Não é fácil compreender o funcionamento das instituições. Por um lado, podemos olhar para as suas regras, e descrever aquilo que podem ou não podem fazer. Assim dito, até parece simples. Olhamos para artigos e alíneas, e compomos uns quadros com limites e possibilidades exactos. Por outro lado, podemos assumir que essas regras são só uma base mínima: o que interessa é aquilo que realmente é feito, a substância da prática dessas mesmas instituições. Importa a realidade, portanto.
Quando votamos, inscrevemos a nossa cruz baseados nestes dois planos distintos. Temos uma ideia, por mais vaga que seja, daquilo que a instituição para a qual estamos a votar pode fazer, e sabemos – mais coisa, menos coisa – o que essa instituição tem vindo a fazer com o poder que tem. Esta soma de conhecimentos adquiridos e de expectativas é válida para qualquer tipo de eleição. Excepto uma, ao que parece: a eleição para o parlamento europeu.
As instituições europeias são extremamente complexas. Madeleine Albright terá dito que, para entender a Europa, uma pessoa tinha de ser um génio ou francês. Ora, os portugueses não são nem um, nem outro. Portanto, que significam as eleições ao parlamento europeu? Na cabeça do eleitor comum, a pequena cruz num boletim de voto pouca relação terá com a sua vida no quotidiano. Aliás, os partidos nacionais até o educam no sentido de aproveitar essa eleição como um referendo de agradabilidade do governo em funções. Provavelmente, não haverá asserção mais falsa do que esta da pouca significância das eleições europeias. Há quase trinta anos que votamos para o PE; talvez seja a altura de começar a perceber o que estamos realmente a votar.






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Se os portugueses, fossem exclarecidos politicamente, livres e independentes, mostravam nas eleições europeias, o primeiro cartão vermelho ao governo Socrates.