Daqui a umas horas encerra a campanha eleitoral para o Parlamento Europeu. Independentemente da forma como foi conduzida por cada partido e por cada candidato, o mais importante, neste momento, é cada eleitor pensar por si próprio, avaliando o que presume estar em causa e decidindo, em consciência, o sentido do seu voto. Ao longo destes dias foi repetido, com razão!, o tom crítico relativamente ao facto de terem sido privilegiadas as questões internas da política nacional, em detrimento do esclarecimento dos problemas e das potencialidades que a nossa pertença europeia significa. Porém, todos nos lembramos que a primeira mensagem de Vital Moreira foi querer discutir a Europa e que toda a oposição o criticou de forma devastadora, obrigando a que debates e intervenções se reduzissem à crítica governativa que, efectivamente, não era e não é!, o que devemos avaliar no acto eleitoral de domingo! Por isso, se a Europa não foi seriamente discutida, a culpa não foi de Vital Moreira e do Partido Socialista, como o não foi o facto da campanha ter ficado condicionada aos ataques e contra-ataques sem mais interesse do que a mera repetição estafada dos problemas que todos sabemos estar a viver, por razões que se arrastam há décadas no nosso país e por efeito da extraordinária, imprevista e grave crise internacional a que não poderiamos escapar. Agora, a título de alerta sobre o que a Europa pode esperar, no caso dos cidadãos não decidirem lúcida e seriamente, distanciados da demagogia a que os partidos costumam apelar, surgiu a vitória clara da extrema-direita na Holanda… se a esta escalada do racismo, da xenofobia e da intolerância inerentes ao que, em tempos de crise, gerou fenómenos de autoritarismos de má-memória no espaço europeu durante o passado século XX, acrescentarmos o liberalismo fútil e negligente na falta de transparência entre a política, os negócios e a ética dos valores que tornam digna a existência humana, de que é exemplo, na Itália, a governação de Berlusconi, sabemos que podemos estar a trilhar o caminho da eclosão da violência social que, à pobreza e à desigualdade, somam o prenúncio da ausência de possibilidade de construção e consolidação de um esforço conjunto, indispensável à manutenção do difícil futuro de paz que todos queremos, para enfrentar os tempos difíceis que vivemos. Estamos por isso, democraticamente, nas mãos dos cidadãos. Eu confio no discernimento e na inteligência da sociedade portuguesa.   

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Ana Paula Fitas

sobre o autor

Ana Paula Fitas Doutora em Ciências Sociais (Ramo: Estudos Portugueses; Especialidade: Cultura Portuguesa do Século XX) pela Universidade Nova de Lisboa. Investigadora Senior nas áreas da Antropologia Social, Antropologia Política, Antropologia de Género e Antropologia das Religiões, Etnologia Comparada e Sociologia Rural, Sociologia da Cultura e Sociologia das Religiões com trabalho desenvolvido e publicado em Portugal, Espanha e Índia. Docente do Ensino Superior. Consultora em Igualdade de Género. Coordenadora de Projectos de Desenvolvimento Comunitário e Local. Autora dos livros "Ocupação Sexual dos Espaços e Redes de Comunicação Social" e "Olivença e Juromenha - uma história por contar", de cerca de duas dezenas de artigos científicos, conferências e comunicações. Colaboradora em orgãos de imprensa regional. Co-autora do blogue Forum Palestina é a Autora do blogue A Nossa Candeia (http://www.anapaulafitas.blogspot.com/).

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