Prós & Contras RTP: debate entre (alguns) cabeças de lista à Europeias

de Rui Cerdeira Branco 19 de Abril de 2009 | Europeias, Informação

Movimento Esperança Portugal Caros colegas de blogues, estimados leitores,
A RTP está a anunciar um debate a realizar na próxima 2ª feira com os 5 cabeças de lista dos partidos com assento no Parlamento Europeu.
Entre as eleições de 2004 e 2009 surgiram dois novos partidos, o MEP (que tem como cabeça de lista Laurinda Alves ), e o MMS que também estão na corrida. A estes junta-se ainda o PPM.
Nenhum deste partidos e seus respectivos cabeças de lista foi convidado como está bom de ver.
Peço-vos o conselho, como deverá reagir o MEP perante este critério da RTP?
Faço-o, não por ingenuidade, mas por achar que este não é um problema do MEP em particular. Alguém me entende?

Na minha opinião pessoal é determinante para o sucesso do MEP ou de qualquer novo partido que surja na democracia portuguesa ter exposição nos media nacionais. É certo que temos andado a correr por fora, percorrendo exaustivamente o país, falando com a imprensa regional e com o máximo de pessoas que conseguimos contactar pelas redes sociais on-line e off -line, talvez seja suficiente para termos uma hipótese de eleger a Laurinda Alves, mas não sejamos ingénuos, este sinal que é dado no primeiro debate sobre as Europeias no canal do Estado diz muito sobre a saúde da nossa democracia e da responsabilidade da nossa comunicação social. nesse estado de coisas. O problema não é de hoje, mas é sem dúvida mais significativo quando se usam os argumentos de ontem (a representação parlamentar histórica) para banir partidos recém nascidos.
Estarei demasiado enviesado por ser “parte interessada”? O que deveriam o MEP, o MMS e também o PPM fazer? E já agora o que acham os representantes dos partidos com assento mais equitativo nos media nacionais que aqui escrevem?
As palavras do José Miguel Júdice vão ecoando ensurdecedoramente por aqui: “Falha de mercado ou barreiras à entrada“.

  Twitter          
Rui Cerdeira Branco

sobre o autor

Rui Cerdeira Branco É economista, tem 34 anos, edita o Adufe e o Economia & Finanças. É militante do MEP - Movimento Esperança Portugal . Colabora ainda no blogue de MEP Melhor É Possível. Pode segui-lo no twitter em http://twitter.com/RuiMCB.

Últimos 3 artigos
Todos os artigos de Rui Cerdeira Branco

{ 3 trackbacks }

Quem tem medo de Laurenda Alves?
19 de Abril de 2009 ás 16:32
Adufe sans frontiers | Quem tem receio de Laurinda Alves?
19 de Abril de 2009 ás 17:14
A questão dos tamanhos: pequeno, médio ou grande partido?
20 de Abril de 2009 ás 16:38

{ 21 comments… leia-os abaixo ou comente também }

1 Anónimo 19 de Abril de 2009 , 10:49

Mas não seria um pouco dificil fazer um debate com, além dos 5 “grandes”, o MEP, MMS, PPM, PCTP/MRPP, PND, MD, MPT, PH, PNR, PDA, POUS, etc ?

Responder

2 jmn 19 de Abril de 2009 , 10:54

e ainda há… PCTP/MRPP, POUS, PND, MPT, P.H., P.N.R., etc. ;)

Responder

3 anónimo 19 de Abril de 2009 , 10:57

Penso que nem todos terão lista às europeias logo um cabeça de lista. Ou estarei enganado?

Responder

4 José Manuel Faria 19 de Abril de 2009 , 11:09

Em tempos realizou-se um debate na RTP1 da II Liga, onde estavam representantes dos micro – partidos.
O partido mais prejudicado não é o MEP, mas sim o PEV que possui 2 Deputados na AR.

Há os grandes, os pequenos, e os mais pequenos!

Os canais privados têm um possibilidade a não descurar. Realizar um debate entre todos os extra parlamentares.

Responder

5 M Costa 19 de Abril de 2009 , 11:27

A união faz a força. Deveriam reunir-se todos e exigir, conjuntamente, que a igualdade de oportunidades fosse respeitada. E não concordo com um debate só com os “grandes” e outro só com os “pequenos”. Isso é condicionar à partida a forma como se vai olhar para cada um.
Além disso, se se fez um debate com todos os candidatos nas intercalares de Lisboa, porque não se repete a experiência para as Europeias? As intercalares da capital acaso são mais importantes do que a eleição do PE?

Responder

6 Francisco da Costa 19 de Abril de 2009 , 12:44

Os americanos (que nos dão umas lições grandes de democracia) não têm problemas em colocar na televisão 8 candidatos num debate (como o fizeram entre os democratas na corrida interna à Casa Branca).

A RTP, como televisão estatal, não pode justificar a ausência do MMS e do MEP, como se eles não contassem para o debate democrático.

Pode não resolver-se a questão imediatamente mas a subscrição de uma petição on-line poderá alertar este e outros canais para alterarem o seu comportamento em relação às próximas iniciativas. Dependerá da quantidade de gente que o subscreva.

Responder

7 Jorge Assunção 19 de Abril de 2009 , 13:16

“Os americanos (que nos dão umas lições grandes de democracia)”

Não é o melhor exemplo para o caso em questão. Os americanos têm um sistema bipartidário e debates na televisão só com candidatos dos dois maiores partidos. Neste aspecto, as queixas lá não são muito diferentes das queixas cá.

Responder

8 Francisco da Costa 20 de Abril de 2009 , 12:59

Apesar do sistema ser bipartidário não é como diz. Os debates internos entre candidatos do mesmo partido são emitidos pelas televisões e, para dar o exemplo mais recente, os democratas fizeram-no com os pré-candidatos à nomeação democrata à Casa Branca. Quando o referi pretendi refutar a ideia que um debate com “demasiados ” candidatos é confuso. Hillary Clinton, Barack Obama, John Edwards, Bill Richardson, Joseph Biden, Christopher Dodd, Dennis Kucinich e Mike Gravel foram os protagonistas do debate que refiro. E, para o efeito, continua a parecer-me um bom exemplo.

Responder

9 Paulo Querido 19 de Abril de 2009 , 13:07

Um debate a 5 é, no meu entender, o limite antes da cacofonia. Mesmo a 5 o nível de ruído é intenso. Contudo, também entendo que a RTP, enquanto televisão com maiores responsabilidades e provas dadas em jornalismo, devia “fazer ouvir” todos os partidos. Não numa lógica de igualdade (imbecil), nem de proporcionalidade (à la ERC). Mas sendo criativo, fazendo nascer espaços específicos (quem sabe, até, em moldes televisivos modernos, experimentando formatos que não pode arriscar com os clássicos) que possam dar visibilidade aos pequenos partidos.
Sim — visibilidade. É isso que todos procuram na TV. Não o debate, que na realidade se faz no quotidiano da política, nos comícios (e outros nomes que lhes dão hoje), nos jornais e, com peso crescente, nos blogs e meios socias, mas visibilidade para os rostos dos seus principais candidatos. “Provas” ou “testes” às suas capacidades de mexer com as massas. Projecção e reconhecimento.
Quando os pequenos partidos se queixam, é disto que se queixam. E com razão, uma vez que, dada a sua natureza, o sistema mediático se concentra nos grandes partidos e levando, a prazo, a uma distorção: retira a importância que os pequenos partidos têm no ecosistema político.
O que me incomoda nem é tanto isto, que decorre da natureza do sistema mediático. O que me incomoda é que, sem mecanismos que corrijam esta perversidade, o que os MSM na prática fazem é reduzir a democracia de massas aos incumbentes e dificultar o acesso dos desafiantes à grande arena.

Responder

10 Jorge Assunção 19 de Abril de 2009 , 13:20

“Um debate a 5 é, no meu entender, o limite antes da cacofonia.”

Concordo.

Responder

11 Rui Cerdeira Branco 19 de Abril de 2009 , 15:33

Até ao momento há 8 partidos de que eu tenha conhecimento com listas ao Parlamento Europeu (há 16 partidos em Portugal).
Quantas pessoas costumam intervir em cada Prós e Contras “normal”? 10? 20? 30?

Venham outros formatos, o que quiserem. O que a RTP se prepara para fazer no 1º debate é indesculpável. Vejamos se haverá sequer referência aos demais candidatos e à justificação para a sua ausência. Seguramente há poucas preocupações quanto à cacofonia nos Prós & Contras habituais.

Responder

12 Jorge Assunção 19 de Abril de 2009 , 16:06

“Quantas pessoas costumam intervir em cada Prós e Contras “normal”? 10? 20? 30?”

É por isso que raramente se aprende muito com o programa, caro Rui (e, apesar dos vários intervenientes, existe coincidência na posição que muitos dos intervenientes defendem, facto que não ocorre quando se trata de verdadeiro debate político partidário onde o que importa é realçar as diferenças – por outras palavras, é diferente ter 10 intervenientes onde 5 defendem uma posição e os outros 5 outra, do que ter 10 intervenientes onde cada um pretende realçar as diferenças).

“O que a RTP se prepara para fazer no 1º debate é indesculpável.”

Pergunta não totalmente relacionada: o MEP será favorável à privatização da RTP?

Responder

13 Rui Cerdeira Branco 19 de Abril de 2009 , 16:15

Caro Jorge,
Sabe por ventura o que defende o MEP?
Muito mais facilmente saberá o que defende o PS, o PSD, o CPC se eles mantiverem as suas posições históricas. E o MEP? O que pretende fazer no Parlamento Europeu? Em que se distinguirá do PS e do PSD?
Acho que seria serviço público de primeira água não negar esta oportunidade. Mesmo em termos jornalísticos é-me impossível entender o critério da RTP.
Quanto à questão muito concreta que coloca desconheço que o MEP tenha emitido opinião sobre a matéria. O programa para as legislativas está em debate interno.
Em termos genéricos posso-lhe dizer que o MEP defende que o Estado deve garantir o acesso a um conjunto fundamental de serviços públicos, não defende que o Estado deva prover directamente esses mesmos serviços. A título pessoal creio existir um grave problema de governação da RTP, facilmente permeável ao poder político do momento. Contudo, imagino mais do que uma solução para o problema que poderá não passar pela privatização.

Responder

14 Jorge Assunção 19 de Abril de 2009 , 16:40

“Sabe por ventura o que defende o MEP?”

Com sinceridade, do pouco que sei parece-me mais do mesmo. De resto, sou da opinião que o que este país precisa não é de mais partidos, mas de mais sociedade civil. Não precisamos de mais agentes que procurem lutar pelo poder, mas de agentes que procurem, por fora, influenciar o poder.

“Acho que seria serviço público de primeira água não negar esta oportunidade. Mesmo em termos jornalísticos é-me impossível entender o critério da RTP.”

Ai eu concordo com o Paulo Querido. Isso não deve ser feito à custa de um debate como o que se pretende realizar, que perderia interesse e seria muito menos esclarecedor, mas, e assumindo tal como função do serviço público, que seja feito noutros moldes, noutro espaço.

De qualquer forma não dou por fechada a minha opinião sobre o MEP e estarei muito interessado em ler o que o Rui terá a dizer sobre as questões que evidenciou: “E o MEP? O que pretende fazer no Parlamento Europeu? Em que se distinguirá do PS e do PSD?”

Convença-me caro Rui, no quê que o MEP se distingue do PS, do PSD, do PP, do BE e do PCP?

Responder

15 Rui Cerdeira Branco 19 de Abril de 2009 , 16:42

“Do pouco que sei”
É preciso dizer mais Jorge? :-)

16 Rui Cerdeira Branco 19 de Abril de 2009 , 16:53

Respondi mais detalhadamente mais abaixo.

17 Rui Cerdeira Branco 19 de Abril de 2009 , 16:53

Jorge quanto às respostas espero que não queira que o faça aqui numa caixa de comentários. Aos poucos tenho dado o meu contributo e continuarei a fazê-lo no blogue por aqui e onde tiver voz pública. E gostava que o MEP tivesse oportunidades públicas nos media nacionais para que pessoas como o Jorge pudesse esclarecer-se de igual para igual com os veteranos.
Pelo escreve até parece um aborrecimento que surjam novos “jogadores” que vêm complicar o alinhamento habitual. Arranje-se um novo formato, tudo bem, agora lançar para começo da corrida a elite habitual porque é a elite habitual não é democraticamente defensável.

Jorge, para já convidava-o o espreitar com atenção os comunicados, o programa global do MEP, as acções que temos desenvolvido ao longo dos últimos meses, os perfis de exclusão e, naturalmente, sobre as europeias, a espreitar o nosso programa (lê-se depressa) onde julgo encontrará linhas claras sobre quais são as nossas prioridades. Enderereços: http://www.mep.pt e http://www.mep.pt/europa

Olhe, até hoje estou para ter troco sobre o post mais concreto que aqui coloquei em jeito de repto, este: http://eleicoes2009.info/europeias/ha-por-a%C2%B4alguem-interessado-em-discutir-o-outro-laod-da-politica/
Um dos raros post que por aqui li em que se tentou começar um debate sobre questões concretas sobre o futuro da União Europeia.

Responder

18 Jorge Assunção 19 de Abril de 2009 , 17:26

“Jorge quanto às respostas espero que não queira que o faça aqui numa caixa de comentários.”

Obviamente que não. É por isso que digo que vou acompanhar com atenção, com o prolongamento temporal implicito nessa declaração. Ainda a campanha para as europeias, oficialmente não começou. :)

“Pelo escreve até parece um aborrecimento que surjam novos “jogadores” que vêm complicar o alinhamento habitual.”

Não tenho problema nenhum com novos “jogadores”, tenho alguns problemas quando os novos “jogadores” pouco acrescentam em relação aos antigos.

“agora lançar para começo da corrida a elite habitual porque é a elite habitual não é democraticamente defensável.”

É democraticamente defensável porque a “elite habitual”, como lhes chama, submeteu-se anteriormente a votos e abrange a maioria do eleitorado votante do país. Se, por absurdo, tivessem sido criados 100 novos partidos no último ano e todos esses concorressem às eleições europeias, também defenderia um programa de Prós & Contras onde fosse dada voz a todos eles?

“Um dos raros post que por aqui li em que se tentou começar um debate sobre questões concretas sobre o futuro da União Europeia.”

O problema é que nada do que lá é dito é original ou deixa de encontrar eco em forças políticas já existentes.

Responder

19 Rui Cerdeira Branco 19 de Abril de 2009 , 18:19

Se por absurdo só dermos visibilidade aos partidos que já existiam nas últimas eleições como poderemos alguma vez ter novos partidos com um mínimo de probabilidade de sucesso? Valha-nos a internet.
Sabe Jorge esse é o argumento de quem se quer reeleger. “Só quem tem experiência merece ocupar o cargo”. Viva a ditadura?

Eu ainda gostaria de ver essa gente toda a concordar com aqueles três pressupostos que acha consensuais. No sarilho está nos detalhes. Era aí que eu queria chegar mas ninguém lhes pegou, é demasiado incómodo. Imposto europeu? Reforço do orçamento comunitário via transferências? O que diz a voz da experiência de quem anda no PE há dezenas de anos? Não conheço que “etalhes” defende Vital Moreira ou Paulo Rangel, por exemplo. Alterar o mandato do BCE é defendido pelo PS e pelo PSD? Em que moldes?

Responder

20 Jorge Assunção 19 de Abril de 2009 , 17:12

“É preciso dizer mais Jorge? :-)”

O problema é que o “pouco que sei” resulta da leitura do programa disponível no site, bem como da demais informação que lá consta e, entre outras coisas, daquilo que o Rui vai escrevendo por este blogue. Ou seja, de entre aquilo que há para saber (e está disponível para) do MEP não me julgo mal informado. Também não seria certamente com a presença no Prós & Contras que passaria a saber mais, como o Paulo Querido diz e bem, a presença dificilmente serviria para dar a conhecer o que o MEP defende, mas mais para colocar o partido no palco mediático (coisa verdadeiramente importante e necessária, bem sei). De resto, como já disse, continuarei interessado no que o Rui terá a dizer neste espaço para perceber melhor o que diferencia o MEP dos restantes, compreendendo necessariamente as limitações inerentes a um partido recém formado.

Responder

21 Rui Cerdeira Branco 19 de Abril de 2009 , 17:19

Ok, Jorge. Tentaremos o nosso melhor!
Depois das Europeias avançaremos com o programa para as legislativas assim como com propostas para a CMLisboa. Entretanto, vamos batalhando para ter a indispensável exposição.
Um abraço.

Responder

Comente

Pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>