Já sei que não poucos dirão que isto não tem importância nenhuma e que outros tantos dirão que me guio por critérios, valores e estilos a q
ue chamarão de «arqueológicos» . Seja como for, não posso deixar de confessar que fiquei deveras chocado quando, na televisão, vi e ouvi ontem num comício Vital Moreira a fazer ditirâmbicos e quase servis elogios a José Sócrates e a agradecer emocionadíssimo a sua grande contribuição para a campanha eleitoral do PS para o Parlamento Europeu.
Como os do costume é que têm a fama do «culto da personalidade», pergunto: alguém já viu ou imagina Ilda Figueiredo a fazer o mesmo num comício da CDU em relação a Jerónimo de Sousa ? Não, não e não. E posso então fazer ainda outra pergunta: quando há mais de 20 anos foi candidato do PCP, alguma vez Vital Moreira sentiu necessidade de fazer isso ou encontrou algum ambiente e cultura partidária que pudesse tolerar ou aceitar estas tristes exibições pública de graxa recíproca e de reverência perante o «chefe» ?
É claro que as pessoas podem mudar de partido se mudaram de ideologia e de projecto político ou por qualquer outra razão menos elevada. Mas seria assim tão necessário deitarem tão espampanantemente pela borda fora algumas coisas sérias, decentes, correctas e nobres que viveram ou aprenderam nos partidos de onde saíram ?






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Um comentário certeiro e muito oportuno.
O culto da personalidade, que está de novo a ser praticado nos nossos dias em muitas paragens, algumas bem perto de nós, não faz parte de uma vivência democrática nem de um Estado feito de pessoas livres e iguais, em que todos falam e todos são ouvidos.
É de desconfiar, mais do que dos adoradores, do adorado. Quem o incentiva ou permite não é certamente um homem democrático.