Mulheres na Democracia (II): Ana Gomes – de Timor a Guantanamo

de Carlos Santos 24 de Abril de 2009 | Informação

ana-gomesNão seria elementar a escolha de um segundo nome nesta listagem, não fosse não lhes estar a atribuir nenhum valor pela ordem em que surgem. E por isso, em tempos em que o principal partido da oposição se tenta aproveitar do seu nome para denegrir a lista europeia do PS, covém recordar os méritos intrínsecos dessa invulgar combatente da Esquerda democrática que é Ana Gomes. Por duas ou três razões fundamentais que chegam para a distinguir neste meu modesto Hall of Fame.
Ana Gomes teve um papel muitíssimo importante num dos processos mais conturbados da nossa vivência democrática: a independência de Timor Leste.  Aceitou as incumbências de Chefe da Secção de Interesses e posteriormente Embaixadora de Portugal em Jacarta, entre 1999 e 2003. Já previamente se ocupara do dossier quando, em 1994-1995, integrou o Gabinete de Assuntos Políticos Especiais do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Numa segunda vertente, enquanto eurodeputada, Ana Gomes, integrada na comissao de Assuntos Externos do Parlamento Europeu, não pactuou com a letargia portuguesa face aos voos secretos da CIA de transporte de prisioneiros para Guantanamo. Pela sua voz, ficamos a saber que uma das maiores vergonhas da Administração Bush era também uma vergonha portuguesa, ainda que muitas vezes tenha pregado no deserto.

Assuntos desta proeminência chegariam para considerar Ana Gomes uma das figuras do nosso regime democrático. Mas a isto acrescem outros elementos de participação cívica e política, de que a seguir se deixa pequena súmula.


“Consultora diplomática do Presidente da República (1982-1986); colocada na Missão Permanente junto da ONU e Organismos Internacionais em Genebra (1986-1989) e nas Embaixadas em Tóquio (1989-1991) e Londres (1991-1994); membro da delegação portuguesa ao Processo de Paz no Médio Oriente durante a Presidência portuguesa da UE (1992); chefe de Gabinete do secretário de Estado dos Assuntos Europeus (1995-1996); membro da Missão Permanente de Portugal junto da ONU em Nova Iorque, onde coordenou a delegação portuguesa ao Conselho de Segurança (1997-1998);
Membro da Comissão Nacional e da Comissão Política do PS (desde 2002); membro do Secretariado Nacional e secretária para as Relações Internacionais do PS (2003-2004).
Membro da Secção Portuguesa da Amnistia Internacional.”

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Carlos Santos

sobre o autor

Carlos Santos é doutorado em Economia pela U. Oxford e Professor na UCP. Trabalhou no Banco Central Europeu. Autor do livro "E agora, Obama?", editado em Fevereiro de 2009, é responsável pelo blogue O Valor das Ideias que, depois da cobertura das Eleições Presidenciais nos EUA, é um espaço de debate de Política Internacional e Economia. É coordenador dos agregadores de notícias e blogues PNETpolitica e PNETeconomia . Colabora na imprensa e em diversos fóruns de discussão.
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