Para melhor compreender a pertinência do correcto uso da Internet pelos candidatos

de Paulo Querido 13 de Abril de 2009 | Informação

O apoio avassalador dos jovens votantes (18-29) a Barack Obama foi um factor decisivo na sua vitória sobre John McCain: nesse grupo etário Obama venceu com 66% dos votos contra 32% em McCain — recorda hoje o Pew Research Center (66% – Youth Movement, de onde tiro a ilustração desta nota).
Mais: “while young voters were John Kerry’s strongest age bracket four years ago, he drew a much narrower 54%-majority. And although Obama lost white voters to McCain 43% to 55%, younger white voters supported Obama by a 54%-to-44% margin, a 10-point gain from Kerry
Como se pode depreender, o inteligente uso da Internet pela campanha eleitoral do agora presidente dos EUA tem forte responsabilidade nessa ligação aos jovens eleitores — sendo esta nota um complemento ao que já tinha escrito como comentário ao pertinente artigo de Daniel Rebelo aqui no blog( novas tecnologias ao serviço da mensagem política).
Essa ligação é valiosa tanto na suas formas directas como nas indirectas.
664Entre as primeiras: os young voters quase não recebem informação pelos meios tradicionais, i.e., televisão, imprensa e rádio. É preciso fazer barulho, e passar marcas e mensagens, nos sítios onde eles estão.
Mesmo que de forma indirecta: o Twitter, por exemplo, que é justamente considerado essencial na comunicação moderna (porque nos dois sentidos, falar e escutar) de Obama, é bem mais usado pelas faixas acima dos 30 anos que abaixo delas. Mas do Twitter a mensagem e a marca Obama transbordaram, levadas — quer pelos mais de 30 quer pelos menos de 30 — para o meio ambiente em que o Twitter é uma das estrelas: a web. A rede. A teia. O reino da comunicação horizontal, conversacional, ponto a ponto, multiponto, habitado por todas as faixas etárias mas onde os menos de 30 são nativos e quase exclusivos.
Hoje, uma estratégia de comunicação conversacional é um factor de diferenciação. Torná-lo importante, é tarefa de um staff bem formado e treinado. Torná-lo decisivo, é trabalho do candidato.
Infelizmente, não assistiremos a nada disto nas 3 campanhas deste ano e a maioria dos jovens votantes portugueses, sem um rosto/discurso no qual se reconheçam, continuará a preferir ignorar a política, esse terreno dos “outros”, uns “outros” que não os compreendem, “velhos” que ainda por cima são analfabetos funcionais no ambiente da rede, o ambiente deles. Mesmo as jotas, habitadas por tantos nativos, fazem a política segundo os canones da comunicação vertical: a sua tarefa é colar cartazes e empunhar bandeiras; o instant messaging, quando não lhes é vedado, continua a ser reservado para namorar porque as mensagens “sérias” passam-se é nos jornais, na rádio e na televisão.

  Twitter          
Paulo Querido

sobre o autor

Paulo Querido é jornalista free lance, autor e empreendedor. Mantém colunas no Expresso Multimedia, web 2.0 e Cibercidadania, além do webzine pessoal, Certamente!. Edita a iniciativa web do Estado português para o Ano Europeu da Criatividade e Inovação, Criar 2009. Tem um projecto jornalístico em embrião: Diário2.com.
Envie mensagem directa no Twitter.

Últimos 3 artigos
Todos os artigos de Paulo Querido

{ 8 comments… leia-os abaixo ou comente também }

1 João Cavaleiro 13 de Abril de 2009 , 15:06

Como jovem que julgo ser, não podia estar mais de acordo com todas as palavras escritas pelo autor.

A massa jovem não se preocupa com o país. Contudo, não significa que não queira saber dele.

Responder

2 Nuno Costa 13 de Abril de 2009 , 15:20

Excelente!
Numa palavra jornalismo. É assim que eu gosto de ser informado.

Na minha opinião, o afastamento dos mais jovens não é consequência do desinteresse da política em si, mas sim da falta de estratégia de comunicação para os mais jovens. Os problemas do país não podem ser discutidos com os jovens do mesmo modo como são discutidos entre os mais “velhos”.
Obama é prova disso!

No dia em que algumas elites políticas se mentalizarem que devem atrair os jovens para a discussão dos problemas e do futuro do pais, mas acima devem falar a linguagens do jovens, irão perceber que estarão a fazer as mudanças estruturais que são necessárias para resolver a crise de cidadania que assola Portugal!

Responder

3 Claudio Carvalho 13 de Abril de 2009 , 15:23

Ainda bem que toca no ponto realtivo aos jovens e à política. Aliás estou a elaborar um artigo sobre os jovens e a cidadania, portanto calhou em boa hora.

Todavia começo em tom crítico, não relativamente ao caro Paulo Querido, mas ao próprio jornal, que através deste blogue descura o papel do cidadão comum, da voz do povo e, fundamentalmente, dos jovens. Com todo o respeito, apesar de ver aqui participantes bastante dotados de conhecimento e reais “vencedores” nas suas áreas, falta o cunho do povo e dos jovens. A sociedade é bem mais abrangente.

Os jovens estão completamente alheados da vida activa. Cada vez mais impera o individualismo já para não falar para onde é canalizado este individualismo: futilidades essencialmente.

Relativamente às jotas, eu bem tento eu bem tento, mas parece-me que se confunde web 2.0 com protagonismo ou é considerada como perda de tempo… O método flyer é ainda preferível, mas todos sabemos que estes acabam no caixote do lixo em 99% dos casos. Quando se fala nesta temática, parece-me que se está a falar de algo transcendental para os nossos ouvintes. Na realidade entra-lhes a 50 sai-lhes a 1500.

A inércia à aplicação das novas tecnologias em prol da cidadania e da política que é imposta é muita… quem ganha com isto? A abstenção e talvez o Bloco.

Conclusão: Os jovens também não estão muito receptivos à ideia de serem pro-activos na sociedade mas partidos, jotas, comunicação social, etc também não ajudam à integração dos jovens na vida activa da sociedade.

Cumprimentos para todos e votos de bom trabalho

Responder

4 Paulo Querido 13 de Abril de 2009 , 15:37

A massa jovem não se preocupa com o país. Contudo, não significa que não queira saber dele” (João Cavaleiro, #1)

Logo, há 1 problema de entendimento entre quem dirige o país e quem quer saber dele — mas ninguém quer saber de si.

o afastamento dos mais jovens não é consequência do desinteresse da política em si, mas sim da falta de estratégia de comunicação para os mais jovens” (Nuno Costa, #2)

Subscrevo. Não espero grande coisa dos jovens eleitores, mas estar a cavar este fosso parece-me bem pior — seja qual for o ponto de vista — que enchê-lo.

Relativamente às jotas, eu bem tento eu bem tento, mas parece-me que se confunde web 2.0 com protagonismo ou é considerada como perda de tempo” (Claudio Carvalho, #3)

Como compreendo… No fundo não passa d velho, ancestral medo do outro e das capacidades do outro no passar a perna — algo mais exacerbado nas organizações do tipo em que inserem as juventudes partidárias, onde o poder hierárquico fortemente verticalizado dos nomes e dos padrinhos é a lei do sobe e desce.

Responder

5 Claudio Carvalho 13 de Abril de 2009 , 15:50

Mas isto aplica-se na política como na própria formação cívica… já não é a primeira nem segunda formação/seminário/etc que é organizado este ano na minha faculdade com a aderência de uma só pessoa… sim uma pessoa! Isto de se ser cidadão e de possuir consciência e idade para votar tem muito que se lhe diga. Sinceramente, a geração de amanhã não será melhor que a de hoje!

Responder

6 Daniel Rebelo 13 de Abril de 2009 , 21:29

Quem é esse tal “Daniel Ribeiro”? :P

Cumprimentos.

Responder

7 Paulo Querido 13 de Abril de 2009 , 21:59

Ui… mil perdões, text emendado.

Responder

8 Daniel Rebelo 14 de Abril de 2009 , 9:42

Sem problema :)

Responder

Comente

Pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>