É com imenso prazer que me junto ao nobre grupo dos que aceitaram acompanhar por aqui os actos eleitorais que se seguirão nos próximos sete meses. Faço-o na qualidade de cidadão e, naturalmente, na qualidade de militante e candidato às eleições europeias pelo mais novo partido português: o MEP.
O ritmo de escrita vai acelerado é há imensas deixas por onde pegar. Para já pego nas suposta realidade crua enunciada pelo Gabriel Silva em G20 onde advoga que não há “voz única” na Europa devido à imensa diversidade dos interesses nacionais, afinal as crises de cada um são em muitos casos distintas dos vizinhos. Pois sim, a diferença é evidente e dificulta o entendimento mas como se diz das gorgetas dadas quando não são obrigatórias eu digo que há mais qualquer coisa além dos interesses de vistas curtas.
O argumento do Gabriel levado ao extremo conduz-nos a um paradoxo: a União Europeia não tem, nem nunca terá tido uma razão de ser. Um breve recuo histórico às origens da União – aos nossos pais fundadores que também os tivemos e muito merecedores – permite-nos com alguma facilidade compreender a imensidão daquilo que nos une e que, sim, muitas vezes tendemos a esquecer para tragédia comum. Juntando a esse denominador comum a prova do sucesso que foi a integração económica e, ainda que mais ténue, política e social (com 33 anos não me consigo imaginar outra coisa que não Europeu) e encontro argumentos que me levam a compor uma imagem que me parece mais realista.
A União Europeia nasceu em cima da tragédia de anos de morticínio pela defesa intransigente e exacerbada de interesses e ideais. Nasceu também porque a necessidade e a proximidade provaram ser bem mais poderosas do que o ódio tantas vezes milenar. Hoje, o olhar para trás, para os 50 anos de história é mais do que uma ténue lembrança algo romântica, é algo que muitos europeus compreendem como um legado impressionante, havendo breves segundos para reflectir. Não será amanhã que falaremos a uma só voz no mundo, aliás essa voz comum só será possível quando consolidarmos instituições e compromissos mútuos que complementem o actual edifício. Hoje é do interesse comum equilibrar melhor o que pode e deve ser subsidiário com o que é e terá de ser de responsabilidade colectiva: penso nos famigerados e até há pouco tão mal tratados choques assimétricos bem como nas ironias felizes da globalização e da integração económica que esta crise tão pungentemente corporiza.
A União Europeia não tem paralelo histórico comparável na sua génese e evolução, o que nos lança numa angústia própria dos descobridores de terra desconhecidas, mas por vezes tenho a sensação que transformamos as dificuldades mais que naturais em provas de fracasso. Falar-se da necessidade de encontrar um tom que seja comunitariamente satisfatório, procurar-se o alargamento das áreas de entendimento e de expressão comum são provas de que sabemos qual o passo seguinte e que há pressão para que seja dado.
Trata-se de uma tarefa árdua e complexa que só se conseguirá cumprir com sucesso pugnando por um esforçado compromisso e conhecimento mútuo. Sempre foi assim desde a década de 50 do século passado, continuará a ser assim enquanto formos edificando esta forma original de defesa do bem comum.
Já agora, medidas as devidas distâncias, olhem para os Estado Unidos da América, para os seus primeiros 100 anos de história. Seja a nossa perspectiva mais ou menos federalista, acho que nos ajuda a colocar a nossa realidade tantas vezes hiperdramatizada numa prespectiva que convida a ter esperança no futuro.
sobre o autor
Rui Cerdeira Branco É economista, tem 34 anos, edita o Adufe e o Economia & Finanças. É militante do MEP - Movimento Esperança Portugal . Colabora ainda no blogue de MEP Melhor É Possível. Pode segui-lo no twitter em http://twitter.com/RuiMCB.
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Caro Rui,
Que prazer partilhar este espaço contigo!
Um abraço,
CMC