O PSD começa amanhã a colar os cartazes de Paulo Rangel. Não pude deixar de me surpreender com o slogan do cartaz. Desde pequenino que me têm dito que os fundos europeus serviam para, finalmente, resolver a nossa crise. Agora a proposta é resolver a crise com os fundos europeus. Somos sem dúvida, um país de progresso… Combater a crise, caro Paulo Rangel, tem de começar em nós próprios, no aumento da produtividade das empresas, da qualidade do ensino, do rigor nas contas públicas, na diminuição da despesa do Estado e do desperdício público de dinheiro. Esta coisa de estarmos sempre à espera que os outros façam por nós o que a nossa indigência não nos deixa fazer por nós próprios, acabou com a perda de África! Esperava mais e melhor do primeiro cartaz.
(publicado no Tomar Partido)
sobre o autor
Jorge Ferreira Advogado. Docente do ensino politécnico. Militante do Partido da Nova Democracia.






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A princípio pensei que era fotomontagem! Sendo mesmo assim, só posso dizer que este primeiro cartaz é pouco menos que catastrófico e que não me parece corresponder sequer ao pensamento do candidato e do partido (muito menos ao meu, que também milito no PSD). Terão sido ainda fumos da marcha da marijuana que chegaram tardiamente à sede do PSD? ;-)
Bem observado. Mas este tipo de terminologia tem os seus destinatários ou seja, vende!
Parece-me que a questão central é: que crise?
Segundo me consta, quando o Jorge Ferreira era pequenino, os fundos europeus não se destinavam a resolver uma crise, mas a catapultar o país para um nível estrutural superior. Se bem me lembro: criar uma rede de transportes moderna e eficaz, apostar numa sólida formação profissional, reduzir as assimetrias regionais, etc.
Por outro lado, “aumento da produtividade das empresas, qualidade do ensino, rigor nas contas públicas, diminuição da despesa do Estado e do desperdício público de dinheiro” não são instrumentos de combate à crise mas de gestão normal e responsável de um país. E, em caso de crise, até se pode equacionar um aumento da despesa do Estado.
Parece-me que este cartaz refere uma outra crise – esta que atinge todos os países e se pode transformar na edição ampliada e globalizada da Grande Depressão.
Sendo assim, a questão que coloca é um bom ponto de partida para um debate muito importante: esta crise global deve ser tratada de forma “global”, com recurso aos fundos europeus, ou deve ser cada país por si?
Não é só Portugal. A leste da Alemanha, há um conjunto de países membros interessadíssimos no resultado deste debate.
Se o cartaz de Paulo Rangel se refere realmente a esta crise global e ao modo como a UE a deve combater, confesso que este é o melhor cartaz das Europeias que vi até agora.
Cara Helena, se há dúvidas sobre aquilo a que o cartaz se refere, é porque o cartaz é mau.
Tiago,
E não é que vou ter de dar razão aos dois?… ;-)
Andei a dar uma volta pela documentação existente, e as dúvidas só aumentaram:
- Os fundos europeus de que o cartaz fala são os do QREN?
Recapitulando: os fundos europeus destinados a apoiar o esforço nacional de desenvolvimento, com vista à realização plena da coesão.
Estamos a falar de fundos para o desenvolvimento estrutural ou fundos para o combate à crise?
- Que crise? a portuguesa, anterior à crise financeira global? ou a portuguesa agravada pela crise financeira global? ou a crise global, que começou por ser financeira e se está a tornar económica e social?
- Entre as funções dos deputados do Parlamento Europeu também se encontra a de inspeccionar a aplicação dos fundos (quais fundos?) feita pelos governos nacionais?
No Contrato Europeu com os Portugueses (www.politicadeverdade.com) parece que sim: “Acompanharemos de perto toda a política de combate à actual crise e à forma como o governo português aplica a estratégia europeia, designadamente no que diz respeito à utilização dos fundos comunitários” e, mais à frente, “Combatemos a incompetência e o desperdício, quer se traduzam na não aplicação ou mesmo devolução de recursos financeiros a Bruxelas, quer no atraso inaceitável no seu aproveitamento (como está a ser o caso do QREN) ou no financiamento de obras vistosas mas ruinosas para as próximas gerações.”
Não sei se o cartaz é bom ou mau, mas que oferece pano para mangas de debate, lá isso…
Caro Jorge Ferreira,
Absolutamente de acordo. Pior só mesmo o do CDS.
Abraços
Vim parar a um blog de socialistas camuflados!