
É certo que o truque de apresentar como adversários da integração europeia ou da União Europeia (e antes da CEE e da Comunidade Europeia) é tão velho como a adesão de Portugal a esse projecto.
Mas nem isso pode absolver o Prof. de Coimbra e cabeça de lista do PS, que alguns dizem ir trazer muita elevação ao debate, de recorrer a uma deturpação tão rasteira quanto elucidativa de um modo de pensar que, perdoem a franqueza, fica a dever bastante a uma sólida cultura democrática.
De facto, é uma evidência que, olhando as componentes principais do quadro partidário nacional, ninguém defende o abandono por Portugal do processo de integração europeia, manifestando sim, tal como em muitos outros países opiniões antagónicas ou alternativas em relação às orientações, aos passos e caminhos até aqui seguidos.
Transformar os que partilham destas posições em adversários da União Europeia (nome que aliás foi adoptado com óbvia intenção federalista) não é muito diferente de acusar absurdamente quem criticar o governo de Sócrates de ser adversário de Portugal.
Em conclusão: o cabeça de lista doPS ainda está muito a tempo de meter a mão na consciência e, de caminho, aprender que A Jangada de Pedra de José Saramago não era propriamente um projecto político mas uma conseguida alegoria ficcional.






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