O que mais espanta no mundo dos comentadores portugueses é terem de ser acicatados pelos holofotes para comentarem o que já leram (ou não) até na própria casa.
Elisa Ferreira já explicou na primeira pessoa, aqui neste Blog, aquilo que muitos dos comentadores agora comentam por se ter transformado num sound byte.
Não sei se é importante, mas pelo menos é interessante observar que ninguém aqui comentou a entrevista feita a Elisa Ferreira que foi publicada em 28/04 onde ela dizia:
“pessoalmente, desde já afirmo que, se for eleita, não abandonarei o cargo de Presidente da Câmara do Porto por qualquer outro cargo nem em nenhuma circunstância (a não ser, naturalmente, por razões de força maior, que sou incapaz de antecipar).”
sobre o autor
Luís Novaes Tito - técnico de Sistemas de Informação, Informáticos e de Gestão da Qualidade. Integra o corpo editorial da ops! revista de Opinião Socialista. Autor do blog a Barbearia do senhor Luis






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Carissimo
Pode dar as voltas que quiser. O facto e que a candidata e-o a dois cargos simultaneamente.
Qualquer cidadao serio reconhece que isso nao acontecera por um idealismo profundo que a move, mas pelo contrario, pela total subjugacao aos interesses partidarios.
Desinteresse e abnegacao pesssoal na politica, nem ve-los.
Pode custar, mas o eleitorado portuense ve isto a milhas. Ve-lo-a a candidata e voce, quando forem conhecidos os resultados das eleicoes autarquicas.
Tenho pena que nao haja circulos uninominais ( e nao listas ) nas eleicoes para o PE. Porque talvez tambem se verificasse que o povo portugues nao aprecia candidatos que nao querem estar nas listas, as quais apenas “dao o nome”.
E por acaso ate ja tinha comentado esta entrevista, adjectivando-a na altura como a adjectivo agora:
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=1434893264383176829&postID=5438345394879286538&pli=1
Seriedade na politica, precisa-se.
PS: Perdao pela falta de acentos. Uso um teclado ingles.
Caro Carlos Cidrais
Listas uninominais para o Parlamento Europeu são coisa que fazem alguma estranheza. Porquê só para o PE, se ainda por cima os deputados europeus depois deverão incluir-se em grupos parlamentares se quiserem ter alguma influência na Europa?
Lembro que os deputados europeus não estão no PE em representação dos seus países, mas sim das suas cores políticas.
Obviamente que nao seria apenas para o Parlamento Europeu. Esse argumento e que me causa alguma estranheza.
Quanto a segunda parte do comentario…importa-se de repetir?
Sendo certo que os deputados sao eleitos por partidos que se inscrevem em em grupos mais vastos no PE, a motivacao para a sua candidatura pode e deve ser sempre a defesa do interesse nacional.
Acrescento apenas que entendo que os agentes politicos devem ser responsaveis perante os eleitores de forma direta, seja em eleicoes para o PE, autarquicas ou legislativas.
A melhor forma de o fazer em democracia e a consagracao dos circulos uninominais.
A falta destes mecanismos da azo a situacoes destas. Nas quais os candidatos habitam listas para numa primeira fase servir os interesses do partido de forma a que os seus interesses proprios fiquem salvaguardados posteriormente.
E ai voltamos ao sentido original do meu comentario: aonde esta o sacrificio do interesse pessoal em prol do bem publico?
O que não entende, caro Carlos Cidrais?
Os parlamentares potugueses não constituem grupo parlamentar na Europa. Dividem-se consoante as suas cores políticas. Isto é sabido e não é exclusivo dos portugueses. Claro que irão defender os interesses nacionais mas o seu papel é o da construção da realidade europeia.
Nao entendo de que forma a divisao por grupo politico impede que os paralementares nacionais eleitos sejam responsaveis diretamente perante os eleitores nacionais, pela defesa que fazem desse interesse nacional. Mesmo que esta va em sentido contrario a orientacao de voto do grupo politico no qual se inscrevem no PE.
e se for eleita vereadora, vai para o PE?
esta é a situação mais provavel… e a que permite saber até que ponto está a candidata disposta a servir o Porto. porque imaginar como possível a vitória no Porto e a ida para Bruxelas, ou para qualquer outro cargo é de tal maneira impensável que nem acho que chegue a ser uma questão Política de peso é uma mera suposição teórica! a questão práctica é saber se a candidatura a Bruxelas não é o sintoma da falta de fé na vitória no Porto… e se a passagem pelo Porto não é por isso um mero cumprir de serviço ao Partido.
Se após a derrota a candidata se vai embora, então o seu projecto é inconsequente na medida em que não defenderá os cidadãos que em nela vierem a depositar confiança.
Como é óbvio não faço juízos de valor sobre a seriedade de Elisa Ferreira de que, aliás, não duvido. Mas, politicamente a sua opção de candidatar-se a duas eleições é pouco consistente e difícil de sustentar… a questão é um pouco mais susbstancial do que a mera reacção apressada a uma declaração exporádica.
O que aqui está em causa é a relação com o poder e com a liberdade que a pessoas demonstram na altura de arriscar-se a perder esse poder… Se acredita no seu projecto para o Porto, se o faz com toda a liberdade e na certeza de dar o melhor à cidade, se o faz com “espirito de serviço” Elisa Ferreira tem todos os motivos para arriscar-se. E se depois, nem for Presidente da autarquia, nem deputada pode ser vereadora. E se isso fosse de todo impossível, não falta lhe qualidade para procurar servir o país e a cidade de outra maneira.
Mas a candidata não demonstra essa capacidade de arriscar, não demonstra essa liberdade de jogar tudo pelo Porto sabendo que pode perder. O Porto paarece não ser um Projecto suficientemente aliciante ao ponto de a fazer jogar tudo por tudo.
O PS já podia ter aprendido que no Porto esta táctica de jogo é pouco apreciada e que os eleitores podem penalizá-la com severidade! … ainda não se tiraram todas as consequências da 1ª. vitória de Rui Rio.
Caro Jserrano
Você diz: “Se após a derrota a candidata se vai embora, então o seu projecto é inconsequente na medida em que não defenderá os cidadãos que em nela vierem a depositar confiança.”
Mas isto é assim mesmo. Em caso de derrota, nenhum candidato pode impor o seu projecto, mesmo que “não vá embora” ou por outra, poder continuar a defender, pode, mas de nada servirá. Na óptica de Elisa Ferreira é mais útil estar em Bruxelas do que na Faculdade onde é professora. Também na sua (dela) óptica e não na minha, adianto já para que não restem dúvidas, o lugar a que se candidata é o de Presidente da Câmara e não o de vereadora, ficando subentendido que se não for eleita Presidente considera isso uma derrota.
Repito, é a sua óptica e há que reconhecer que ela foi bem clara na entrevista que deu. Parece claro que se está a propor aos cargos com perfeita clareza e isso é uma novidade em termos de política portuguesa. Nada esconde aos eleitores, eles que decidam.
tem razão quando diz que não pode impor, mas certamente que pode a partir desse projecto colaborar com o Governo da cidade seja na através dos deputados municipais seja pela presença dos vereadores. Caso contrários os vereadores da oposição não teriam sentido. e evidente que o modo de ser oposição teria que ser a partir do Projecto que defendeu!
de resto concordo consigo, é claro que é a óptica de Elisa Ferreira, é claro que não há nenhum impedimento para isso… mas politicamente é questionável por muita clareza e transparência com que seja tomada a sua posição. Não é certamente um juizo da honestidade é um juízo político do modo como entendo que devem ser exercidos os cargos políticos e a liberdade que se deve mostrar face ao poder. Externamente visto não vejo essa liberdade em Elisa Ferreira.
Evidentemente que o meu juízo é criticável, mas é com o meu juízo que conto para saber como votar. Se me fosse possível votar no Porto, provavelmente não cheagava a colocar nenhuma cruz!
Caro jserrano
Elisa Ferreira não é candidata à Assembleia Municipal mas sim à Câmara Municipal, pelo que não entendo como poderia colaborar através dos deputados municipais.
E estou de acordo consigo. Os vereadores da oposição são habitualmente inúteis. Basta lembrar que grande parte deles nem sequer tem pelouro atribuído, o que é um absurdo. Esta seria uma boa matéria para reflexão.
sim, é verdade que não é candidata a assembleia municipal mas penso que o Projecto é Global e tantos os deputados municipais leitos pelo PS como os vereadores da oposição deverão tê-lo em conta nas suas propostas, ou não? ou ou a possibilidade do PS colaborar acaba com a derrota?
quanto à inutilidade dos vereadores da oposição… há quem aproveite e bem essa situação funcionando como uma espécie de “provedor do municipe” procurando conhecer bem a realidade do concelho que serve. mas sim, a sua função pode ser repensada. talvez se pudesse dar maior importância à assembleia municipal e ser essa assembleia a eleger o governo como a nível nacional, mas talvez houvesse outros inconvenientes!
agradeço a conversa!
Pois … não disse o mesmo em relação ao outro cargo a que se candidata, o de deuptada ao Parlamento Europeu. Quanto a mim só desvaloriza a sua própria posição e as eleições europeias, ainda que em alguns círculos possa ser entendido como um sinal de dedicação ao Porto!
Aqui fica uma pequena nota que escrevi, em Setembro, sobre esta possibilidade: http://notasdasuperficie.blogspot.com/2008/09/sinais.html
Caro Miguel Conceição
Não entendo a sua questão. Elisa Ferreira é clara no que diz em relação à sua candidatura autárquica e em relação à candidatura europeia.
Basta ler.
Caro Luís Tito,
O que pretendi dizer foi que Elisa Ferreira não afirmou que, no caso de ser eleita para o PE, não abandonaria esse cargo excepto por razões imprevistas, ao invés do que faz em relação à CMPorto. E, assim, no meu entender, fragiliza a sua com os eleitores para o PE. Não que a mudança de cargos seja ilegítima, mas que faz com que se deva olhar mais para os candidatos em posição, à partida, “menos elegível” (e que muitas veszes não aparecem nem se ouvem falr nas campanhas), e que acabam a desempenhar os cargos, como sucede em elevado número no nosso Parlamento.
Pois não Miguel, não disse, porque as eleições Europeias antecedem as autárquicas e foi clara a dizer que não troca as do Porto por nenhumas outras, logo não ficará na Europa caso depois venha a ganhar as do Porto.
Eu percebi. Custa-me mais a perceber é a escassez de nomes, que faz com que os mesmos sejam os mais indicados para tudo, mesmo para lugares que exigem perfis tão diferentes. E como eleitor para o PE também não percebo que alguém se candidate com o pensamento ou a esperança já noutro lado. Maneiras de ver e fazer política. Por mim este argumento está encerrado.
Registe-se o esforço e boa vontade de Luís Novais Tito. Nada do que senhora tenha dito antes ou depois da frase que lhe é atribuida altera ou diminui a sua gravidade. Luís Novais Tito devia deixar-se de truques de justificação ou camuflagem e dizer-nos antes com todas as letras que a frase que provocou escândalo é falsa ou inventada por terceiros.Se é verdadeira, não há volta a dar-lhe. ATÉ PORQUE, NORMALMENTE, OS «SOUNDBYTES» REVELAM MAIS SOBRE O QUE VAI NA CABEÇA DAS PESSOAS DO QUE AS ENTREVISTAS ESCRITAS OU COM RESPOSTAS JÁ MUITO RASCUNHADAS MENTALMENTE.
Caro Vítor Dias
Abstraindo da sua habitual linguagem trauliteira “Luís Novais Tito devia deixar-se de truques de justificação ou camuflagem e dizer-nos antes com todas as letras que a frase que provocou escândalo é falsa ou inventada por terceiros”, sempre lhe reafirmo que lhe foi necessário o sound byte para que viesse a público fazer o texto que antecede o meu.
Chamo-lhe no entanto à atenção para o facto do PCP dever ter especial cuidado com este tipo de apreciações, sabendo-se como se sabe, ser useiro e vezeiro em fazer substituir nos cargos para onde foram eleitos, os candidatos que se apresentaram a votos. Também aqui parece que o espeto de pau em casa de ferreiro lhe é aplicável.
Olhe para o que se passa na sua bancada da AR e vai ver que a sua coerência não está nos melhores dias.
Meus caros comentadores,
Vamos lá a ver se nos entendemos. No meu texto que está a provocar estes comentários em nada defendo a posição da candidata. Aliás sobre a matéria já me expressei sem que fossem necessários os sound bytes, como poderão comprovar se quiserem ter a bondade de me reler aqui em 6 de Abril.
Mas já agora e aproveitando, sempre lhes quero dizer que a questão deste ano em nada altera a minha posição que sempre foi esta: – Os mandatos a que as pessoas se candidatam e para os quais são eleitos são para cumprir até ao fim.
Não é pelo facto de as eleições coincidirem no mesmo ano que essa regra se deve aplicar de forma especial e há inúmeros casos, desde que há eleições em Portugal, onde isso não foi cumprido.
Feita esta introdução passo aos detalhes de cada uma das intervenções anteriores respondendo aos meus interpelantes nos locais próprios.
Pois é Luís Novais Tito, trauliteiros são sempre os outros. Mas a sua resposta ao meu comentário só mostra que está a precisar de ler com atenção o comentário que fiz a um texto de Carlos Manuel Castro em que escrevi o seguinte que também serve de resposta para os argumentos que me lançou: «Que grande confusão (e baralhanço sobre o que outros escrevem) vai nessa cabeça, Carlos Manuel Castro. Eu não levantei nenhum problema de cúmulo de candidaturas nem de substituição de deputados eleitos. Só levantei o problema de uma candidata – a quarta da lista do PS – que disse o que disse e que ninguém desmente que tenha dito – sobre o ir para o PE para assinar o nome. É aqui que bate o ponto e em mais lado nenhum. Tendo sido este o terreno de comentário e discussão em que me coloquei, não misture alhos com bugalhos, e responda antes com clareza: é capaz de exibir alguma declaração de Ilda Figueiredo em qualquer época ou ano a afirmar que vai para Estrasburgo só para assinar o nome ?»
O Vitor Dias sabe os termos em que se me referiu, não sabe?
Não me conhece, porque se conhecesse não teria usado as palavras “truques e camuflagem”, para caracterizar o que digo.
Não vale a pena ir por aí, meu caro, pelo menos comigo, porque felizmente não temo controleiros. Nem os de antes nem os actuais. Tenha paciência.
Luís,
O Luís até pode partilhar das ideias da Elisa Ferreira e, até, da Ana Gomes, mas considero-o suficientemente lúcido para compreender que o que ambas estão a fazer é dar uma machadada no espírito democrático que, pelo menos eu e suponho que mais umas dúzias de pessoas, se pretende.
É de um desrespeito sem nome pelo eleitorado estar, ao mesmo tempo, em duas eleições e admitir que está numa apenas para dar o nome e que não quer lá estar.
Luís, com franqueza, acontecesse isto com qualquer outro partido e os socialistas não sairiam das televisões e jornais.
Cumprimentos
Caro Tiago
Sobre a minha posição pessoal já indiquei onde se pode ler. Não consigo ser mais claro, lamento. Se seguir o link que está na resposta 17 vai saber o que penso.
Mas, mesmo não concordando com as duplas candidaturas, prefiro a clareza antes de qualquer uma das eleições, como tanto a Ana Gomes como a Elisa Ferreira fizeram, a todas as outras que sempre se fazem “por debaixo dos panos”. Essa frontalidade agrada-me e não esperava outra coisa de pessoas de bem como uma e outra candidata são.
Leia-se resposta 18 (A numeração das respostas vai-se alterando conforme se acrescentam)
Caro Carlos Cidrais
(Respondo aqui porque o esquema de respostas directas esgota-se em 5 textos)
A lógica do PE não é a de representatividade dos interesses nacionalistas mas sim a da construção da União Europeia. Os deputados defendem os interesses nacionais defendendo as políticas europeias que entendem mais úteis para a Europa e logo, para os seus países. Funcionam numa lógica político-partidária e não numa lógica nacionalista, que não faria qualquer sentido. Para representação dos países existem outros órgãos como o Conselho Europeu.
Caro LNT,
Obrigado pelo esclarecimento. Pensava eu que o Conselho Europeu nao era uma instituicao oficial da UE, e que nao detinha poderes legislativos ou executivos. Mas pelos vistos e tao importante que e este o espaco no qual os paises podem representar os seus interesses.
De resto, permita-me apontar que a frase”Os deputados defendem os interesses nacionais defendendo as políticas europeias que entendem mais úteis para a Europa e logo, para os seus países.” nao esta formulada corretamente.
Inumeras politicas podem ser do interesse comum da europa, mas diretamente opostas ao interesse de sectores da sociedade de paises que a compoe.
Para dar alguns exemplos actuais, veja-se a politica das quotas pesqueiras, o PAC ou as quotas de producao do leite.
Ha ou nao casos de partidos que tenham quebrado a disciplina de voto do grupo a que pertencem, para apoiar politicas que melhor defenderiam interesses da sociedade que os elegeu?
Note-se que toda esta discussao e perfeitamente circunstancial, tendo em conta aquilo que aqui vim debater.
Mas vou debatendo, porque realmente sao estes temas que faltam discutir em publico. E no fundo aqueles que mais devem importar aos eleitores.
Cumprimentos
Efectivamente já saímos há muito do âmbito do meu texto inicial mas isto é como as cerejas.
Quanto aos orgãos, competências e âmbito aconselho uma leitura por exemplo em http://europa.eu/institutions/index_pt.htm
Verá que o PE representa os cidadãos e se agrupa politicamente, nunca por nacionalidade e verá que Conselho representa os Estados-membros.
Agradeco o link, mas o que verdadeiramente importava ficou por responder:
“Ha ou nao casos de partidos que tenham quebrado a disciplina de voto do grupo a que pertencem, para apoiar politicas que melhor defenderiam interesses da sociedade que os elegeu?”
Se sim, dizer-se que os partidos estão agrupados por grupo político equivale em termos práticos, a nada.
O que verdadeiramente interessa já foi respondido.
Aquilo de que agora fala são excepções e as excepções existem em toda a parte mas, como se sabe, não fazem regra.
Agradecido pelo diálogo
Eu e que agradeco.
Se bem que foi mais um monologo. Nao entenda o que vou dizer como falta de respeito, mas um dialogo acontece quando ambos os interlocutores colocam perguntas que sao respondidas. Diretamente, sem subterfugios.
Ate uma proxima.