 , 14:50

Apesar de tudo o que o Paulo Querido disse, o Otelo continua a ser um criminoso. Nunca foi absolvido nos tribunais mas sim amnistiado pelo Presidente da República.

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10 Rodrigo Lobo d'Ávila 23 de Abril de 2009 , 15:06

Caro Paulo Querido,
Felizmente que Otelo não mudou a nossa historia. Se a nossa historia tivesse mudado da maneira que Otelo queria, seríamos um país bastante diferente. E realmente acho absurdo dar-se atenção a esse senhor. A historia acabará por o esquecer, demonstrando a verdadeira insignificância deste senhor. Mas proponho-lhe um exercício: imagine que iriam atribuir uma condecoração póstuma a Rosa Casaco. Acharia bem? Pela mesma lógica ser-lhe-ia no mínimo indiferente: o homem afinal está morto, e enterrado. Eu no entanto não acharia bem. Nem que fosse por essa acção equivaler ao estado lançar uma campanha publicitaria megalómana a dizer: “A PERSEGUIÇÃO POLITICA É UMA COISA BOA!!” Pois trata-se exactamente do mesmo caso… Um crime é sempre um crime. Ou existem duplos critérios?

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11 Paulo Querido 23 de Abril de 2009 , 23:49

Caro Rodrigo Lobo d’Ávila, não se trata da sua opinião ou da minha: Otelo foi uma figura decisiva de um período que mudou o curso da História de Portugal.
Claro que cada um acha absurdo o que quer. Eu, por exemplo, acho absurdo o exercício que me propõe. O Rodrigo Lobo d’Ávila, na nobre tentativa de “dialogar” comigo, tenta enredar-me na sua lógica maniqueísta de bons e maus e simplifica a questão através do convite a eu dizer que acho mal a condecoração a uma figura que para o Rodrigo Lbo d’Ávila se equivale a Otelo.
Acho mais que absurdo, estúpido, que dê a resposta por mim à sua própria pergunta a mim.

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12 Ângelo Ferreira 23 de Abril de 2009 , 15:06

Caro Carlos, comparar Veiga Simão com Otelo é uma coisa muito esquisita. Não se trata do regime, nem de julgar uma pessoa pelo regime a que esteve ligado (aliás, Veiga Simão foi inovador na Educação no período marcelista, mostrou sinais de abertura e defendeu mesmo o pluralismo, por isso criou as universidades novas). A Otelo conhecem-se as ligações às FP25, que era um grupo terrorista. Claro que há sempre quem os queira ilibar, quer no espaço público, quer noutras instâncias, como foi feito com o indulto, aliás. É isto também que descridibiliza a nossa política.
Caro Paulo Querido, compreendo o que diz, e concordo, em certa medida, que é preciso fechar feridas. É verdade que terão ficado sempre muitos criminosos por punir. Em todo o caso, a sua comparação implícita parece-me errada: a seguir ao 25 de Abril, à Revolução, defendia-se a liberdade, o direito, uma sociedade contra a anterior, vivia-se em democracia. Neste caso, não devia haver qualquer impunidade, pois não queria construir uma coisa boa em cima de algo podre.
A história, subentendo que boa, foi feita de pessoas como Otelo, é o que quer dizer? Parece-me, no mínimo, estranho. Não me parece louvável a ideia de esfregona histórica para tudo, sobretudo quando se pretende comparar períodos muitos distintos, apesar de tudo. Claro, no século I depois de Cristo também… no século XV…
A condecoração ao Sr. Otelo ou a promoção, para mim, tanto me faz.

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13 Nuno Gouveia 23 de Abril de 2009 , 15:17

Eu não percebo a condescendência relativamente às FP-25 de Abril. Recordo que a barbárie de assassinatos por eles cometidos foram muito depois do 25 de Abril, durante a década de 80. Não foi um movimento do PREC. Esta promoção é indigna da nossa democracia….

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14 Rui Pedro Nascimento 23 de Abril de 2009 , 15:19

Parece-me que há quem diga que o homem, além de ter feito o que fez enquanto FP-25, também esteve envolvido em algo faz agora 35 anos no próximo dia 25 que, dizem também, abriu a coisas que levaram a que, por exemplo, estejamos aqui a defender opiniões diferentes.

Mas se calhar estou enganado.
Otelo teve actos valorosos e actos criminosos. Poderemos concordar ou discordar da medida do Ministro. Mas parece-me exagerado a qualificação de “vergonha nacional”.

É curioso que ninguém fala das homenagens que querem efectuar em Santa Comba Dão. Deve ser por ser só, seguindo o mesmo raciocínio, “vergonha municipal“.

(P.S. – Tenho de preparar um post sobre isso)

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15 Carlos Santos 23 de Abril de 2009 , 15:43

Curiosamente Rui, encontrei uma referência apenas do Arrastão.
Concordo com o que dizessobre a possibilidade de estarmos hoje aqui a debater isto.

Abraço,
Carlos

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16 Fernanda Valente 23 de Abril de 2009 , 17:23

«Parece-me que há quem diga que o homem, além de ter feito o que fez enquanto FP-25, também esteve envolvido em algo faz agora 35 anos no próximo dia 25 que, dizem também, abriu a coisas que levaram a que, por exemplo, estejamos aqui a defender opiniões diferentes.»

Existe alguma controvérsia sobre as motivações que levaram os militares, e nomeadamente OSC, a planear e levar a cabo o “golpe militar” do 25 de Abril. E essas motivações resultaram essencialmente da manutenção da guerra em África, sobretudo depois de Marcelo Caetano ter assumido a governação do país.
Na minha óptica, quem realmente deu o seu maior contributo para que «estejamos aqui a defender opiniões diferentes» foi o partido comunista português que, juntamente com alguns “intelectuais” da esquerda mais abrangente e outros cidadãos pertencentes a movimentos vários sem qualquer conotação com a política partidária, deram o seu melhor na defesa dessa causa.

Poderei aceitar esta tomada de posição do governo face a este ex-militar no activo, da mesma forma que acho legítimo que se reponha o antigo nome da ponte “25 de Abril”, assim como sejam edificados os monumentos que se entender, em memória daquele que foi o representante do Estado Novo.
Uma das conquistas do 25 de Abril foi poder repor no seu devido lugar a veracidade dos factos históricos ao longo das várias gerações de cidadãos. Do mesmo modo, o período da história que diz respeito à ditadura não deve ser escamoteado, sob pena de estarmos a ser desonestos para com a nossa própria identidade.

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17 Rui Pedro Nascimento 23 de Abril de 2009 , 18:34

As motivações podem não ter sido as mais nobres (embora eu ache que a motivação da Liberdade foi a mais forte) mas o resultado foi este. Por causa dele e de outros, estamos aqui a defender ideias, causas e partidos. Tudo novidades pós-25 de Abril de 1974.

Se na realidade a única motivação foi a que põe como hipótese é caso para dizer que saiu melhor que a encomenda!

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18 Anti PS Neoliberal 23 de Abril de 2009 , 17:01

Como Carlos Silva já referiu, a transição para a democracia foi feita com grande condescendência, os milhares de Pides que foram inseridos na sociedade democrática, que votam, que têm todos os direitos regalias e obrigações de um qualquer cidadão, podíamos de uma forma “sumária” julgar a organização no seu todo, não o fizemos.

Não sei e gostaria que me dissesse quem foram os 17 assassinados por Otelo.

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19 Jorge Ferreira 23 de Abril de 2009 , 20:10

A amnistia não foi decretada por Mário Soares. A amnistia foi aprovada por uma lei da Assembleia da República. Mário Soares limitou-se a enviar uma mensagem à Assembleia sugerindo a amnistia. A maioria de esquerda aprovou-a.

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20 Paulo Querido 23 de Abril de 2009 , 23:50

Apesar de eu o ter escrito, ou talvez também por isso, disparámos nesta espiral de contabilidades que nunca terá uma soma. Lamento.

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