barroso-dominoes-590x4423À conta do que por aqui se tem escrito (Nuno Gouveia, Vitor Dias, Gabriel Silva), tenho-me interrogado se há alguma inevitabilidade na recondução do José Manuel Durão Barroso no leme da Comissão da União Europeia. E a verdade é que não. Não há.

Pelo contrário, acrescento. Se se entender a Europa como uma entidade política madura, com instituições consolidadas e com um corpo político próprio devidamente legitimado e regularmente sufragado, então tenho a dizer que a reeleição do senhor Barroso tem algumas dificuldades.

Como bem recordou o Presidente do PES em entrevista recente ao Le Monde, « Si nous avons une majorité, ou une coalition majoritaire au sein du Parlement, nous ferons en sorte d’avoir notre candidat pour la présidence de la Commission. Il est clair que si la droite n’est pas majoritaire, mais qu’une autre majorité se dégage autour des socialistes, des Verts et de la Gauche unitaire européenne, alors José Manuel Barroso ne pourra pas être reconduit».

Neste momento, este é o cenário que se espera. Mais ainda com o anuncio dos conservadores britânicos de abandonarem o Grupo Parlamentar do PPE-ED. Assim, se os resultados das eleições forem respeitados – e o PES for a força maioritária – Barroso deverá ter dificuldades em garantir a reeleição.

Não respeitar esta análise, será reduzir a Europa às decisões dos Estados, e dar um bom par de passos para trás no processo de integração política da União, colocando ao mesmo tempo em causa o papel e o poder das instituições europeias sufragadas directamente (como é o Parlamento Europeu).

Entendo que os governos actuem na defesa dos seus interesses nacionais, e que nesse sentido seja legítimo a quem queira apoiar a reeleição do actual Presidente da Comissão; mas a política europeia não se faz, hoje, somente do que os Estados querem e podem. Há, felizmente, mais. Os Partidos Europeus, ainda que em alguns casos fracos, existem e tem consolidado o seu espaço político. E o Presidente do PES foi muito claro a este respeito, quando refere que ele «parle au nom du PSE. Pas des gouvernements nationaux ! Une chose est sûre : le PSE ne soutiendra pas M. Barroso. C’est le candidat du Parti populaire européen (PPE). Il ne représentera jamais les opinions de la famille socialiste, même si certains gouvernements sociaux-démocrates le soutiennent, pour des raisons nationales. Le dernier mot doit revenir au Parlement après les élections».

Também acredito nisso.

 

(achei estranho que há quem pense que as propostas políticas apresentadas pelos partidos às eleições que concorrem não tem muito interesse. Bom, olhando para a generalidade da oposição portuguesa até entendo isso, mas julgar que toda a política se faz pela tarimba nacional é, no mínimo, ser muito pouco exigente. Tema a voltar)

(aproveito ainda para referir que a iniciativa anyone but Barroso partiu de três bloggers activistas do PES, Jon Worth, o impulsionador da ideia, Jan Seifert e Valéry-Xavier Lentz. E ainda há quem diga que não existe política à escala europeia).

[imagem retirada do blogue do Jon Worth]

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sobre o autor

José Reis Santos Doutorando em História Contemporânea. Membro do Partido Socialista. Blogger no Loja de Ideias (http://lojadeideias.blogspot.com) e no Les Cannards Libertaires (http://canardlibertaire.blogspot.com). Envie mensagem directa no Twitter.

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Se não é Barroso, é quem? : Vasco Campilho
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1 Gabriel Silva 3 de Abril de 2009 , 11:44

sim, bem visto.
Mas pelo que vi referido na imprensa, os conservadores britânicos apenas sairão do PPE depois da eleição da nova Comissão, votando ainda em conjunto com o seu actual grupo parlamentar. (obviamente, eles não aceitariam o risco de serem acusados de responsáveis pela eleição de um socialista….:)

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2 Nuno Gouveia 3 de Abril de 2009 , 13:18

Caro José,
Pelo que tenho lido na imprensa o PPE deverá continuar a ser a maior força no Parlamento Europeu….

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3 Francisco 4 de Abril de 2009 , 12:31

Quer-me parecer que o MEP tem ideologia. Ainda não assentou; talvez consiga lá chegar.
Um partido não se cria do nada. Especialmente, um programa não se faz do nada. Tem sempre uma força motriz.

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4 Francisco 4 de Abril de 2009 , 12:32

ops.. comentário à *posta* errada.

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