Onde está o Vital?
Os novos outdoors do PS são, sem dúvida, uma jogada inteligente de campanha. Não sei – provavelmente nunca se saberá – se já estavam previstos nestes termos, ou se se tratou de uma reacção ao verdadeiro descalabro do candidato Vital. Mas a verdade é que face ao evidente insucesso do candidato em fazer o que se lhe pede – disputar votos à esquerda e centrar o debate o mais longe possível de temas incómodos ao Governo – a melhor alternativa disponível é uma campanha corporate, em que desaparece o candidato e se põe em primeira linha a imagem do próprio partido.
Mas atenção: essa campanha corporate implica uma redefinição de estratégia. Já não se trata de conquistar votos a uma esquerda eurocéptica* nem de tentar definir os termos do debate eleitoral: trata-se apenas e tão somente de mobilizar um eleitorado fiel ao Partido Socialista, sensível a temas identitários como “a fronteira da liberdade” ou “a Europa connosco”. Os restantes eleitores sabem bem que essa identificação exclusiva do PS com a construção europeia é largamente mitológica: a integração no Mercado Comum já fazia parte do Programa do PPD ainda o PS verberava a Europa dos mercadores de canhões; o Governo da AD concluiu inúmeros capítulos das negociações de adesão à CEE; o PSD fazia parte do Governo que assinou o Tratado de Adesão; o PSD negociou e aprovou o Tratado da União Europeia; o PSD assegurou a primeira presidência portuguesa do Conselho Europeu; etc.
Ainda assim, não está mal pensado colocar o partido na primeira linha de campanha: numa eleição com um índice de participação previsivelmente baixo, as vitórias não se constroem através de transferência de votos, mas por um diferencial de mobilização do eleitorado fiel. E muito desse eleitorado fiel responderá ao estímulo identitário que os outdoors lhe oferecem. Mas talvez o PS se venha a arrepender de não ter pensado nesta estratégia corporate antes de escolher Vital Moreira. É que agora faz sentido perguntar: onde estava Vital Moreira quando Portugal pediu a adesão à CEE? E onde estava ele quando Portugal aderiu à CEE? Adivinharam: num partido que estava contra a adesão de Portugal à CEE.
Não queria estar na pele dos estrategas do PS: não duvido que esta é a melhor estratégia que podem aplicar nas actuais circunstâncias. Mas fazer uma campanha totalmente desfasada das qualidades do candidato que a protagoniza é a melhor receita para um mau resultado.
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* Sejamos justos: uma esquerda que não gosta desta Europa. Mas porventura gostaria de uma Europa mais a Leste .
sobre o autor
Vasco Campilho tem 31 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico e no Câmara de Comuns. Actualmente, escreve no vascocampilho.net, no 31 da Armada e no Papa MyZena.
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Não foi deste cartaz que falei. Foi de outros que se o Vasco ainda não viu, vai ver em breve, porque já estão na rua.
Luís, eu sei de que cartazes está a falar: é daqueles em que aparece o Soares a assinar o Tratado, o Sócrates com o Tratado de Lisboa, etc. Era tb desses que eu queria falar. Mas como não os encontrei no site do PS, manufacturei uma imagem que aludisse à ausência de Vital nos novos cartazes.
Concordo em absoluto, Vasco.
O PS cometeu um erro magistral na escolha do seu candidato Vital.
Será que é o início do fim da “power house” socialista?
Aguardemos então pela defesa especializada de serviço (sonder), por parte do Carlos Santos…
Porque é quase uma heresia em Portugal não sermos todos socialistas e não termos Mário Soares e Maria Barroso como referências…
Alguem podia tirar umas fotos a esses novos cartazes?
Nem no Twitter existem!
Pronto, tal como previsto/sugerido por aqui “esconderam o Vital”… Este blog já dá consultas… muito bem….
FRG