Vejo, por alguns dos escritos neste blogue (como o Pedro Oliveira, o José Manuel Faria, ou o Vasco Campilho) que tem havido alguma confusão sobre o carácter das eleições de 7 de Junho de 2009 (bem sei que outras razões justificam o menosprezo).

São, imaginava que soubessem, eleições para o Parlamento Europeu.

Quer isto dizer que se vão eleger deputados de todos os Estados-membros da União Europeia para uma instituição que hoje tem uma importância decisiva nos desígnios europeus e, naturalmente, nos nacionais. Esta instituição é o Parlamento Europeu. Europeu, repito, e não nacional.

E, ao contrário do que alguns espíritos nacionalistas apregoam, a verdade é que a Europa política já existe hoje. É verdade que o desenvolvimento partidário europeu encontra-se ainda muito desnivelado. Há partidos que «não existem» (como o GUE), ou que são mantas de retalhos (PPE). O único Partido Político Europeu minimamente consistente, coerente e progressista é o Partido Socialista Europeu.

E o que tem feito nos últimos anos é verdadeiramente espectacular e tem de ser mais divulgado.
Ao nível legislativo (europeu), tem combatido, acerrimamente, as políticas neoliberais da direita, defendido os direitos dos trabalhadores europeus e procurado apresentar e desenvolver mais e melhores políticas de protecção social.

Ao nível da preparação e apresentação de propostas progressistas concretas, desenvolveu este manifesto político desenvolvido para que se perceba que as novas respostas para a Europa, que a nova direcção que se deseja para as políticas europeias, são defendidas no seio da família socialista progressista.

Por fim, e para aqueles que se questionam acerca do afastamento das pessoas, dos cidadãos comuns da dimensão europeia da política, é muito interessante observar o que o Partido Socialista Europeu tem feito e promovido ao nível da militância e do envolvimento dos cidadãos europeus nos seus processos de decisão política. O que o PES promoveu em torno da construção do seu manifesto político foi um sucesso.

De toda a Europa choveram ideias, propostas e contributos. De partidos políticos, sindicatos, organizações não governamentais, activistas, de universidades, de todo o lado. Este processo dinâmico e interactivo, totalmente inédito ao nível europeu, provou que (1) é possível envolver diversas camadas do mundo da política e fazer a ponte entre a sociedade civil, a sociedade política e a sociedade académica, (2) que é possível construir conteúdo político com o contributo qualificado destes actores e (3) que é possível respeitar e aceitar a ideias e os comentários de um alargado número de actores, saindo da tradicional visão reducionista e elitista que marca, infelizmente, a construção do conteúdo político contemporâneo.

Portugal, naturalmente, não se ausentou deste debate, e o Partido Socialista e o PES activists Portugal promoveram um alargado debate, envolvendo Universidades, Sindicatos, Juventude Socialista, Departamento das Mulheres Socialistas, Deputados, Eurodeputados, Ministros, activistas, militantes de base e outros (tema a regressar em breve – podem, entretanto, ir vendo o site que construímos e as propostas que apresentámos).

Os socialistas europeus tem assim demonstrado que é possível fazer política com e para as pessoas; que é possível construir um debate construtivo e progressista eficaz com o envolvimento de peritos, académicos, políticos, ministros, deputados, militantes, sindicalistas e de quem queira participar – de forma construtiva – no debate.

Espero que o debate político em torno destas eleições europeias reflicta esta realidade e que dê oportunidade aos eleitores portugueses e europeus de conhecerem as propostas dos diferentes actores políticos em contenda; e que estas propostas sejam apresentadas no seu verdadeiro contexto – no contexto europeu.

E aí, sinceramente, e se se quiser dar um novo rumo à Europa, só há um voto eficaz: o nos Partidos Socialistas, Sociais-democratas e Trabalhistas europeus.

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sobre o autor

José Reis Santos Doutorando em História Contemporânea. Membro do Partido Socialista. Blogger no Loja de Ideias (http://lojadeideias.blogspot.com) e no Les Cannards Libertaires (http://canardlibertaire.blogspot.com). Envie mensagem directa no Twitter.

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1 José Manuel Faria 1 de Abril de 2009 , 13:59

“Espero que o debate político em torno destas eleições europeias reflicta esta realidade e que dê oportunidade aos eleitores portugueses e europeus de conhecerem as propostas dos diferentes actores políticos em contenda; e que estas propostas sejam apresentadas no seu verdadeiro contexto – no contexto europeu.”

Caro José Reis Santos, os candidatos, os partidos até podem querer esse debate. 90% dos eleitores não o querem, e têm razões de sobra para isso: Alguém ( poder/governo), alguma vez questionou o povo sobre – entrada na CEE, Euro ou Tratado Europeu – o eleitor, agora dirá que é tarde e, fará o manguito aos políticos do Centrão.

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2 Paulo Sousa 1 de Abril de 2009 , 14:14

Caro José Reis Santos,
Permita-me que comente o seu texto com uma citação de José Sócrates, sobre a qual aqui postei.

«As eleições para o Parlamento Europeu são uma oportunidade para aprovar a acção do Governo. Esta é mensagem sempre presente no discurso de José Sócrates, e ontem mais uma vez, quando participou à tarde em Viseu, ao lado de Vital Moreira, na pré-campanha para o sufrágio de Junho.»

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