-
Em 2002, Abu Zubaydah foi capturado e sujeito a “waterboarding and other brutal methods of interrogation”.
-
Quando a sua resistência foi quebrada, forneceu informações que levaram à captura de Ramzi Binalshibh, que em conjunto com Zubaydah, forneceu informações que conduziram à detenção de Khalid Shaikh Mohammed, a alegada mente por detrás de 11 de Setembro.
-
KSM terá resistido aos interrogatórios, mas, e cito “after being tormented and Waterboarded more than 100 times” cedeu. Forneceu informações que acabaram por conduzir ao desmantelamento da célula de 17 terroristas no sudeste asiático.
Não existem quaisquer provas de que a Second Wave alguma vez tenha sido pensada. Mas o afoito e ultramontano jornalista argumenta em favor da veracidade da mesma, achando, com aquele senso comum tão populista da direita, que ninguém ia inventar uma história destas depois de uma violenta tortura, correndo o risco de voltar a ser torturado. Citando o inestimável autor:
“If you were terrorist deseperate to stop the pain, would you fabricate a story that your interrogators would likely consider suspect, or tell them where to find other terrorists?” Não se está mesmo a ver?
E Taylor usa o argumento acima para contrariar altos responsáveis do FBI e do exército que não corroboraram a tese da Second Wave quando ele os questionou. Aliás A.B. Krongard que era o director executivo da CIA na altura dos eventos acima, declarou que homens como KSM “went through hell and gave very, very limited information.” Não passa pela cabeça do National Journal a falta de razoabilidade de o Directo Executivo admitir expressamente conhecimento de tortura e acrescentar a sua ineficácia, a menos que esta tenha de facto sido ineficaz. Porque a melhor defesa de Krongard, seria indubitavelmente, uma vez admitida a tortura, advogar a sua eficácia. Era uma má defesa. Mas sempre era melhor.
É sempre suspeito quando um jornalista tenta relatar uma história argumentando a favor de um dos lados da questão. Mas Taylor esmera-se. E termina a sua peça questionando-se se a Administração Obama estará correcta ao considerar que o mal que estes métodos causaram excede em larguíssima medida todo o impacto positivo que tenham tido. Pergunta se não se terá ido longe de mais ao proibir estes métodos que designa explicitamente de linha Bush-Cheney. E goza com a situação perguntando o que deixa de ser permitido: Gritar? Induzir falta de apetite? Ameaçar com prisão por longos anos?
Para concluir reclamando que a Convenção de Genebra não se aplica a terroristas. Talvez. Mas o que Stuart Taylor devid saber, em que meados de 2008, o Supremo Tribunal dos EUA declarou que os detidos em Guantanamo deveria ter os mesmos direitos que cidadãos americanos. E cidadãos americanos, não podem com certeza ser sujeitos a tortura.
sobre o autor
Carlos Santos é doutorado em Economia pela U. Oxford e Professor na UCP. Trabalhou no Banco Central Europeu. Autor do livro "E agora, Obama?", editado em Fevereiro de 2009, é responsável pelo blogue O Valor das Ideias que, depois da cobertura das Eleições Presidenciais nos EUA, é um espaço de debate de Política Internacional e Economia. É coordenador dos agregadores de notícias e blogues PNETpolitica e PNETeconomia . Colabora na imprensa e em diversos fóruns de discussão.
Envie mensagem directa no Twitter.

Últimos 3 artigos
Hoje: Elisa Ferreira e Ricardo Rio - 14-05-2009
Ideologia do PSD: entre Nacionalistas Croatas e Camponeses da Lituânia - 9-05-2009






{ 1 trackback }
{ 0 comments… comente }