A presença de José Sócrates nos palcos da campanha pode explicar a ligeira subida do seu candidato Vital Moreira nas intenções de voto verificadas na sondagem desta semana. Vital 1,2% relativamente à semana anterior o que lhe permite passar de uma diferença de 2,2% para 3% relativamente às intenções de voto do seu adversário, o social-democrata Paulo Rangel, que nesta sondagem sobe 0,4% (todos os números referem-se a valores projectados).
Atendendo às descidas e subidas, a sondagem deve ter estes resultados:
PS: 35,5
PSD: 32,5
CDU: 9,2
BE: 8,8
CDS/PP: 6,5
E já agora, a propósito, leiam isto: Ainda o empate entre o PS e o PSD
Temas:
sondagens
{ 15 comments… leia-os abaixo ou comente também }
Pronto, Jorge, está explicado! O candidato do PS à europeias precisa do balão de oxigénio, a presença do “chefe”! Mau sinal… deve ser por isso que agora recorrem à “mud-launching” ou “mud-spreading” que ainda por cima vai cair para os lados do Presidente e o seu período de governação, o “cavaquismo”. O PS não acerta uma, realmente! É que o actual Presidente é, a meu ver, a sua garantia para as legislativas, se se mantiver esta mania ilusória de um “equilíbrio político” dos eleitores portugueses!
Um abraço!
“O PS não acerta uma, realmente!”
Pois é, Ana. E é engraçado que o partido que lidera as sondagens seja o que faz uma campanha “mais agressiva”. Com “mud-launching”, “mud-spreading”, whatever… A obsessão com a maioria absoluta tem destas coisas.
Na semana passada andávamos no empate técnico sem que nada tivesse mudado quanto aos resultados em relação às sondagens anteriores. Agora mantemos o empate técnico embora a diferença continue a aumentar. Quer-me parecer que as fábricas de opinião que constroem títulos dos jornais (e também outros títulos mais pequenos) andam em crise, fazendo parte da crise geral.
Adelante, porque o assunto anterior parece-me ser do âmbito da bruxaria e passemos ao seguinte que se enquadra na área das ciências ocultas:
“A presença de José Sócrates nos palcos da campanha pode explicar a ligeira subida do seu candidato Vital Moreira” (…)
Mas então estas eleições não são uma espécie de primárias para castigar (punir, seviciar ou lá o que é) o senhor engenheiro?
Assim sendo, faz algum sentido que ele entre por trás do Professor para o empurrar para a frente? (salvo seja) e consiga mais uns votos? Fico confuso com estas análises, confesso.
Caro Luís,
“Quer-me parecer que as fábricas de opinião que constroem títulos dos jornais (e também outros títulos mais pequenos) andam em crise, fazendo parte da crise geral.”
O que é errado na notícia é tentar inferir que a presença de Sócrates na campanha aumentou a intenção de voto no PS, quando a margem de subida é tão curta (o candidato do PSD também subiu – deve ter sido dos espirros). A única coisa que começa a ser possível afirmar é que dificilmente existe neste momento empate efectivo (esqueçamos por momentos o técnico). Nesse aspecto o Luís tem razão, por isso remeto para o texto do caro Luís Aguiar-Conraria. Mas fora essa referência ao efeito Sócrates, a escolha do título também é interessante: eu teria preferido qualquer coisa como BE desce nas sondagens e passa a quarta força. Mas há uma coisa que é verificável: o PS nas sondagens europeias anda longe de ter a margem folgada que tem nas sondagens para as legislativas.
Quanto ao engenheiro e aos empurrões, neste momento o engº não empurra ninguém dado que, para todos os efeitos, já é o que vai à frente.
“Quer-me parecer que as fábricas de opinião que constroem títulos dos jornais (e também outros títulos mais pequenos) andam em crise, fazendo parte da crise geral.”
Quanto a isto, para complementar o meu outro comentário, repare como o Público dá a notícia da sondagem:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1383775
“PS e PCP sobem nas intenções de voto para as europeias”
Como discutimos décimas, vale a pena frisar que curiosamente o PSD também subiu (mais que o PCP), mas percebo que tal seja acessório. Continuando:
“Uma subida das intenções de voto no PS, que se distancia do PSD, e no PCP, que ultrapassa o BE, são as duas novidades do estudo sobre intenção de voto para as eleições europeias de 7 de Junho feito pela Eurosondagem para a Renascença, Expresso e SIC.”
Pois, mas o PS distancia-se do PSD menos do que aquilo que sobe, porque o PSD também sobe. E o PCP ultrapassa o BE não só pelo que sobe, mas essencialmente pelo que o BE desce. Mas ainda tenho fé que façam referência à subida do PSD e à descida do BE:
“O PS subiu 1,2 por cento e atinge os 35,5 por cento. O PSD atinge os 32,5 por cento, o que significa uma diferença de três por cento em relação ao PS.”
Afinal não. Passemos então para a questão da descida do bloco (entre subidas e descidas, é aquele que tem a diferença maior de todos os partidos na sondagem em causa):
“A CDU, coligação que integra o PCP e o PEV, sobe três por cento, para 9,2 por cento. O BE aparece com 8,8 por cento, isto é, com menos 0,4 por cento do que a CDU. Já o CDS recebe 6,5 por cento das intenções de voto.”
Descida do bloco nada. A CDU é que subiu três por cento (três por cento, atenção, significa que passou de 6,2 para 9,2 – queriam dizer 0,3%, mas enganaram-se, enfim).
Quer-me parecer que as fábricas de opinião estão vivas e recomendam-se.
As pessoas esquecem-se que estas eleições são para a Europa e os candidatos não são José Sócrates nem Manuela Ferreira Leite.
Podem ser os partidos com maior relevância a nível nacional, mas os seus candidatos às europeias são do pior, como é que podem estar na frente com uma distância tão grande em relação aos restantes partidos???
Alguém me explique, por favor…
“mas os seus candidatos às europeias são do pior, como é que podem estar na frente com uma distância tão grande em relação aos restantes partidos???”
Diz a Patrícia Almeida. Por muito maus que sejam, os outros (com excepção da Laurinda Alves, a quem abro uma excepção) são muito piores.
Talvez. Mas as pessoas estão a votar numa sigla, tal como disse António da Costa, e não nos candidatos.
Acha que a Laurinda Alves é melhor que os restantes, mas o seu (dela) partido nem sequer consta na lista de percentagens! A maior parte das pessoas nem conhece essa sigla.
Eu pessoalmente considero Vital e Rangel completamente desadequados nas suas intervenções, o que me leva a ficar confusa sobre os seus objectivos e a ter uma opinião contrária à sua: qualquer um dos outros é melhor que estes dois.
A Laurinda mexe-se bem no meio dos media, ela conhece meio mundo, dai a facilidade com que aparece, fosse outro o candidato e o MEP aparecia tanto como o MMS.
“A Laurinda mexe-se bem no meio dos media, ela conhece meio mundo, dai a facilidade com que aparece, fosse outro o candidato e o MEP aparecia tanto como o MMS.”
Tem toda a razão, António da Costa. Mas isso não invalida que tenha perdido o lugar de cronista do Público. E mais, foi uma estratégia correcta do MEP exactamente para quebrar algumas das barreiras à entrada que digo referir no meu comentário à Patrícia Almeida. Mas sendo verdade, não há nada a criticar quanto a isso. O engraçado é que se os partidos recém-criados já tem barreiras à entrada, o facto de existirem (pelo menos) logo dois a discutir o mesmo constitui por si só outra barreira.
“A maior parte das pessoas nem conhece essa sigla.”
Mas isso porque os custos à entrada existem e são variados (desconhecem a sigla, desconhecem o programa, desconhecem a candidata, desconhecem praticamente tudo – se a mensagem não chega ao receptor, não há volta a dar: para todos os efeitos, para a maioria, o MEP não existe). O mesmo não se pode dizer do BE, do PCP ou do CDS/PP. Ai as pessoas conhecem perfeitamente as siglas e se não votam nelas têm, certamente, uma justificação. O voto nas siglas, aliás, não me parece necessariamente mau: é a identificação partidária que conta. Os candidatos podem não falar muito sobre a Europa, mas à luz do histórico do partido as pessoas sabem mais ou menos com o que contar. Resumidamente, podem contar com mais do mesmo (e já me pronunciei sobre isso aqui neste blogue, se há coisa que os portugueses revelam com o voto é que não querem mudança, seja ela qual for). O voto na sigla não implica votar cegamente (não é só Rangel ou Vital que são eleitos para o PE, na lista do PSD, por exemplo, está lá Carlos Coelho, na do PS está Correia de Campos, etc…).
“Eu pessoalmente considero Vital e Rangel completamente desadequados nas suas intervenções”
Mas está a falar do estilo, dos tópicos abordados, ou dos conteúdos programáticos?
Jorge,
dos conteúdos programáticos nada posso dizer, pois do que li, são semelhantes. Todos querem mais ou menos a mesma coisa para a Europa e Portugal: emprego, defesa do ambiente, segurança… entre outros.
Considero-os desadequados pelo estilo, sim, e também pela forma como têm feito campanha. Em relação a Vital Moreira, compreendo muito pouco do que diz, provavelmente um problema meu. Parece-me sempre um pouco ” perdido”.
Quanto a Paulo Rangel, é, essencialmente, devido a várias das suas propostas, que já existem na prática. O que na minha perspectiva é querer iludir o povo com umas palavras bonitas. Ou então é distracção mesmo… o que também não é bom.
Em termos de campanha, penso que todos se prendem muito ao ataque e à crítica destrutiva contra os opositores.
E não sei bem porquê, os pequenos partidos ainda têm algo a provar e talvez por isso ache que esforçar-se-ão mais.
Falou da identificação partidária. Também já dei a minha opinião aqui uma vez a propósito dessa questão. Para mim, conta mais o deputado(os) que o partido a que este está associado (que pesa sempre, claro).
Não é a mesma coisa votar Sócrates ou Alegre. Ou Santana Lopes e Ferreira Leite. Ou será que é? Se calhar não dei os melhores exemplos, mas acho que dá para entender.
Patrícia Almeida e Jorge Assunção
Vão por esse pais fora e falem em candidatos, vão ver ninguém vos entende, falem em siglas e as pessoas entendem, com isto quero dizer que: o candidato pode chamar-se Manel ou Maria ser louro ou moreno bonito ou feio vista bem ou vista mal tenha o penteado assim ou assado o que conta é a sigla onde se apoia, a grande maioria daqueles que vão votar no dia 7 não ouviram uma palavra de Rangel, Vital, Portas e demais candidatos, não ouviram nem vão ouvir, votam tão simplesmente.
Era a isso que me referia. E é urgente que se mude esse hábito.
Patricia,
“Em termos de campanha, penso que todos se prendem muito ao ataque e à crítica destrutiva contra os opositores.”
Sim, tem razão. E julgo que nesse aspecto esta campanha em Portugal está a atingir um nível a que não estou habituado (e os factores que explicam tal são bem conhecidos: Freeport, BPN, justiça inexistente). Mas, e sem querer justificar, se isso não desse votos eles não recorreriam a esses ataques. Se o fazem é porque têm noção que é assim que ganham. Nesse aspecto posso concordar com a Patrícia, votar neles é validar tal formato de campanha. Mas a maioria continua a votar neles, apesar de…
“os pequenos partidos ainda têm algo a provar e talvez por isso ache que esforçar-se-ão mais.”
A avaliar pelo programa da maioria dos partidos pequenos, é melhor que nunca provem nada.
“Para mim, conta mais o deputado(os) que o partido a que este está associado (que pesa sempre, claro).”
Bem, depende do que essa pessoa defende e da ideologia respectiva do partido em que está inserida.
“Não é a mesma coisa votar Sócrates ou Alegre. Ou Santana Lopes e Ferreira Leite. Ou será que é? Se calhar não dei os melhores exemplos, mas acho que dá para entender.”
Não. Não é. Porque dentro dos próprios partidos existem correntes e ainda bem que assim é. Embora, e sendo absolutamente sincero, as diferenças entre os quatro sejam menores do que parecem. Em Portugal vive-se muito da retórica. Esta campanha para as europeias está a ser um bom exemplo disso. Aquilo que distingue Vital de Rangel é muito pouco. Muito pouco, mesmo. Talvez por isso recorram ao palavreado tão agressivo.