As redes sociais podem ter muito de bom. Importa dizer isto numa altura em que o twitter parece estar a fartar a maioria dos utentes ao fim de um mês, segundo um estudo recente. Mas foi através de uma desses redes que tomei conhecimento da notável iniciativa do Francisco Castelo Branco, num convite a que acedi de imediato: convidar os cidadãos a, ao longo de Maio, irem envianto as suas reflexões sobre a Europa para o seu mail, para publicação de textos de diversos teores e múltiplas ópticas de análise no seu blogue. Dá gosto saber que este sentido de intervenção cívica existe, e da parte um jovem, como é o Francisco. E que teve a abertura de espirito para publicar o meu olhar sobre as instituições europeias: “Os novos desafios da UE: entre a solidariedade e o reerguer da cortina de Ferro“, com que porventura pode não concordar. Incentivo, contudo, todos os leitores e todos os colegas de blogue a visitarem o espaço do Francisco e enviarem uma reflexão. O risco de divórcio entre os jovens e a política advém muito de, por vezes, não contribuirmos para as suas iniciativas mais louváveis.
Bem hajas, Francisco.
sobre o autor
Carlos Santos é doutorado em Economia pela U. Oxford e Professor na UCP. Trabalhou no Banco Central Europeu. Autor do livro "E agora, Obama?", editado em Fevereiro de 2009, é responsável pelo blogue O Valor das Ideias que, depois da cobertura das Eleições Presidenciais nos EUA, é um espaço de debate de Política Internacional e Economia. É coordenador dos agregadores de notícias e blogues PNETpolitica e PNETeconomia . Colabora na imprensa e em diversos fóruns de discussão.
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{ 2 comments… leia-os abaixo ou comente também }
Sidenote: A taxa de “nados-mortos” da blogosfera, ao tempo da “explosão”, era superior a 10%. Isso mesmo: 1 em cada dez blogs abertos não chegava, sequer, a ter o primeiro post, nem que fosse a dizer, “olá, mundo”. Entre 30 a 40% não passava do primeiro mês, sendo frequentes os blogs abandonados ao cabo do segundo post (é ver os cemitérios do Blogspot, weblog, Sapo…). Havia ainda 1 percentagem que não chegava ao fim do primeiro trimestre. Algo como 40% dos blogs criados chegou para tornar a blogosfera no fenómeno de comunicação global que conhecemos. E que continua a crescer, imparável.
Este dado, sendo essencial para perceber o comportamento e a evolução de um serviço ou ferramenta, presta-se a conclusões apressadas.
Paulo,
Eu acho que foi uma escolha palavras menos clara da minha parte. Eu não advogo “o fim” do twitter. E saberá disso, porque não estando lá muito tempo, acabo por passar por lá todos os dias e em média uma hora ou meia hora. E claramente é um espaço onde eu acho que se debate: tive uma conversa ontem com um grande amigo que conhece, o José Gomes André, em que seguramente mais de uma hora falamos de política portuguesa e americana. No facebook eu acho que se cuida mais da imagem: sigo isto, faço aquilo. No twitter há um diálogo efectivo. A referência que eu fiz no texto, como deverá ter lido tem a ver com uma noticia que vinha no Público de hoje ou de ontem sobre o facebook fidelizar 70% dos utentes após 30 dias e o twitter 40%, salvo erro. O que ainda assim são números bem melhores do que aqueles de que me dá conta nos primeiros passos da blogosfera.
De qualquer modo, eu peço desculpa por me ter expresso de modo dúbio. E obrigado pelos dados:))
Abraço, Carlos