Até ao momento realizaram-se cinco eleições em Portugal para o Parlamento Europeu. Apesar de não ser possível retirar grandes ilações, podemos inferir algumas considerações dos seus resultados. Em 1987, o PSD, que estava no poder, venceu estas eleições com 37%, seguido do PS com 22% e do CDS com 15%. Nesse mesmo dia, Cavaco Silva conquistou a primeira maioria absoluta. Passados dois anos, em plena crise de popularidade do governo, o PSD voltaria a derrotar o PS, desta vez com 32%, apenas mais 4% que o PS. Já no final do cavaquismo, o PS viria a derrotar o PSD por 0,4%, em 1994. No período de ouro do guterrismo, em 1999, o PS venceu com 43%, mais 12% que o PSD. Por último, em 2004 o PS voltaria a conquistar o maior número de votos nestas eleições, com 44% contra os 33% da coligação PSD/CDS.
É óbvio que os contextos nacionais têm sido decisivos para o desfecho das eleições europeias. Basta analisar este passado eleitoral. E por isso concordo plenamente com o Vasco, quando referiu que estas eleições não podem ser desligadas do contexto em que são disputadas. O que o que mais influencia o voto das pessoas nestas eleições são particularidades dos países, podendo ser consideradas verdadeiros testes à popularidade dos partidos no governo. Os resultados eleitorais de 1994 e de 2004 já preconizavam a agonia dos governos de então, e nas eleições seguintes, o PSD viria a perder as eleições. Em 1999, os resultados das europeias já antecipavam a vitória do PS nas legislativas de 2001. E por isso, considero que no caso de o PS não obter um resultado auspicioso nas eleições de Junho, poderá estar em causa a sua vitória nas legislativas.
O PSD tem aqui uma oportunidade de ouro nestas eleições. Mais importante do que o nome de cabeça de lista, será conhecer a equipa de candidatos a eurodeputados. É que neste aspecto o PS já apresenta debilidades na sua lista, como as candidatas autárquicas Elisa Ferreira e Ana Gomes. Seja o PSD capaz de apresentar uma equipa ganhadora e com vontade de trabalhar em Bruxelas, e pode começar aqui o inicio do fim de José Sócrates.
sobre o autor
Nuno Gouveia tem 31 anos, é militante do PSD e vive no Porto. Antigo colaborador do Atlântico e autor do Eleições Americanas 2008 e Virtualidades. Actualmente escreve no 31 da Armada e no Cachimbo de Magritte.

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Caro Nuno,
Interessante enquadramento das eleições europeias e evidente leitura da atitude do PPD: sem causas nem propostas, para a UE e para Portugal, apenas com o objectivo de derrubar José Sócrates.
Caro Carlos,
Obviamente esta não é a leitura do PSD. É a minha. Tal como os teus comentários não devem ser encarados como a voz oficial do PS (presumo eu), o mesmo deves fazer em relação a mim. Sou meramente um militante de base e não tenho esse poder :)…
Em relação a propostas para a UE o PSD terá as suas, que, em alguns aspectos, não serão muito divergentes do PS. Por exemplo José Sócrates já declarou o seu apoio à recondução de Durão Barroso à frente da CE. Presumo que seja esta a posição oficial do PS. E não a que Ana Gomes defendeu hoje, que um voto no PS seria um voto contra Durão Barroso.
O que eu quis evidenciar, e isso é um facto, é que estas eleições sempre têm sido um teste à popularidade do governo. Deves lembrar-te bem do que foi dito por Ferro Rodrigues nas eleições de 2004. Quando os governos são populares, ganham com larga margem; quando não o são, perdem ou ganham por poucos. Não será isto verdade, analisando os resultados das cinco eleições europeias que já tivemos?
Abraço
Caro Nuno,
Obviamente, aqui, cada um argumenta e expressa pela sua cabeça.
O meu comentário teve em consideração as tuas palavras: “O PSD tem aqui uma oportunidade de ouro nestas eleições”.
Quanto a José Manuel Barroso, em 2004: http://tugir.blogspot.com/2004/06/00_26.html,
como agora, em 2009: http://camaradecomuns.blogs.sapo.pt/1072175.html, continuo a considerar uma razão de orgulho e prestígio para o nosso País ter um português à frente da Comissão.
Relativamente à análise das eleições, tópico interessante que abordas, como referi anteriormente, a primeira eleição ao PE distinguiu-se, como se comprovou, com o resultado do CDS (leia-se Francisco Lucas Pires), ao mesmo tempo, por que se realizaram no mesmo dia, Cavaco Silva obtinha a primeira maioria absoluta.
Mas, os tempos são outros, o Parlamento Europeu tem mais poderes e as pessoas deviam estar mais cientes do trabalho europeu, por que muito do que se faz e passa em Bruxelas e Estrasburgo está directamente ligado e influencia a nossa vida.
A eleição do próximo dia 7 de Junho pode ser, como escrevi no meu primeiro post neste blogue, uma primária da eleição legislativa. Mas os partidos, todos, deviam centrar a eleição europeia nas questões europeias. Da parte do PCP e do BE já se percebeu que não estão para aí virados. O PS está interessado em falar e debater Europa. Resta saber o que fará a direita portuguesa, que anda completamente ausente desta matéria.
Nuno,
Eu posso estar errado, mas se li o teu post com interesse, como habitualmente leio o que escreves, não pude deixar de me perguntar se a resposta ao título sobre a importância das eleições europeias estava no último parágrafo: a derrota do PS nas legislativas? Toma isto como uma dúvida, apenas. E dirigida a ti como autor do post. Não dirigida à Direcção do PSD. É que esta mania de economista de achar que no contexto presente há coisas mais importantes acaba por ser viciante. E, nesse sentido, se tu e o Vasco têm toda a razão sobre o que têm sido as eleições europeias eu pergunto-me se estas deviam ser isso?
Abraço,
Carlos Santos