A reunião do chamado «G20» parece que se vai traduzir num apelo a que não se apliquem medidas proteccionistas, vagas declarações sobre «regulação» e pouco mais. Ainda bem. Espera-se que se avance alguma coisa, como hoje bem apelou David Cameron, no sentido de um acordo global de comércio que há tanto tempo já deveria estar concluído, não fosse a insistência da UE e dos EUA na manutenção das centenas de milhares de milhões de subsídios estatais aos agricultores.

Mas nesta cimeira, como em quase todas as outras, uma das «queixas» que muitos aguerridos militantes  sempre fazem, será o facto de a «Europa não se apresentar unida». Pois não. Nem podia.
Por um lado, na cimeira não estará a «UE» mas cinco dos seus estados, a que acresce o alto-funcionário que não representa coisa nenhuma a não ser a quem reporta e um vasto grupo de funcionários. Em segundo lugar (é óbvio mas necessita de ser explicitado), a realidade dos diferentes 27 estados é de tal forma díspar que nunca estes poderiam estar de acordo, sob pena de sacrificarem inutilmente os seus próprios interesses,  coisa que governos eleitos não tem por costume fazer por reportarem aos seus cidadãos. A situação económica britânica é diferente da francesa, esta da alemã, Portugal de Espanha e da Irlanda e o Leste de tudo o resto. E a diferenciação de situações implicará obviamente diferentes alternativas, bem como alianças que se pretendam estabelecer com outros parceiros internacionais.
Portanto, esses militantes da «voz única» queixam-se da inexistência de algo que não podia nunca existir.  A não ser que se calassem os interesses de cada estado e alguma alma superiormente inspirada determinasse o que fazer. Mas não seria nunca uma «união» e Napoleão já morreu faz bastantes anos.

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Gabriel Silva

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União Europeia: qual é o denominador comum
1 de Abril de 2009 ás 22:57

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1 Carlos Santos 1 de Abril de 2009 , 21:51

Gabriel,

Dentro do espirito salutar deste espaço, sou obrigado a discordar de alguns pontos no que diz. O tema do G20 dava pano para mangas (já vou em 7 posts sobre o assunto no meu blogue).
Uma das coisas que discordo parece-me factual: além do Presidente do Conselho Europeu, penso, mas vou verificar que Jean Claude Trichet e Durão Barroso também estão presentes. Barroso esteve aliás na recepção oferecida em Buckingham.
“a realidade dos diferentes 27 estados é de tal forma díspar que nunca estes poderiam estar de acordo, sob pena de sacrificarem inutilmente os seus próprios interesses, coisa que governos eleitos não tem por costume fazer por reportarem aos seus cidadãos.”

Pois, isso ando eu a pregar às paredes, caro amigo. Mas existe uma UE. E as crises da Irlanda e da Polónia não são tão dramaticamente diferentes quanto isso. Mas fica a dúvida: É a favor ou contra a existência de uma UE? E de uma UEM?

Acho que estas respostas nos ajudariam a perceber melhor o sentido do seu post.
Abraço,
Carlos

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2 Daniel Rebelo 2 de Abril de 2009 , 0:08

Penso que se as realidades são assim tão díspares como menciona, então isso será culpa da própria UE que internamente não se sabe unir nem entre-ajudar.

Mas disso os EUA e as potências emergentes como a China e a Índia não têm culpa e se a Europa não se conseguir unir, nenhum país europeu verá satisfeitas as suas pretensões, quer sejam comuns, quer sejam individuais. Porque a Alemanha e a França estão também em declínio e no contexto actual não conseguem exercer pressão suficiente para serem “escutadas” com atenção.

Numa Europa sem dinheiro e sem avanços diplomáticos (caso de Guantanamo ou do Afeganistão) que nos resta senão a união? Talvez se falássemos a uma só voz e não a 27 seríamos menos “desprezados” das soluções globais.

Até porque devido a “pormenores” como a livre circulação de capitais, bens e pessoas criámos uma interdependência. Se estamos contra ou a favor é outro assunto, mas essa dependência existe.

Os países de Leste necessitam do investimento Ocidental. As empresas Ocidentais necessitam dos lucros que as suas filiais do Leste produzem. Os países de Leste necessitam das nossas fábricas para gerar emprego. Nós necessitamos dos imigrantes para rejuvenescer a nossa população e para ocuparam lugares que exigem elevada formação (caso dos médicos) além de ocuparem os empregos que os portugueses não querem (construção civil).

Com estes exemplos quero apenas explicar, que na minha opinião, a Europa poderia fazer um esforço maior para se unir (mesmo que implicasse deixar interesses nacionais para trás) e que todos (os 27) beneficiariam dessa mesma união não só na cimeira do G20 como em todos os eventos externos e internos.

Cumprimentos.

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