Enquanto os iranianos descem à rua, manifestam-se e morrem em nome da liberdade, o senhor Trichet só tem palavras para os r iscos que a instabilidade pode trazer para o bom andamento dos negócios naquela parte do Médio Oriente. Agora que a política externa dos EUA parece começar a ter outra orientação, não se imiscuindo nos assuntos internos dos outros países, estalaram as divergências no regime dos mullahs. A suspeita de fraude nas eleições que deu a Ahmadinejad mais um mandato presidencial foi só o rastilho numa situação político-social atravessada por profundas contradições, a menor das quais não é seguramente o que o regime teocrático representa, bem longe do que aprendemos nos contos das Mil e Uma Noites ou no Rubaiyat de Omar Kayan. Ou mais perto de nós do programa político de Mohammad Mosaddeq, lider da Frente Nacional do Irão, que ousou nacionalizar a Anglo-Iranian Oil Company e com esse gesto desencadear um golpe de Estado documentadamente dirigido pela CIA. O que os iranianos que ocupam as ruas de Teerão estão a dizer ao mundo é que já não têm medo das fatwas do Conselho dos Guardiães.
sobre o autor
Cipriano Justo Especialista de Saúde Pública Professor universitário Dirigente da Renovação Comunista





